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Investimentos

Para onde vão as taxas de CRIs, CRAs e debêntures após governo mudar regra?

Alteração já impactou a oferta e demanda por alguns papéis em fevereiro. Entenda as mudanças provocadas pela medida

Por Isaac de Oliveira

07/03/2024 | 3:00 Atualização: 07/03/2024 | 7:25

 (Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

O mês de fevereiro foi marcado por mudanças de regras na emissão de títulos de renda fixa com isenção de Imposto de Renda (IR). O governo federal, via Conselho Monetário Nacional (CMN), estabeleceu novas diretrizes na criação de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Certificados de Recebíveis Agrícolas ou Imobiliários (CRA e CRI) e a Letra Imobiliária Garantida (LIG). O impacto foi imediato em alguns desses papéis, como os atrelados ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI, principal parâmetro para avaliar rendimentos dos investimentos).

Leia mais:
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“Foi possível notar uma redução no volume de emissões de CRIs e CRAs, o que elevou a demanda pelas debêntures incentivadas, as quais permanecem com isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas”, observa Malu Nepomuceno, analista de renda fixa da Nord Research. Para ela, os ativos atrelados ao CDI foram melhores que os ativos atrelados ao IPCA+ por conta de um maior fechamento de spread, que é diferença de preço na compra e venda no mercado no mercado secundário.

  • Renda fixa: com a Selic em queda, onde estão os melhores prefixados?

Sharon Halpern, sócia e private banker da Blackbird Investimentos, aponta que as diferenças de preço das debêntures atreladas ao CDI permaneceram próximas à estabilidade na semana do dia 19. Já o prêmio das debêntures de infraestrutura IPCA+ tiveram uma queda considerável após a implementação da nova Resolução do CMN, por conta do crescimento acima da média na procura por papéis isentos.

“O volume médio diário de transações em debêntures não incentivadas atingiu R$ 711 milhões (em comparação com R$ 501 milhões na semana anterior), enquanto as debêntures incentivadas totalizaram R$ 461 milhões (contra R$ 515 milhões anteriormente)”, detalha Halpern. “Os volumes para CRIs e CRAs atingiram R$ 164 milhões (em comparação com R$ 131 milhões) e R$ 294 milhões (em comparação com R$ 214 milhões), respectivamente.”

As expectativas para as taxas em março

Vinicius Romano, especialista em renda fixa da Suno Research, entende que a tendência permanece de queda para as taxas do crédito privado, mas em ritmo mais lento. Neste mês, o Banco Central (BC), por meio do Comitê de Política Monetária (Copom), deverá fazer mais um ajuste na Selic, possivelmente de mais uma queda, conforme consenso do mercado. Embora a redução afete a rentabilidade dos títulos, Romano entende que este corte e os próximos já estão precificados pelo mercado e, portanto, não devem provocar tanto estresse na curva de juros.

  • Confira ainda: Selic em queda favorece título de renda fixa que entrega até 20% de retorno

“Não há grandes novidades quanto a isso (corte da Selic). O que pode mudar é se o Copom trouxer algum ponto que seja uma novidade no comunicado. Um fator como esse pode pressionar a taxa mais para baixo ou para cima”, diz Romano.

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Para sócia da Blackbird, as taxas de CRAs e CRIs vão continuar caindo, influenciadas pela menor oferta no mercado – Nepomuceno concorda. Para a analista da Nord, as taxas de emissões desses papéis seguirão reduzidas até que o mercado encontre um novo equilíbrio. Assim, a melhor perspectiva, para ela, segue para os ativos atrelados ao CDI.

O analista da Suno avalia que a procura pelas debêntures incentivadas deverá seguir em ritmo acelerado, com investidores pessoa física buscando o benefício da isenção de IR. “Se considerar fevereiro, quando o CMN implementou a regra nova, esses ativos tiveram uma procura muito grande. Os investidores estão vendo que os ativos isentos não vão existir mais em grande volume no mercado e estão buscando as debêntures incentivadas. É uma classe que deve continuar performando bem”, diz Romano.

Mudança no cenário do crédito privado

A visão otimista para as debentures é compartilhada pela equipe da Legacy Capital, que se disse animada com o crescimento dessa classe de ativos em 2024. Durante webinar realizado na última terça-feira (5), Ricardo Ara, sócio e analista do setor de crédito da gestora, destacou que após empresas como Light (LIGT3) e Americanas (AMER3) pedirem recuperação judicial, o mercado de crédito passou por um momento de estresse em 2023, com as companhias voltando a captar recursos via follow-on (oferta subsequente, quando há emissão de novos ativos). Hoje, o cenário tem mudado.

  • Entenda: O que o estrago da Americanas causou no mercado de debêntures 1 ano depois

Com o novo arcabouço regulatório, estabelecido pelo CMN, a empresa entende que aumentou o espaço para o mercado de crédito, com maior maior visibilidade para as debêntures incentivadas como alternativa aos CRIs e aos CRAs. “Estimamos que cerca de 50% dos R$ 84 bilhões de emissões de CRIs e CRAs feitas em 2023 não seria elegível na nova regra”, avalia Leonardo Ono, gestor de crédito da Legacy.

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