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Criado em 2005 pela própria B3, o ISE reúne empresas com melhores práticas em sustentabilidade, a partir de critérios ESG, sigla em inglês para ambiental, social e governança. A seleção é feita por meio de um questionário estruturado, análise de evidências e acompanhamento de riscos ao longo do ciclo.
A principal mudança da edição de 2026 não está apenas na composição, mas no nível de exigência.
A nota de corte subiu para 65,66 pontos, avanço de 5,26 pontos em relação à média dos últimos três ciclos, que girava em torno de 60,4 pontos. O que significa que, para entrar no índice, as empresas precisaram apresentar um desempenho mais robusto em sustentabilidade do que nos anos anteriores.
Outro dado relevante reforça esse movimento. Cerca de 90% das companhias que permaneceram na carteira melhoraram sua pontuação em relação ao ciclo passado, indicando uma evolução consistente nas práticas adotadas.
“A metodologia e os questionários permaneceram praticamente inalterados. O aumento da nota de corte reflete uma melhora real no desempenho das companhias e um avanço no nível de maturidade em relação às práticas avaliadas”, afirma Janaína Vilella, diretora de Comunicação e Sustentabilidade da B3.
Para Vilella, a melhora generalizada e a elevação da nota mínima ajudam a explicar por que o índice mantém um número enxuto de integrantes, mesmo diante de um universo mais amplo de empresas listadas na Bolsa, que totalizam 407 companhias até o início de maio de 2026.
Das 89 empresas que participaram do processo em 2026, apenas 69 atingiram os critérios necessários para compor a carteira final. A triagem considera, além da pontuação no questionário ESG, requisitos como liquidez das ações e elegibilidade.
O modelo avalia dimensões como meio ambiente, clima, capital humano, governança e inovação, com pesos específicos. Ao longo do ano, há ainda monitoramento de riscos reputacionais, o que pode levar a revisões extraordinárias.
“O diferencial está em aprimorar políticas, processos e práticas e, principalmente, garantir que tudo isso esteja implementado, mensurado e documentado”, ressalta Vilella.
Para o investidor, o resultado funciona como um filtro inicial. Diante de companhias com fundamentos semelhantes, a presença no ISE tende a indicar maior preparo para lidar com temas regulatórios, ambientais e de governança.
A carteira de 2026 marca também uma virada relevante no próprio índice.
Segundo a B3, este é o último ciclo calculado com base na metodologia vigente. O modelo está em revisão e deve ser atualizado para refletir mudanças no mercado, nas exigências regulatórias e nas demandas de investidores.
A nova metodologia está prevista para ser divulgada em julho de 2026 e passará a valer no processo seletivo seguinte, com impacto na carteira a ser anunciada em 2027.
“A ideia é combinar comparabilidade global com aderência às especificidades locais, o que é um diferencial do ISE”, destaca a diretora de Comunicação e Sustentabilidade da B3.
A expectativa é de um questionário mais objetivo e maior capacidade de comparação entre empresas, além de ajustes para reduzir o esforço operacional das companhias participantes.
A entrada ou saída de uma empresa do ISE não altera seus resultados de forma imediata. O efeito mais direto está na forma como o mercado passa a enxergar aquele ativo.
Por um lado, a inclusão tende a sinalizar maior organização na gestão de riscos e sustentabilidade. Por outro, a exclusão costuma levantar questionamentos sobre o que levou à perda de aderência aos critérios do índice.
Além disso, o ISE segue como referência para gestores e investidores institucionais que utilizam critérios ESG como etapa inicial de seleção. Há também produtos que replicam o índice, o que reforça sua conexão com fluxo de capital.
Neste ano, o mercado está mais exigente e o espaço dentro do principal índice ESG da Bolsa brasileira ficou mais competitivo.
A demanda por esse tipo de critério não vem apenas de dentro do mercado local. Investidores estrangeiros, que respondem por cerca de 50% do volume negociado na B3, têm incorporado de forma sistemática fatores ambientais, sociais e de governança em suas decisões, segundo a própria Bolsa. Nesse contexto, o ISE funciona também como um ponto de convergência entre o mercado brasileiro e padrões globais de alocação de capital.
A nova carteira do ISE 2026 também revela diversidade setorial entre as empresas mais bem avaliadas. O topo do ranking reúne companhias de telecomunicações, consumo, varejo, bancos e energia, indicando que as melhores práticas ESG já não estão concentradas em um único segmento, mas espalhadas por diferentes modelos de negócio e graus de exposição a risco. A seguir, as dez empresas com maior pontuação no índice neste ciclo.
| Posição | Empresa | Setor | Score base | Fator Quali | Score ISE |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Telefônica Brasil (Vivo) | Telecomunicações | 92,81 | 1,00 | 92,81 |
| 2 | Natura | Consumo não cíclico | 92,45 | 1,00 | 92,45 |
| 3 | Lojas Renner | Consumo cíclico | 91,33 | 1,00 | 91,33 |
| 4 | Bradesco | Financeiro | 91,02 | 1,00 | 91,02 |
| 5 | Engie Brasil | Energia | 90,51 | 1,00 | 90,51 |
| 6 | TIM | Telecomunicações | 90,12 | 1,00 | 90,12 |
| 7 | CPFL Energia | Energia | 89,67 | 1,00 | 89,67 |
| 8 | Banco do Brasil | Financeiro | 88,98 | 1,00 | 88,98 |
| 9 | Itaú Unibanco | Financeiro | 88,82 | 1,00 | 88,82 |
| 10 | Copel | Energia | 88,21 | 1,00 | 88,21 |
No topo do ranking de 2026 a Telefônica Brasil (VIVT3) lidera o índice em um cenário de maior exigência e competição.
A posição não vem de um movimento pontual, mas de uma estratégia que ganhou corpo ao longo dos últimos anos. Segundo Joanes Ribas, diretora de Sustentabilidade da companhia, a agenda ESG está integrada ao planejamento do negócio, o que permite avanços contínuos e mensuráveis. “A sustentabilidade é um pilar estratégico. Isso garante consistência na execução e alinhamento com as demandas do mercado e da sociedade”, afirma.
A integração aparece em decisões que afetam tanto operação quanto governança. A companhia afirma que antecipou sua meta de neutralidade de carbono para 2035 e reduziu em 91% as emissões próprias em uma década, apoiada no uso de energia renovável e ganhos de eficiência. Ao mesmo tempo, ampliou o alcance da agenda para a cadeia de fornecedores, com engajamento de parceiros considerados mais intensivos em carbono.
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O tema também entrou na lógica de incentivos. Hoje, 20% da remuneração variável de executivos está vinculada a metas ESG no curto prazo, além de metas de longo prazo atreladas à mesma agenda. Esse tipo de mecanismo ajuda a transformar diretriz em execução.
Há ainda um movimento de conexão com o mercado financeiro. Em 2022, a empresa emitiu R$ 3,5 bilhões em títulos atrelados a metas de sustentabilidade, vinculando custo de capital ao cumprimento de objetivos ambientais e sociais.
Para a companhia, o resultado no índice reflete esse estágio de organização, mas não encerra o processo. “O ISE captura bem o nível atual de maturidade, mas também funciona como um direcionador, indicando onde ainda podemos evoluir”, diz Ribas.
Mais do que a posição em si, o caso ilustra um padrão que começa a se consolidar no índice. Empresas que aparecem no topo tendem a tratar sustentabilidade menos como uma agenda paralela e mais como parte da estrutura de decisão do negócio.
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