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Comportamento

Pokémon Winds e Waves: quanto custa jogar a nova geração no Brasil versus em 1996

Três décadas depois da primeira versão, custo de entrada na franquia segue próximo de três salários mínimos apesar da alta dos preços

Por Igor Markevich

27/02/2026 | 20:22 Atualização: 28/02/2026 | 18:10

Comparação entre Game Boy e Switch 2 mostra quanto custa jogar Pokémon no Brasil após 30 anos. Veja preços de consoles e jogos, evolução tecnológica e impacto no salário mínimo. (Imagem: Adobe Stock)
Comparação entre Game Boy e Switch 2 mostra quanto custa jogar Pokémon no Brasil após 30 anos. Veja preços de consoles e jogos, evolução tecnológica e impacto no salário mínimo. (Imagem: Adobe Stock)

Pokémon completa 30 anos em 2026 como a franquia de entretenimento mais lucrativa do mundo atualmente, com receitas acumuladas superiores a US$ 100 bilhões segundo a The Pokémon Company. A aproximação da décima geração de jogos, Pokémon Winds e Pokémon Waves, prevista para 2027 com lançamento no Nintendo Switch 2 e tradução em português do Brasil, provoca nostalgia, convoca lembranças e oferece a possibilidade de medir como evoluiu o preço de acompanhar a jornada dos monstrinhos ao longo de três décadas.

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A marca nasceu em 1996 com o lançamento dos primeiros videogames da série para Game Boy, antes de se expandir para desenhos animados, filmes, cartas colecionáveis e um sem número de produtos licenciados.

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O Pokémon de 1996 a 2027

Os primeiros jogos da série, Pokémon Red e Pokémon Blue, foram lançados em 1996 para o Nintendo Game Boy, console portátil de 8 bits com tela em preto e branco.

Nintendo Game Boy com cartuchos de jogos clássicos ao redor. (Imagem: Adobe Stock)

Nos Estados Unidos, o Game Boy custava US$ 89,95 no lançamento. Os jogos Pokémon eram vendidos por cerca de US$ 35.

No Brasil, um Game Boy importado era vendido por cerca de R$ 104 na versão compacta e entre R$ 250 e R$ 400 nos modelos principais no varejo em 1996, segundo anúncios da época. Os cartuchos originais de Pokémon custavam aproximadamente entre R$ 80 e R$ 120. Considerando os preços mais comuns do período, a porta de entrada para a franquia exigia um gasto próximo de R$ 400, valor equivalente a cerca de 3,5 salários mínimos naquele ano.

Game Boy vendido a R$ 104,00 em maio de 1996. (Reprodução: site Aperta o X)

O salário mínimo no Brasil a partir de 1º de maio de 1996 foi definido em R$ 112,00, valor estabelecido durante o processo de consolidação do Plano Real, que buscava estabilizar a economia após décadas de inflação elevada. A nova moeda, criada em 1994, ainda passava por um período de ajustes, com o poder de compra relativamente preservado em comparação com os anos anteriores de hiperinflação, mas com renda média ainda limitada para bens duráveis importados, como eletrônicos e videogames.

O custo em 2027

A décima geração da franquia, Pokémon Winds e Pokémon Waves, tem lançamento previsto para 2027 no Nintendo Switch 2, nova geração do console híbrido da Nintendo. No Brasil, o aparelho chega com preço sugerido de R$ 4.499,90, definindo o principal custo de entrada para acompanhar a novidade. O valor dos jogos tende a seguir o padrão recente da série.

Pokémon Legends: Z-A, título mais recente da franquia, é vendido por R$ 439,90 na loja oficial da Nintendo, patamar que serve como referência para os novos lançamentos. Mantida essa política de preços, a estreia de Winds e Waves deve ocorrer em faixa semelhante no mercado brasileiro.

O custo básico para acompanhar a nova geração fica próximo de:

  • Console: R$ 4.499,90
  • Jogo: R$ 439,90
  • Total: R$ 4.939,80

O salário mínimo em 2026 é de R$ 1.621.

Isso significa que entrar na nova geração exige cerca de 3 salários mínimos.

Como mudou a experiência

A diferença entre as duas gerações não reside apenas no preço, mas também na experiência de jogo. Em 1996, Pokémon Red e Blue rodavam no Game Boy com gráficos em preto e branco, personagens em pixel 2D, mapas simples e som monofônico. As trocas dependiam de um cabo físico, o Link Cable, e toda a experiência era offline. O objetivo era completar a primeira Pokédex (espécie de catálogo com as criaturas do jogo), limitada a 151 monstros digitais, em uma tela de pouco mais de seis centímetros.

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Três décadas depois, Pokémon Winds e Pokémon Waves prometem levar a série a um patamar técnico incomparável. Os jogos devem trazer gráficos tridimensionais em alta definição, ambientes amplos exploráveis em tempo real, batalhas com animações complexas e integração constante com a internet, incluindo eventos online e armazenamento em nuvem. A inédita tradução em português brasileiro marca também uma mudança de escala no público-alvo.

Entre os pokémon iniciais já revelados para a nova geração estão três personagens que seguem a tradição de oferecer escolhas de tipos básicos aos jogadores. Browt representa o tipo grama e tem aparência de um pintinho ranzinza. Pombon ocupa a posição do tipo fogo, com traços que remetem a um cachorro da raça Spitz Alemão, enquanto Gecqua será o representante do tipo água, com design que lembra uma lagartixa.

Por que ficou caro

A indústria de games mudou profundamente sua estrutura de custos nas últimas décadas. Nos anos 1990, a maior parte das despesas estava concentrada na produção física dos cartuchos e na distribuição para o varejo, enquanto as equipes de desenvolvimento eram relativamente pequenas e os ciclos de produção mais curtos.

Hoje, o orçamento de um grande lançamento envolve projetos que mobilizam centenas de profissionais por vários anos, com investimentos elevados em desenvolvimento tecnológico, design gráfico, trilha sonora, marketing global e infraestrutura digital.

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Além do produto inicial, entram na conta servidores online, atualizações constantes e suporte contínuo ao jogador, transformando o que antes era um produto fechado em um serviço que se estende por anos após o lançamento.

Ainda assim, o preço real dos jogos permaneceu relativamente estável ao longo das décadas quando ajustado pela inflação. A principal mudança ocorreu no custo do hardware, que passou a concentrar a maior parte do investimento necessário para entrar em uma nova geração.

O peso no bolso

A comparação em salários mínimos mostra que acompanhar Pokémon continua sendo um gasto relevante.

  • 1996: cerca de 3,5 salários mínimos
  • 2027: cerca de 3 salários mínimos

Em proporção à renda, pouca coisa mudou ao longo de três décadas, mas em valores nominais a diferença é expressiva. Em 1996, entrar no universo Pokémon exigia um investimento próximo de R$ 400, valor que hoje não seria suficiente para a compra de um lançamento recente da franquia. Atualmente, o custo para acompanhar a nova geração se aproxima de R$ 5 mil, o que representa um aumento nominal superior a 1.100% no período.

A diferença reflete a evolução tecnológica dos consoles e jogos, além do impacto do câmbio e da carga tributária sobre eletrônicos no Brasil.

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