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Educação Financeira

Tudo sobre ações: o que são, tipos, como investir e riscos

Entenda por que muitos investidores escolhem esse tipo de ativo e saiba quanto você precisa para comprar uma ação

Por Pedro Hallack

21/03/2020 | 18:28 Atualização: 15/04/2020 | 18:56

Investidor olha para ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Foto: Werther Santana/Estadão)
Investidor olha para ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Foto: Werther Santana/Estadão)

Ações são as menores partes do capital social de determinada empresa, também chamados de papéis. Ao comprar uma ação (negociada pela B3, a Bolsa de Valores brasileira), você se transforma em acionista da companhia: uma espécie de sócio. Se a ação se valorizar, você ganha mais.

Leia mais:
  • Análise técnica e análise fundamentalista: quais as diferenças
  • Entenda o que é Bear Market e Bull Market
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Veja mais detalhes abaixo do porquê investir no mercado de ações e como fazer isso.

O que são ações na prática?

Na prática, quando se compra uma ação, você vira dono de um pedaço da empresa, que deve ter capital aberto, e fica sujeito às oscilações que o preço desse papel encontra no mercado, tanto para o bem (no caso de valorização) quanto para o mal (desvalorização).

Você se transforma em uma espécie de sócio da companhia pela qual comprou a ação. Então, você pode se beneficiar ou sofrer com a percepção de valor que a empresa tem no mercado. Percepção essa que pode ter diversos fatores, como performance no ramo de atuação, novas aquisições, crise de imagem, influências do mercado no exterior, entre outros.

Por que investir em ações?

Investir em ações é apontado pelos especialistas como uma maneira eficiente de multiplicar o patrimônio no longo prazo, pensando em um horizonte de anos ou até décadas.

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Apesar dos solavancos e crises que o mercado acionário atravessa de tempos em tempos, ele acaba refletindo, no fundo, o crescimento das empresas com o passar dos anos, que tende a superar a evolução de outros investimentos mais conservadores.

Vencendo o medo de apostar em ações

Considerado um tema espinhoso por muitos brasileiros, que o veem como algo inalcançável e exclusivo para donos de grandes fortunas, o mercado acionário pode oferecer oportunidades interessantes para construção de patrimônio no longo prazo. 

Com a caderneta de poupança pouco atrativa e a renda fixa perdendo rentabilidade após a queda da Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, a tendência é que cada vez mais investidores busquem oportunidades na renda variável.

Como investir em ações?

O aporte não é feito diretamente pelo investidor. Para comprar ações, ele precisa abrir conta em uma corretora, que faz a ponte entre as pessoas e a Bolsa, executando as ordens de compra e venda.

A maioria das corretoras cobram taxas de corretagem para executar essas ordens, mas algumas fazem promoções bastante agressivas na busca por novos clientes, chegando até a zerar as taxas de corretagem e custódia (essa última é cobrada para manter o investimento na B3).

Tipos de ações

Na hora de aplicar seu dinheiro em ações, o investidor se depara basicamente com dois tipos de papéis: preferenciais e ordinários. 

Ações preferenciais

Ações preferenciais são aqueles que dão preferência no recebimento de lucros e dividendos da empresa em questão – as companhias costumam repassar pelo menos 25% do lucro líquido aos acionistas. Essa vantagem faz com que as ações preferenciais sejam mais líquidas na B3.

Ações ordinárias

As ações ordinárias dão direito a voto e participação nas decisões da assembleia sócios. Portanto, quem tiver uma porcentagem elevada de papéis ordinários terá poder para definir os rumos da empresa. 

Além disso, essas ações possuem um mecanismo chamado tag along, que protege os acionistas minoritários em caso de venda da companhia. O tag along obriga que o novo dono garanta a esses acionistas pelo menos 80% do valor pago por ação

  Ver essa foto no Instagram   Uma publicação compartilhada por E-Investidor (@estadaoinvestidor) em 27 de Mar, 2020 às 3:01 PDT

É caro investir em ações?

Valor mínimo para investir na Bolsa

No mercado integral, que concentra a maioria do dinheiro, o investidor compra um lote de pelo menos 100 ações por companhia. Dessa forma, um papel cotado a R$ 20, por exemplo, precisa de um investimento mínimo de R$ 2.000 no mercado integral.

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O mercado fracionário da Bolsa permite que o investidor faça aportes modestos em ações. Assim, é possível comprar cada ação individualmente, beneficiando o pequeno investidor. 

Cuidados na hora de comprar papéis

É necessário ter atenção ao comprar ações pelo mercado fracionário. Dependendo das taxas de corretagem e custódia, não faz sentido investir muito pouco em determinado papel.

Imagine que uma ação custe R$ 10 e a corretora cobre uma taxa de corretagem de R$ 15 por operação. Somando a compra e a venda, o custo com corretagem seria de R$ 30.

Assim, a ação precisaria subir pelo menos 200% para compensar apenas a corretagem, sem considerar a custódia – isenta em muitas corretoras. Ou seja, mesmo no mercado fracionário não faz muito sentido investir quantias irrisórias em ações.

