Os números foram levantados em um relatório da MZ Consult a partir do banco de dados da B3 e dos sites dos próprios fundos. Com diferentes informações, o documento é um tipo de raio-X dos FIIs, especialmente direcionado para profissionais de Relação com Investidores (RI) e interessados em geral. O estudo levou em conta a performance de 374 fundos de investimentos imobiliários até 22 de outubro deste ano.
O KNSC11 é o único emitido em 2020 com salto positivo, uma alta de 3,7%. Entre os ofertados neste ano, o XPCI11 cresceu 5,1%, seguido pelo KNSC11 (3,7%) e o RBRR11, que tem valorização de 2,8%. Todos são voltados a alocação em crédito imobiliário.
Segundo Cássio Rufino, sócio da MZ, o desempenho negativo observado no levantamento é reflexo da fuga de risco entre os investidores no cenário nacional atual, marcado por instabilidade.
Como exemplo, ele cita a quedas do Ibovespa, principal índice de ações, com queda anual acumulada em 13,11% e o próprio IFIX, indicador base do mercado imobiliário da B3, com recuo de 7,48% em 2021.
Além do baixo número de fundos com retorno positivo, o valor total das ofertas deste ano também foi menor. Enquanto os valores levantados pelos fundos em 2021 somaram R$ 6,7 bilhões, em 2020 o total arrecadado foi de R$ 7,4 bilhões.
Para a MZ, um dos destaques da avaliação é a maior preocupação com os investidores classificados como pessoa física. Rufino explica que a maior procura de dados e informações de investidores individuais por equipes de RI foi a motivação do relatório, feito pela primeira vez.
Os números do boletim de setembro de FIIs do B3, o mais recente disponível, apontam que os investidores pessoa física são 1,47 milhão, responsáveis por 72,8% de posição em custódia e 63,1% em volume negociado.
Para alcançar esse grupo expressivo, gestoras de fundos buscam oferecer informações mais direcionadas e com fácil acesso. Segundo a consultoria, 50,8% dos fundos reportam os desempenhos por meio de Relatório Gerencial próprio e diferenciado. Pouco mais de um terço, 37,4%, divulgam em formulários padronizados.
Além disso, foi identificado que 18,2% possuem sites próprios, enquanto 57% dos fundos analisados possuem informações disponibilizadas no site de sua gestora. O oferecimento dos dados de forma mais direcionada funciona, segundo o representante da consultoria, como uma forma estratégica de alcançar investidores em meio a disputa de tantas opções disponíveis no mercado.
Por conta disso, a divulgação de informações direcionadas aos interessados aumenta. “A qualidade da informação que chega aos gestores e profissionais de relações com investidores setor é cada vez mais relevante. Tecnologia e inovação têm sido fundamentais para essa análise estratégica”, avalia Rufino.
Gestoras
Ainda de acordo com a pesquisa, o BTG Pactual é o maior gestor dos ativos, sendo responsável por 9,4% dos 374 fundos. Rio Bravo e BRL figuram empatados na segunda posição com 6,7% dos FIIs. Hedge Investiments detém 3,7% e RB Capital e Oliveira Trust possuem, cada um 3,2% dos fundos.