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Investimentos

É melhor investir no Tesouro Selic 2026 ou 2029? Entenda

Especialistas explicam o que levar em consideração quando for investir no Tesouro Selic

Por Daniel Aloisio, especial para o E-Investidor

27/10/2023 | 3:00 Atualização: 27/10/2023 | 9:23

Dinheiro em espécie. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
Dinheiro em espécie. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Seja para criar uma reserva de emergência ou para investir em títulos do governo e ter a liberdade de resgatar o dinheiro a qualquer momento, o Tesouro Selic surge como uma das opções mais indicadas para os investidores, sendo eles principiantes ou experientes.

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Mas na hora de escolher este ativo do Tesouro Direto, duas opções vão disputar a atenção do investidor. A primeira com vencimento em 2026 e rentabilidade de 12,75% da taxa Selic mais prêmio de 0,0286%. A outra alternativa tem vencimento em 2029 e rentabilidade levemente maior do que a primeira opção: 12,75% da taxa Selic mais 0,1645% – valores desta quinta-feira (26).

E agora, o que levar em consideração nesta decisão?

  • O que é mais vantajoso: investir em CDB ou Tesouro Selic? 

Para os especialistas ouvidos pelo E-investidor, não há um consenso de qual é a melhor opção. Enquanto alguns defendem que a decisão deve levar em consideração o perfil e os objetivos do investidor, há quem sustente não existir vantagens no título de 2026, o de menor rendimento.

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“Não há muita vantagem de se investir no título de 2026, já que o risco de crédito é o mesmo (soberano) e ambos têm liquidez diária”, defende a analista da Empiricus Research, Laís Costa. O risco de crédito diz respeito ao perigo do emissor não pagar o rendimento. “Nesse caso, como o governo é o emissor, o risco é soberano, ou seja, só ocorre se o governo federal quebrar. Tanto o Tesouro Selic 2026 quanto o 2029 são emitidos pelo governo. Então, não tem diferença nesse sentido”, afirma.

Já a liquidez diária consiste na capacidade de resgatar o dinheiro investido em qualquer dia útil. No Tesouro Selic, a chance de perda é mínima mesmo se houver um resgate antecipado. “Isso porque o valor do título passa por correção pela Selic diariamente e nunca tivemos uma Selic negativa”, destaca.

Outra semelhança entre os títulos está na incidência de taxas e impostos sobre o rendimento. Em casos pontuais, há ainda o chamado ágio (valor adicional) e deságio (valor inferior) do título. O ágio acontece quando o preço de um título no momento da sua venda está superior ao valor inicial de aquisição. O deságio é o contrário.

No entanto, o próprio Tesouro Direto afirma que as variações da taxa fixa do Tesouro Selic não são frequentes e têm uma volatilidade menor que a dos demais títulos, como o Prefixado e o IPCA+.

Quem é o mais volátil: Tesouro Selic 2026 ou 2029?

O head de Renda Fixa da Manchester Investimentos, Rafael Sueishi, explicou que os títulos Selic de vencimento em 2026 e 2029 têm volatilidades diferentes entre si. “A chance de ter uma perda é maior no 2029 do que no 2026. Por isso, têm rendimentos diferentes. O que tem maior volatilidade tem que pagar um prêmio maior”, argumenta.

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Para Sueishi, ao escolher em qual título do Tesouro Selic colocar seu dinheiro, o investidor deve ter em mente que quanto mais longo um título na renda fixa, maior a sensibilidade do preço dele em relação a uma variação da taxa fixa. “Eu já vi vários investidores, principalmente em Tesouro Selic mais longos, tendo perdas, tendo deságio na saída”, revela.

  • Leia também: Esta renda fixa bate todos os investimentos e fundos já correm para ela

Economista da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Marcelo Cidade explicou em que momentos essa volatilidade pode ser maior. “Os títulos do governo são muitos sensíveis à conjuntura econômica e política. Agora você tem a guerra lá fora, ameaças de aumento no preço do petróleo, tem a questão fiscal aqui no Brasil e nos Estados Unidos. São fatores que muitas vezes influenciam o comportamento dos títulos num determinado momento”, apontou.

Cidade argumenta que não existe uma opção melhor ou pior entre o Tesouro Selic 2026 e 2029. Vai depender dos objetivos do investidor. “Depende do que ele quer fazer com o dinheiro, em quanto tempo ele quer resgatar, se ele quer abrir mão da liquidez e se ele sabe do risco de perdas caso tenha que resgatar antes do previsto”, afirma.

Qual o mais indicado?

Para reservas de emergência, Cidade avalia o Tesouro Selic 2026 como o mais indicado. “Se tiver que resgatar, numa situação de emergência, resgate o de vencimento menor que geralmente a volatilidade é menor”, disse. Já o Tesouro Selic 2029 é mais recomendado, pelo especialista, a quem quer deixar o dinheiro guardado por mais tempo.

Já Laís Costa recomenda o Tesouro Selic 2029 para todos os perfis de investidores. “Além da reserva de emergência, esse título deve compor em menor ou maior medida o portfólio de renda fixa do investidor, dado a sua baixa volatilidade e alta liquidez. Entre os dois vencimentos, eu focaria no mais longo para todos os perfis também”, recomendou.

Rafael Sueishi concorda que todos devem ter esse título, mas afirma que a escolha entre os de vencimento em 2026 ou 2029 pode ter como base o perfil do investidor. “Quanto mais conservador, melhor atuar no mais curto. Se for de perfil moderado, pode se expor num título mais longo. Por mais que existam pequenas chances de perder, o 2029 tem mais chances e é mais volátil”, considera.

Tesouro Selic: quando não é indicado, independente do vencimento?

Para Sueishi, quando um investidor faz um aporte buscando uma rentabilidade mais agressiva, o Tesouro Selic não representa a melhor indicação. “Dado que é um título de baixíssimo risco, não vai ter prêmio adicional relevante em relação a outros tipos de investimento”, diz. Já Laís lembra que é um título menos indicado em situações em que se acredita que o Banco Central (BC) vai cortar juros.

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“Nesse cenário, é mais rentável ter títulos prefixados ou indexados à inflação, dependendo de diversas variáveis macroeconômicas”, afirma. Contudo, a especialista reforçou que não existe uma contraindicação para o Tesouro Selic. “O ideal é fazer um aumento tático de um título em detrimento de outro. No longo prazo, a maior parte do retorno do investidor está atrelado à alocação entre classes e não desses ajustes de curto prazo”, ressalta.

  • Saiba mais: Vale a pena investir em ativos de renda fixa pouco conhecidos como LC e LF?

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