Outro ponto importante: como opera em um pregão diferente, o mercado fracionário registra algumas diferenças sutis de preços, na comparação com o mercado integral. Não estranhe se o papel de uma mesma empresa estiver cotado a R$ 14,50 no integral e a R$ 14,40 no fracionário, em determinado momento.

Melhor estratégia para investir em ações

Antes de entrar nesse mundo, o investidor precisa estar ciente dos riscos existentes e ter uma estratégia bem definida na hora de aplicar seu dinheiro. 

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Para isso, é importante seguir este passo a passo:

1) Entenda como os preços das ações são definidos

Investimentos de renda variável, os papéis das companhias de capital aberto – com ações negociadas livremente na Bolsa – têm seus preços definidos a partir da interação entre compradores e vendedores no mercado acionário.

Se a demanda por determinado papel for alta, este vai se valorizar e ser vendido por um preço cada vez mais maior. Por outro lado, o valor da ação vai diminuir se o interesse em vendê-la superar a demanda. 

2) Encontre o ponto de equilíbrio

Descobrir o ponto de equilíbrio e o preço “justo” para cada ativo (conjunto de bens, valores e créditos que formam o patrimônio de uma pessoa ou empresa) é o grande desafio dos analistas e assessores de investimento, responsáveis por produzir relatórios e recomendar as melhores aplicações aos seus clientes. 

Além dos resultados contábeis disponibilizados pelas empresas, esses profissionais estudam uma série de variáveis para precificar cada ação, como gestão, governança e expectativa do mercado em relação ao futuro das companhias.

3) Aplique a análise fundamentalista

Tendo isso em vista, é necessário traçar uma estratégia clara na hora de comprar ações. Em um planejamento de longo prazo, pensando na evolução da aplicação por anos, é utilizada a análise fundamentalista, que se baseia nos fundamentos da empresa – como balanços, gestão e a situação do mercado onde ela está situada – para determinar seu “preço-alvo”.

Nesse tipo de aporte, o mais relevante não é observar a oscilação do preço e o sobe e desce natural do mercado, mas sim o comportamento da ação num intervalo de tempo mais longo, visando a valorização almejada. 

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A abordagem fundamentalista é a mais adequada para quem mira o longo prazo, seja para viver de rendimentos, usá-los como complementação da renda mensal ou formar poupança para uma aposentadoria mais saudável, sem depender apenas dos recursos da Previdência Social.

4) Considere a análise técnica (ou gráfica)

No entanto, mesmo que o investidor se encaixe nesse perfil, isso não inviabiliza aportes pontuais com outro tipo de estratégia, buscando oportunidades no curto prazo. Para esse fim é usada a análise técnica, ou gráfica, que estuda o comportamento dos preços ao longo do tempo em um gráfico, com modelos matemáticos para descobrir tendências de alta a serem aproveitadas.

5) Abandone achismos

Aqui é importante abrir um parêntese. Complexo, o investimento em ações não pode ser feito com base em achismos e modismos. Caso o investidor não tenha tempo para fazer cursos e estudar detalhadamente cada estratégia, ele pode contar com o auxílio de profissionais do mercado financeiro para alocar seu dinheiro. 

A maioria das corretoras coloca assessores de investimento à disposição dos clientes, para recomendar as melhores aplicações e estratégias, dependendo do perfil e objetivo de cada investidor.

6) Entenda seu perfil de investidor

Além de estar ciente da estratégia empregada, o investidor precisa saber se ele, de fato, se enquadra em um perfil de investidor menos conservador e mais agressivo de investimento. Afinal, a chance de obter retornos maiores na renda variável está aliada a um risco mais elevado.

É importante ter plena noção disso e saber que, assim como há chance de ganhar, sempre existe a possibilidade de perder dinheiro com ações, independentemente do quão certeiro pareça o investimento. Aceitar isso é requisito básico antes de comprar qualquer papel.

Também é preciso ter sangue frio e não se desesperar com a flutuação dos preços e o sobe e desce natural do mercado. Um perfil mais conservador, de uma pessoa que não esteja disposta a tomar risco, pode acabar atrapalhando uma boa estratégia.

Quem compra ações deve declarar no imposto de renda?

O imposto de renda é cobrado após a venda das ações e apenas em operações que registram lucro líquido – valor da venda superior ao da compra, já descontando as taxas cobradas pela corretora. 

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As operações comuns são tributadas em 15%, enquanto as de day trade (compra e venda no mesmo dia) têm uma alíquota de 20%. Contudo, vendas de até R$ 20 mil em um único mês são isentas do IR, exceto nos casos de day trade. 

Para realizar o pagamento, o investidor deve emitir um DARF e pagá-lo até o fim do mês seguinte à operação. Por outro lado, os juros sobre o capital próprio (outra forma de distribuição de lucros por parte das empresas) recebem uma mordida de 15% do leão, direto na fonte.

Se tiver dúvidas de como declarar ações no IR, veja nosso guia especial sobre.

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