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Investimentos

Prefixado ou IPCA+ 6%: qual é a opção mais segura para investir?

Os prêmios dos títulos do Tesouro Direto ganharam destaque em meio ao estresse do mercado

Por Daniel Rocha

19/06/2024 | 13:00 Atualização: 19/06/2024 | 13:02

Os títulos do tesouro são ativos de renda fixa com o menor risco do mercado (Foto: Envato Elements)
Os títulos do tesouro são ativos de renda fixa com o menor risco do mercado (Foto: Envato Elements)

O descontentamento do mercado com a condução das contas públicas no Brasil e a longa espera pela redução dos juros nos Estados Unidos (EUA) elevaram os prêmios dos títulos públicos. O Tesouro IPCA+6% foi o que mais ganhou notoriedade nos últimos meses, mas os prefixados com prêmios de 11,50% a 12% também disputam a atenção do investidor. Entre tantos atrativos, a dúvida que fica é: qual é o mais rentável?

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Os títulos não possuem vencimentos com a mesma data, o que torna a busca pela resposta ainda mais difícil para os investidores. Mas uma simulação realizada pelo C6 Bank, a pedido do E-Investidor, conseguiu mostrar qual o melhor investimento para quem busca rentabilidade no cenário atual. A análise levou em consideração uma aplicação de R$ 10 mil nos títulos Tesouro Prefixado 2027 (11,54%) e Tesouro IPCA+ 2029 (IPCA + 6,38%) e calculou os rendimentos líquidos em um intervalo de um ano.

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O resultado mostrou que os títulos prefixados entregaram ganhos maiores ao investidor em comparação ao IPCA+6,38%. Em um intervalo de 1 ano, a aplicação de R$ 10 mil renderia R$ 978,94. O valor já considera as deduções do imposto de renda (IR) e a taxa de custódia em torno de 0,20%. Já o retorno do líquido do título indexado ao IPCA foi de R$ 861,58. Para esse caso, o banco utilizou como premissa a estimativa do boletim Focus para a inflação de 3,5%.

Quem deve ter espaço na carteira?

A rentabilidade final de cada investimento costuma ser determinante para os investidores na hora de investir em um ativo. No entanto, a estratégia isolada pode não ser interessante por não considerar os riscos envolvidos na aplicação. No caso dos títulos do Tesouro Direto, o ponto principal é entender como a dinâmica da economia pode impactar a sua rentabilidade.

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Para os prefixados, a remuneração não muda e essa característica pode tornar o título menos atrativos a depender do cenário econômico. “Se a inflação subir, o Banco Central (BC) vai precisar subir os juros para controlar a alta dos preços e a taxa pode ficar defasada”, diz Raphael Haddad, planejador financeiro do C6 Bank e responsável pela simulação.

O sinal de alerta se torna ainda mais evidente com a reunião do o Comitê de Política Monetária (Copom) marcado para a próxima quarta-feira (19). A expectativa dos investidores é que o colegiado dê uma pausa no ciclo de queda de juros e mantenha a Selic a 10,50% ao ano. A percepção do mercado ganhou força após as mudanças das metas fiscais realizadas pelo governo em abril.

Na época, o Poder Executivo comunicou que a meta para as contas públicas para o próximo ano sairia de um superávit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 0%. Já em 2026, o superávit de 1% do PIB foi reduzido para 0,25%. As alterações aconteceram há menos de um ano do novo arcabouço fiscal entrar em vigor. Desde a mudança, o mercado pressiona o governo por um maior comprometimento com as contas públicas.

Essa situação pode desencadear uma alta inflação nos próximos anos, o que pode tornar a rentabilidade dos prefixados desfavorável. Por essa razão, Marcos Moreira, sócio da WMS Capital, acredita que os títulos indexados ao IPCA não devem ficar de fora da carteira. “Dado a esse cenário fiscal mais desafiador, dado essas incertezas quanto ao equilíbrio das contas públicas, a proteção contra a inflação nesse momento é extremamente importante”, afirma Moreira.

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Maria Luísa Nepomuceno, analista de Renda Fixa da Nord Research, também ressalta a proteção contra a inflação que os títulos indexados ao IPCA oferecem à carteira do investidor. No entanto, ela pondera que a característica do título não tira o crédito da atratividade dos prefixados. Isso significa que os dois devem ter um espaço na carteira do investidor diante das suas rentabilidades atrativas. O único ponto de atenção é no porcentual que cada ativo deve representar na carteira do investidor e também aos vencimentos dos títulos.

Para ela, os títulos indexados ao IPCA devem ter mais espaço visto que há o risco de aumento da inflação ao mesmo tempo em que os investidores devem priorizar os vencimentos de curto e médio prazo. “Nesses prazos, conseguimos ver os efeitos da política monetária atual, enquanto os títulos mais longos são mais voláteis e, por isso, são considerados mais arriscados”, afirma Nepomuceno.

A perspectiva é quase um consenso de mercado visto que Moreira, da WMS Capital, também possui a mesma orientação aos investidores interessados em aproveitar as rentabilidades do Tesouro Direto. Segundo ele, no caso dos prefixados, a preferência deve ser por papeis com vencimentos de até no máximo cinco anos devido às incertezas sobre o cenário de juros no Brasil.

Já em relação aos títulos indexados ao IPCA, o especialista recomenda os papeis com vencimentos para 20235.  “Quanto maior for horizonte de tempo, mais sensível será o título às volatilidades do mercado”, ressalta o especialista.

Veja a rentabilidade dos títulos prefixados e indexados ao IPCA 

Título Rentabilidade anual Vencimento
TESOURO PREFIXADO 2027 11,58% 01/01/2027
TESOURO PREFIXADO 2031 12,17% 01/01/2031
TESOURO PREFIXADO com juros semestrais 2035 11,96% 01/01/2035
TESOURO IPCA+ 2029 IPCA + 6,41% 15/05/2029
TESOURO IPCA+ 2035 IPCA + 6,35% 15/05/2035
TESOURO IPCA+ 2045 IPCA + 6,31% 15/05/2045
TESOURO IPCA+com juros semestrais 2035 IPCA + 6,36% 15/05/2035
TESOURO IPCA+com juros semestrais 2040 IPCA + 6,29% 15/08/2040
TESOURO IPCA+com juros semestrais 2055 IPCA + 6,33% 15/05/2055
Fonte: Tesouro Direto/Dados referente ao pregão do dia 17/06/2024

 

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