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Investimentos

Crise na Venezuela, petróleo no radar e defesa em alta: por que o BTG mantém compra da Embraer

Relatórios do BTG Pactual conectam tensão geopolítica, crise venezuelana e avanço do setor de defesa para sustentar a recomendação de compra das ações da Embraer

Por Isabela Ortiz

07/01/2026 | 12:30 Atualização: 07/01/2026 | 12:47

Tensões geopolíticas e aumento dos gastos militares reforçam a tese de investimento do BTG para a companhia brasileira Embraer (Foto: Adobe Stock)
Tensões geopolíticas e aumento dos gastos militares reforçam a tese de investimento do BTG para a companhia brasileira Embraer (Foto: Adobe Stock)

A combinação entre um cenário geopolítico mais tenso na América Latina, o petróleo novamente no radar dos investidores e a aceleração do segmento de defesa ajuda a explicar por que o BTG Pactual segue confiante na tese de investimento da Embraer (EMBJ3). Em relatórios divulgados nesta quarta-feira (7), o banco costura esses vetores (macro e micro) para sustentar a recomendação de compra das ações da fabricante brasileira de aeronaves, mesmo diante de desafios pontuais na aviação comercial.

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A conexão entre petróleo e Embraer passa menos pelo barril em si e mais pelo efeito dominó que o petróleo provoca na geopolítica. Esse aumento de tensão leva governos a reforçar gastos militares e de segurança, beneficiando o setor de defesa. É nesse ponto que a Embraer entra, com aeronaves como o Super Tucano e o KC-390 ganhando relevância. Para o BTG, enquanto o petróleo reage de forma contida, a defesa se fortalece e sustenta a tese de compra da empresa.

No relatório dedicado à companhia, o banco avalia que a Embraer encerrou 2025 com uma execução operacional sólida. A empresa entregou 233 aeronaves no ano, dentro do guidance (projeção oficial sobre resultados futuros) divulgado ao mercado.

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Foram 155 jatos executivos, exatamente no topo da faixa estimada, e 78 aeronaves comerciais, número próximo ao limite inferior da meta.

“Apesar dos ventos contrários na cadeia de suprimentos, especialmente relacionados à Pratt & Whitney, o desempenho geral ficou em linha com o plano de voo”, resume o banco.

O 4T25 da Embraer

O quarto trimestre reforçou essa leitura. Entre outubro e dezembro de 2025, a Embraer entregou 91 aeronaves (32 comerciais, 53 executivas e 6 de defesa). O destaque ficou novamente para a aviação executiva, que superou as expectativas dos analistas.

Segundo o BTG, esse segmento entregou 53 jatos no período, bem acima da estimativa inicial de 47 unidades, confirmando um crescimento anual de 19% frente a 2024.

Esse desempenho mais forte em jatos executivos foi crucial para compensar as dificuldades enfrentadas na aviação comercial.

Gargalos na cadeia de suprimentos, sobretudo ligados aos motores GTF da Pratt & Whitney, limitaram uma aceleração maior das entregas do E2. Ainda assim, o banco avalia que o impacto foi gerenciável e não comprometeu a geração de caixa da companhia.

Defesa vs petróleo: entenda como a Embraer se beneficia

É justamente a geração robusta de caixa, somada a um contexto externo mais favorável ao segmento de defesa, que sustenta a visão construtiva do BTG.

“O fluxo de notícias positivo vindo da área de Defesa e Segurança cria ventos favoráveis adicionais para a tese de investimento”, apontam os analistas.

Nesse contexto, o banco reiterou a recomendação de compra (Buy) para a Embraer, com preço-alvo de US$ 79 para os ADRs (American Depositary Receipt, ação que pode ser comprada nas bolsas internacionais) por negociados em Nova York, calculado a partir de um modelo de fluxo de caixa descontado.

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O pano de fundo geopolítico ganha relevância quando se observa o segundo relatório do BTG, focado em petróleo e gás. Nele, o banco detalha os desdobramentos da crise na Venezuela, marcada por operações dos Estados Unidos, bloqueios navais, novas sanções e queda acentuada da produção petrolífera do país. A produção venezuelana recuou de cerca de 820 mil barris por dia no fim de 2025 para algo próximo de 600 mil barris no início de 2026.

Impacto do petróleo no mercado global

Apesar disso, o impacto no mercado global de petróleo foi descrito como contido. O BTG avalia que a Venezuela hoje representa um risco marginal de oferta, e não sistêmico, em um mercado global bem suprido. O Brent, por exemplo, chegou a registrar leve queda e era negociado ao redor de US$ 61,5 o barril, refletindo mais o excesso estrutural de oferta previsto para 2026 do que o choque venezuelano.

Já no setor de defesa, o efeito foi bem diferente. As tensões regionais e as operações norte-americanas funcionaram como um catalisador para empresas ligadas à segurança e à indústria militar. No caso da Embraer, esse ambiente reforçou a percepção de valor do seu portfólio de defesa, que inclui o A-29 Super Tucano e o cargueiro militar KC-390.

No quarto trimestre, a companhia entregou quatro Super Tucanos e dois KC-390, em um momento em que o interesse global por equipamentos militares se intensificava.

Comportamento das ações da Embraer

O reflexo no mercado foi imediato. As ações da Embraer chegaram a subir cerca de 7% nos últimos dias, acompanhando a valorização global do setor de defesa. Para o BTG, esse movimento não foi apenas conjuntural, mas um sinal de que a empresa está bem posicionada para capturar contratos e oportunidades em um ambiente internacional mais instável.

Outro ponto destacado pelo banco é o valuation (valor de mercado de uma empresa). Mesmo após a recente valorização, a Embraer segue negociando com desconto relevante em relação a seus pares globais do setor aeroespacial e de defesa.

“A combinação entre execução operacional consistente, geração de caixa forte e exposição a um segmento defensivo em alta torna a ação atrativa para o início de 2026”, avalia o relatório.

O BTG constrói uma narrativa clara: a crise na Venezuela tem impacto limitado sobre o petróleo global, mas atua como um gatilho importante para o setor de defesa. Nesse ambiente, a Embraer aparece como uma beneficiária direta, com entregas robustas, portfólio estratégico e valuation ainda descontado. É esse conjunto de fatores (petróleo no radar, defesa em alta e fundamentos sólidos) que explica por que o banco mantém a recomendação de compra para a companhia brasileira.

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