‘As pessoas vão usar blockchain sem nem perceber’, diz diretor da Binance no Brasil
Thiago Sarandy afirma no São Paulo Innovation Week que a blockchain deve viabilizar maior eficiência do sistema financeiro tradicional e impulsionar operações 24/7
Painel no SPWI reuniu representantes da Binance, Solana e Banco Central para debater stablecoins, tokenização e o futuro do sistema financeiro digital. (Foto: Isabella Finholdt/Estadao)
As stablecoins têm se consolidado como a principal ponte entre o sistema financeiro tradicional e o universo cripto. Mas essa relação não deve ficar restrita apenas a essas operações. Segundo Thiago Sarandy, diretor-geral da Binance no Brasil, a rede blockchain, sistema em que são registradas todas as transações de criptomoedas, oferece a infraestrutura necessária para outras inovações disruptivas com potencial de inovar as operações dentro do mercado financeiro que vão além da modalidade de pagamento.
Uma das mudanças seria a viabilidade dos investidores liquidarem posições ou realizar investimentos fora do expediente convencional da bolsa. Para ele, a infraestrutura tradicional já precisa dessa adequação há algum tempo e a rede blockchain oferece a solução necessária para negociações 24h durante sete dias da semana.
“Se o investidor quiser tentar resgatar uma aplicação em um fundo no fim de semana, não consegue. Se compra, por exemplo, um derivativo de cripto na B3 e surge uma nova guerra fora do expediente de negociação, o investidor não consegue desmontar posição”, destacou o executivo durante o painel ‘Infraestrutura digital: do real ao on-chain’ no São Paulo Innovations Week (SPWI), maior festival global de tecnologia e inovação, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos.
No caso das stablecoins, esses ativos digitais buscam paridade de 1:1 com moedas fiduciárias, como o dólar. Como são operacionalizadas dentro da rede blockchain, as pessoas ou empresas podem realizar operações financeiras para qualquer lugar do mundo em tempo real. A possibilidade tem despertado a atenção das instituições financeiras que já estudam soluções ou produtos para finalidades que vão além do investimento. Veja os detalhes nesta reportagem.
“As pessoas vão usar blockchain sem nem perceber”, ressaltou Sarandy.
Os convidados também discutiram a regulamentação voltada a ativos digitais, divulgada em novembro do ano passado pelo Banco Central (BC). No conjunto de diretrizes definidos pela autoridade monetária, houve um enquadramento das operações com criptos que envolvam pagamentos internacionais nas regras do mercado de câmbio e capitais internacionais.
Segundo Nagel Lisânias Paulino, chefe de divisão no departamento de Regulação do Banco Central do Brasil, isso aconteceu porque o órgão identificou que o ativo digital tinha mais característica de instrumento como meio de pagamento do que como um ativo de investimentos. Por isso, ele explicou que havia uma necessidade de se ter um tratamento regulatório mais específico. “Dentro da regulação amarramos a stablecoins como uma referência a moedas fiduciárias”, esclareceu Paulino.
O painel ‘Infraestrutura digital: do real ao on-chain’ contou com a participação também de Antônio Neto, head da Latam na Solana. O encontro faz parte da programação do último dia do São Paulo Innovation Week. Desde a última quarta-feira (13), o evento reuniu mais de 2 mil palestrantes convidados no Pacaembu e na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). Entre eles estiveram especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.