Esse movimento também se refletiu na base de investidores. Segundo dados operacionais da B3, o número de investidores pessoas físicas disparou 1,25%, de 5,47 milhões em dezembro de 2025 para 5,54 milhões de CPFs únicos em janeiro, o que representa um acréscimo de 68.274 novos CPFs em apenas um mês.
Evolução mensal da base total
| Indicador |
dez/25 |
jan/26 |
Diferença |
Variação |
| CPFs únicos na B3 |
5.470.190 |
5.538.464 |
68.274 investidores |
1,25% |
Fonte: Grana Capital
O avanço de janeiro reforça uma tendência conhecida. De 2024 para 2025, a base total de investidores passou de 5.260.267 para 5.470.190, crescimento de 209.923 CPFs, alta de 4,00%. Não se trata apenas de mais contas abertas, mas de uma base que se espalha por diferentes produtos e estratégias.
Base total de investidores
| Indicador |
2024 |
2025 |
Diferença |
Variação |
| CPFs únicos na B3 |
5.260.267 |
5.470.190 |
209.923 investidores |
4,00% |
Fonte: Grana Capital
Em ações, a base cresceu 2,05%, de 3,901 milhões para 3,981 milhões de investidores, um acréscimo de 80 mil. O ritmo foi menor do que o observado em 2024, quando a alta havia sido de 5,3% frente a 2023. Nos últimos dois anos, o número de investidores em ações saiu de 3,704 milhões em 2023 para 3,901 milhões em 2024 e chegou a 3,981 milhões em 2025.
Nos fundos de investimento imobiliário (FIIs), o crescimento foi significativo. A base avançou 6,39%, de 2,785 milhões para 2,963 milhões de investidores, alta de 178 mil. “O patrimônio de fundos imobiliários em custódia na B3 evoluiu 16%, de R$ 167 bilhões em 2024 para R$ 194 bilhões em 2025”, afirmou André Kelmanson, CEO da Grana Capital. No mesmo período, o Índice de Fundos de Investimentos (IFIX) subiu 21,15%, de 3.116,28 pontos para 3.775,31 pontos.
Já os ETFs, fundos negociados em bolsa que replicam índices como o Ibovespa ou carteiras internacionais, registraram expansão de 23,89%, passando de 586 mil para 726 mil investidores, aumento de 140 mil. Em sentido oposto, os BDRs, recibos que permitem investir em empresas estrangeiras listadas no exterior, recuaram 5,40%, para 750,4 mil investidores, redução de 42,9 mil. Os Fiagros, ligados ao agronegócio, cresceram 2,20%, alcançando 561,4 mil investidores.
Base por produto: 2024 x 2025
| Produto |
2024 |
2025 |
Diferença |
Variação |
| Ações |
3,901 milhões |
3,981 milhões |
80 mil investidores |
2,05% |
| Fundos Imobiliários |
2,785 milhões |
2,963 milhões |
178 mil investidores |
6,39% |
| BDRs |
793,3 mil |
750,4 mil |
(42,9 mil investidores) |
-5,40% |
| ETFs |
586 mil |
726 mil |
140 mil investidores |
23,89% |
| Fiagros |
549,3 mil |
561,4 mil |
12,1 mil investidores |
2,20% |
| CPFs únicos na B3 |
5.260.267 |
5.470.190 |
209.923 investidores |
4,00% |
Fonte: Grana Capital
Para Kelmanson, a alta de 33,95% do Ibovespa em 2025, sozinha, não foi suficiente para ampliar de forma significativa a base de investidores em ações. “Mas a disparada da bolsa em janeiro (+12,56%) chamou a atenção da pessoa física”, disse.
Entre as ações mais presentes nas carteiras de investidores, aparecem nomes conhecidos. Banco do Brasil (BBAS3) soma 67.742 carteiras, Petrobras (PETR4) está em 49.701, BB Seguridade (BBSE3) em 42.489 e Itaúsa (ITSA4) em 41.634. Em termos de desempenho em 2025, os resultados foram mistos: ITSA4 subiu 34,56%, Vale (VALE3) avançou 32,65% e Sanepar (SAPR4) teve alta de 41,08%, enquanto PETR4 recuou 16,18% e Klabin (KLBN11) caiu 18,54%.
Nos fundos imobiliários mais presentes nas carteiras, a combinação de valorização e dividendos ajuda a explicar o apetite. O CPTS11 saiu de R$ 6,21 para R$ 8,17 em 12 meses, rentabilidade de 31,56%, com dividendos de R$ 1,03 por cota e dividend yield de 12,58%. O KNCR11 distribuiu R$ 15,73 por cota no período, com yield de 14,71%. Outros nomes recorrentes são XPLG11, VISC11, XPML11 e MXRF11.
FIIs mais presentes nas carteiras (12 meses até 30/01/2026)
| Ticker |
Valor 31/01/25 |
Valor 30/01/26 |
Rentab. 12m |
Dividendos (R$/cota) |
DY 12m |
| CPTS11 |
6,21 |
8,17 |
31,56% |
1,03 |
12,58% |
| XPLG11 |
91,15 |
103,99 |
14,09% |
10,66 |
10,25% |
| VISC11 |
95,98 |
109,30 |
13,88% |
10,51 |
9,62% |
| XPML11 |
97,50 |
110,75 |
13,59% |
11,04 |
9,97% |
| KNCR11 |
102,00 |
106,95 |
4,85% |
15,73 |
14,71% |
Fonte: Grana Capital
Por grande parte dos investidores, o último mês de janeiro pode ser interpretado de duas maneiras. O primeiro é que a Bolsa de Valores voltou a atrair fluxo relevante, inclusive estrangeiro, em um cenário de inflação sob controle e possível virada nos juros. O segundo é que o investidor brasileiro está mais diversificado e menos dependente de um único produto.