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Investimentos

Ata do Copom baixa dólar e juros, mas desconfiança permanece e beneficia renda fixa

Renda fixa continua atrapalhando a renda variável, dado o cenário de maior incerteza e juros mais altos por mais tempo

Por Leo Guimarães

15/05/2024 | 10:15 Atualização: 15/05/2024 | 10:57

Prédio do Banco Central, onde o Copom se reúne para decidir sobre os juros  (Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil)
Prédio do Banco Central, onde o Copom se reúne para decidir sobre os juros (Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil)

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), publicada nesta terça (14), teve um leve impacto positivo na abertura do mercado de câmbio e de renda fixa, com redução do dólar e dos juros longos. Apesar disso, a desconfiança em relação à futura diretora do BC ainda estimula um quadro de aversão a risco e estímulo à renda fixa. Na semana passada a autoridade monetária reduziu os juros de 10,75% ao ano para 10,50%.

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Começando pela avaliação positiva, “na renda fixa, os vencimentos mais longos fechando indicam melhora na percepção de risco”, avalia a chefe de economia da Rico, Rachel de Sá. Na sua avaliação, apesar do dissenso da última reunião (cinco diretores votaram pelo corte de 0,25 ponto e quatro pelo corte de 0,50 ponto), a ata conseguiu trazer a mensagem que todos concordam com uma política monetária mais restritiva, para trazer a inflação para a meta. “A ata veio mais ou menos em linha com o esperado e, se houver impacto, será positivo, embora limitado porque estamos em temporada de balanços” comentou a especialista.

  • Confira: Como ficam os investimentos com a taxa Selic em 10,50% ao ano

Apesar da leitura positiva de Rachel, nem todos os agentes acreditam que o documento do BC conseguiu colocar panos quentes nas divergências internas da instituição. Por isso, uma parte ainda considera que a renda fixa é a melhor proteção.

“O esforço de explicação quanto a divergência não nos parece ser suficiente para reduzir o aumento da incerteza no mercado, com o risco de uma composição do Banco Central mais dovish (termo que indica redução da taxa de juros para aquecer a economia) a partir de 2025″, diz Leonardo Costa, economista da Asa Investments. A declaração sugere preocupação do mercado em relação à perspectiva de um Banco Central mais leniente com juros em 2025, ano em que começa a gestão da diretoria indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na incerteza, renda fixa

Com isso, a renda fixa continua atrapalhando a renda variável, dado o cenário de maior incerteza e juros mais altos por mais tempo. “Na renda fixa, todos os indícios mostram os juros mais altos por mais tempo. A preocupação é a inflexão da política monetária do ano que vem, trazendo cortes mais profundos nos juros, sem que a questão monetária esteja bem equacionada”, comenta Mario Goulart, sócio fundador e analista chefe da Minha Gestora e do Canal do Analisto no YouTube.

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Goulart tem preocupações sobre o diretor de Política Monetária do BC, Gabriel Galípolo. O aliado do ministro da Fazenda Fernando Haddad é nome mais cotado para substituir Roberto Campos Neto na presidência da autoridade monetária no final do ano.

Apesar de contraintuitiva, uma decisão por corte de juros que seja entendida como forçada tende a aumentar os juros negociados no mercado. Os agentes econômicos avaliam que o governo não vem entregando um controle fiscal adequado enquanto o cenário de juros altos nos EUA pressiona o dólar que reflete na inflação. Dessa forma, o mercado passa a entender que é necessário cobrar mais juros para emprestar para o governo manter o crescimento de gastos, abrindo a curva de juros futuros.

  • Saiba mais: Como o “IPCA + 6%” pode encurtar o caminho até o primeiro R$ 1 milhão

“Diante desse cenário, consigo ver um Brasil (no horizonte de 12 a 18 meses) com uma taxa Selic próxima de 9,5% ao ano e uma inflação rodando mais perto de 4%, 4,5%”, diz Fabiano Zimmermann, gestor da família de fundos ASA Alpha. “Isso sugere uma performance melhor dos ativos atrelados a inflação (Tesouro IPCA ou fundos de investimento com que seguem o índice IMA-B, por exemplo) além dessa alocação funcionar bem como hedge (proteção) para esse BC mais dovish”, comenta.

O IMA-B é um índice que acompanha o desempenho de uma carteira de títulos públicos brasileiros indexados à inflação (IPCA). É usado como referência para investimentos em renda fixa. Dessa forma, o gestor está dizendo que fundos de renda fixa funcionam como uma proteção (hedge) à tendência do BC a adotar uma política monetária estimulante que favoreceria taxas de juros mais baixas em 2025.

A polêmica sobre o dissenso no BC se instalou na última decisão do Copom, na semana passada, que reduziu o ritmo de cortes da Selic para 0,25 ponto porcentual, de 10,75% a.a para 10,50% a.a. Todos os diretores que foram indicados pelo governo Lula votaram por uma redução maior, de 0,5 ponto porcentual. Com isso, o mercado ligou o alerta em relação ao risco de a política partidária ter influência sobre o ritmo da política monetária.

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