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Investimentos

Resiliente na crise, e-commerce brasileiro atrai atenção de investidor estrangeiro

Comércio eletrônico se saiu bem na crise, mas interesse de fora depende de outros fatores como economia e infraestrutura

Por Isaac de Oliveira

29/06/2020 | 19:03 Atualização: 30/06/2020 | 9:22

O Procon-SP destacou ainda relatos de vendas feitas por sites falsos ou perfis de redes sociais falsos. (Foto: Pixabay)
O Procon-SP destacou ainda relatos de vendas feitas por sites falsos ou perfis de redes sociais falsos. (Foto: Pixabay)

O e-commerce foi um dos setores que conseguiram crescer durante a pandemia de covid-19, nadando contra a maré de dificuldades impostas pela crise sanitária. De pequenos negócios a gigantes do varejo, as empresas precisaram concentrar esforços no comércio eletrônico, uma vez que em diversas cidades as lojas físicas precisaram fechar para conter a propagação do coronavírus. A expectativa de quem acompanha o setor é de que o crescimento se mantenha no pós-pandemia, o que pode atrair investidores de fora do País.

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A aceleração do crescimento nas receitas, a abertura de capital e a valorização de ações de empresas na Bolsa confirmam o sucesso do e-commerce na crise. Grandes companhias investem em sua modernização enquanto outras expandem as categorias de produtos em seus catálogos. Há quem espere, por exemplo, que resultados previstos só para 2023 sejam alcançados ainda em 2020.

Um relatório Ebit/Nielsen mostrou que, entre 31 de março e 6 de abril, houve aumento de 18,5% no e-commerce em relação à semana anterior. Tiveram destaque os setores de casa e decoração (+23.5%), informática (+22.3%), eletrodomésticos (+21%), eletrônicos (+20.3%) e telefonia (+12%), responsáveis por 58% de todo o crescimento no período.

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A inserção de soluções tecnológicas para auxiliar no processo de compras é um horizonte que as empresas têm buscado se aproximar. Na pandemia, as pessoas passaram a recorrer aos serviços online por uma questão de segurança. Mas esse primeiro contato pode virar uma tendência se os investimentos em modernização dos serviços se mostrarem na prática.

Qual é o interesse de investidores estrangeiros

O diretor da consultoria Arko Advice e colunista do E-Investidor, Thiago Aragão, explica que investidores estrangeiros sabem do alto potencial de consumo do Brasil. Contudo, ele lembra que alguns fatores ainda geram insegurança, como instabilidade da Economia e condições de infraestrutura.

“Possibilitando um acesso à internet melhor, em uma sociedade que tem uma característica consumidora, ao mesmo tempo que há uma flexibilização na regra do Banco Central para e-commerce, o investidor vê uma oportunidade muito grande no Brasil”.

Um exemplo do que gera repercussão fora, para Thiago, é o caso do WhatsApp escolher o Brasil para iniciar o seu serviço de pagamento e transferência de dinheiro, indicando que essa (e-commerce) é uma tendência com projeção de crescimento grande no País.

O que precisa melhorar no e-commerce brasileiro

Thiago esclarece que saúde da Economia é fundamental para atrair confiança em investidores. Afinal, para que as pessoas pensem em consumir, elas precisam ter poder de compra. Fatores como desemprego, por exemplo, impactam no otimismo. No campo jurídico, a preocupação é da criação de barreiras ao setor eletrônico em detrimento do comércio físico.

“Quanto mais estabilidade econômica e política a gente tiver, maior a possibilidade dessa curva de crescimento do consumo aumentar”.

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E para que o serviço possa ser melhor desempenhado, o desafio está nas condições técnicas e estruturais. Thiago ressalta que investimentos na qualidade da banda larga, a flexibilização de regras vez e a desburocratização facilitam a atuação das empresas, logo, o interesse de investidores em apostar no setor.

“Também existe um problema logístico, de distribuição, que precisa ser melhorado em várias áreas de infraestrutura”, acrescenta.

E-commerce na bolsa e perspectivas para 2020

A analista da Ágora Investimentos, Flávia Meireles, avalia que a pandemia mostrou a resiliência das ações ligadas ao setor de varejo. “Considerando de abril até o pregão de quinta-feira (25), a B2W subiu 119%, e as ações da Magazine Luiza subiram 78,74%. A Via Varejo foi a que mais subiu, 175,57%, versus o Ibovespa que subiu 31,45% no período.”

Para Flávia, ainda que a crise seja recente, a expectativa é que os efeitos positivos sejam sentidos no curto e no longo prazos. “Aquelas pessoas que nunca compraram pela internet e experimentaram pela primeira vez estão gostando. Então a gente acredita que é uma tendência que veio para ficar”, avalia.

A analista destaca que a expectativa do mercado é de que o comércio eletrônico atinja, em 2020, o patamar de vendas esperado para daqui a três anos. “Antes da pandemia de covid-19, a gente achava que o comércio eletrônico ia atingir 10% das vendas no varejo em 2023. Mas a expectativa é que isso já vai acontecer em 2020”.

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Flávia observa que as grandes companhias têm investido na consolidação dos seus comércio online, inclusive apostando em novas categorias. A Via Varejo, por exemplo, conseguiu mais de R$ 4 bilhões na oferta de ações, e parte desse montante será investido no e-commerce da marca. A Magazine Luiza, forte no setor de eletro e eletrônicos, comprou a Netshoes (esportes) e a Estante Virtual (literatura).

“Antes da pandemia, as empresas já estavam investindo bastante no comércio eletrônico e agora elas só reforçam isso, fazendo melhorias como entrega cada vez mais rápida, venda por WhatsApp. O e-commerce no Brasil ainda nem se comprara como o que é lá fora, mas ainda tem muito espaço para crescer. Por isso a gente acredita que é uma tendência que vai continuar.”

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