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Investimentos

Exposição a risco deve aumentar caso Selic tenha novo corte

Copom se reúne nesta terça e quarta-feira para definir os rumos da taxa básica juros, atualmente em 2,25% ao ano

Por Isaac de Oliveira

03/08/2020 | 21:18 Atualização: 30/12/2020 | 10:20

(Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
(Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), volta a se reunir nesta terça-feira (4) e quarta-feira (5), e a expectativa de economistas e analistas do mercado financeiro é de que a Selic sofra mais um reajuste para baixo, de 0,25 ponto percentual, chegando a 2% ao ano. Se confirmada, a redução deve aumentar a tendência de exposição a investimentos de risco, uma vez que o retorno da renda fixa, mais segura, fica cada vez menos atrativo quando descontada a inflação.

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“O mercado está prevendo esse corte [de 0,25 ponto percentual] muito em linha com o que o BC fez nos últimos meses”, introduz Juliana Inhasz, professora de Economia do Insper.

A perspectiva de retomada econômica, ainda que tímida, permite um pequeno corte residual, o que, na avaliação de Inhasz, deve encerrar o ciclo de redução da taxa básica em 2020, uma vez que “existem algumas pressões que podem atrapalhar ou preocupar o BC [de continuar cortando a Selic], como a volatilidade grande na bolsa de valores e a taxa de câmbio elevada”.

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Conforme o Relatório de Mercado Focus, a previsão para a economia em 2020 passou de retração de 5,77% para queda de 5,66%. Há quatro semanas, a estimativa era de baixa de 6,50%. Para o próximo ano, o mercado financeiro manteve a previsão do Produto Interno Bruto (PIB) de alta de 3,50%. Quatro semanas atrás, estava no mesmo patamar.

Quando reduz os juros, o BC tenta fomentar, por consequência, o consumo da população. Mas a economista e pró-reitora nacional de pesquisa da ESPM, Cristina Pinto de Mello, considera a redução um mecanismo “frágil”, já que a efetividade na última ponta, ou seja, nas pessoas, é pouco sentida.

“Não há um cenário de demanda, que favorece o crescimento de preços, mas sim um momento em que os custos pressionam os preços de oferta. Ou seja, não conseguimos atender o mesmo número de pessoas de antes com o mesmo custo fixo”, exemplifica Mello.

Inhasz concorda sobre a pouca efetividade dos cortes. Para ela, o cenário de desemprego, reflexo da pandemia de coronavírus na economia do País, atrapalha a tomada de crédito. “Para quem não tem renda, não adianta ter a taxa baixa se não vai ter como ter crédito. E se pegar o crédito, não vai ter como pagar. Então a taxa é baixa na teoria”, observa a professora do Insper.

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Ainda que aponte a pouca efetividade, Inhasz reconhece que a medida traz algum ganho para sociedade, na medida em que o governo tenta diminuir o déficit do País, fortemente impactado pela crise sanitária. “Não resolve o problema, mas dá um fôlego. O que teria invertido a situação era ter acelerado as reformas”, opina Inhasz.

Como os juros baixos devem impactar os investimentos?

O cenário de juros baixos deve continuar levando investidores para opções de risco. A constatação é de analistas do mercado, que destacam a forte tendência de migração de ativos, iniciada já em cortes anteriores, que culminaram nos atuais 2,25% ao ano.

Para o superintendente de produtos da Ágora Investimentos, Felipe Peixinho, a procura por renda variável deve permanecer mesmo se os juros voltarem a subir. “A tendência é de maior conhecimento sobre os ativos financeiros, as alternativas que existem. E assim o investidor vai se educando cada vez mais. É uma tendência natural”, analisa Peixinho.

A economista Paloma Brum, da Toro Investimentos, salienta que o baixo patamar leva a uma perda de poder de compra, em opções de investimento como a poupança ou Tesouro, que, descontando o piso da meta da inflação do ano, resulta em rentabilidade negativa. E com uma nova redução, o impacto esperado é ainda pior.

A economista mostra que, considerando a Selic a 2,25% ao ano, a poupança oferece um retorno de 1,575% ao ano. Contudo, após descontar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado para medir a inflação, e tendo em vista o piso da meta de inflação em 2,5% ao ano, a poupança apresentaria rentabilidade real de -0,90% ao ano.

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“Um recurso de R$10 mil, aplicado por 12 meses na caderneta de poupança, levaria a um valor final de R$9.910,00 (corrigido pela inflação). Isto é, o poupador perderia R$ 90 em poder de compra”, facilita Brum.

O investidor precisa ter em mente que isso não significa que haverá um desconto sobre a sua aplicação. Ao final de um ano, por exemplo, ele terá em sua conta a quantia inicial mais o que rendeu no período. Contudo, se ele descontar desse valor a inflação real, o quanto os produtos aumentaram de preço, é como se o seu dinheiro estivesse valendo menos.

“Nominalmente, as pessoas ainda recebem algo a mais do que investiram. Mas, em termos reais, podem estar perdendo. À medida que as elas percebam a inflação corroendo os juros nominais e parte do capital aplicado, a tendência é que busquem investimentos com maior potencial de ganho”, reconhece a economista da Toro.

Como investir com a Selic mais baixa?

Felipe Peixinho, da Ágora, explica que a renda fixa ainda deverá ser bastante utilizada como opção segura para as reservas de emergência dos brasileiros, sobretudo os títulos públicos. Já para quem busca retornos mais atrativos, ele esclarece que é preciso, antes, analisar o perfil de cada investidor.

Para os perfis mais conservadores, que não aceitam o risco de perda, Peixinho lembra que é possível obter ganhos com diversificação de risco na própria renda fixa, investindo em opções de crédito privado ou isentas de Imposto de Renda. O retorno, porém, não é expressivo. “LCIs, LCAs, CRAs, CRIs, debêntures incentivadas. No mundo de renda fixa, esses vêm ganhando cada vez mais espaço”, exemplifica Peixinho.

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A partir do perfil moderado, já é possível a indicação de renda variável, investindo em ações de empresas. De fato, a bolsa de valores brasileira está ganhando cada vez mais investidores pessoa física, mesmo em meio à crise. Porém, neste caso, é preciso atenção aos riscos. Por isso, uma boa alternativa para esses investidores menos experientes são os fundos, que contam com uma gestão profissional.

“Eles são veículos muito bons para pessoas mais leigas, que não acompanham tanto o mercado financeiro. Principalmente os fundos multimercados, porque você tem riscos diversos, desde o mais baixo ao mais alto”, recomenda o superintendente de produtos da Ágora.

Assim como os fundos, Peixinho também recomenda para perfis de risco a partir do moderado os Certificado de Operações Estruturadas (COE). Essa opção tem alto potencial de valorização e proteção do capital 100% garantido no final da operação, caso a estratégia adotada não obtenha êxito. Mas essa alternativa não tem liquidez. O período mínimo no investimento pode variar de uma estratégia para outra, mas, em média, dura pelo menos de dois a três anos.

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