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Investimentos

Dos R$ 5,23 aos R$ 4,77: entenda por que o dólar derreteu no 1º semestre

Cotação da moeda americana tem maior queda semestral em 7 anos; especialistas apontam os motivos

Por Luíza Lanza

23/06/2023 | 3:01 Atualização: 22/06/2023 | 21:12

Dólar é a principal moeda utilizada no comércio exterior. (Foto: Envato)
Dólar é a principal moeda utilizada no comércio exterior. (Foto: Envato)

Quem viu a cotação do dólar começar o ano em R$ 5,23 ou bater os R$ 5,29 em meados de março, no auge da incerteza do mercado, agora se surpreende ao ver a moeda americana sendo negociada abaixo dos R$ 4,80. Até o fechamento desta quinta-feira (22), o dólar era cotado a R$ 4,77, o menor patamar desde maio de 2022.

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Trata-se de uma desvalorização que não se via há sete anos, segundo dados levantados pelo Trademap. Entre o dia 1º de janeiro e a segunda-feira (19), o dólar Ptax para venda, índice de referência para as operações de câmbio no mercado financeiro calculado pelo Banco Central, registrava um recuo de 8,38%. Este é o maior declínio para um primeiro semestre desde 2016, quando a cotação caiu 17,80%.

O fortalecimento do real frente ao dólar, especialmente nos últimos dois meses, faz parte de uma mudança geral no humor do mercado brasileiro. A Bolsa mesmo entrou em bull market, em patamares que não se via no Ibovespa desde 2022.

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Leia também: Franklin Templeton vê novo “ciclo virtuoso” para ativos de risco no Brasil

Ainda que 2023 esteja apenas se aproximando da metade, o cenário é bem mais positivo do que aquele previsto por agentes do mercado financeiro. No final de 2022, logo após as eleições que elegeram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pesquisas indicavam que gestores, estrategistas e economistas viam o dólar acima dos R$ 5,40 em 2023. Em março, uma outra enquete dizia que o dólar ultrapassaria os R$ 5,30 no ano.

Por isso, para entender o semestre positivo para o câmbio, é preciso fazer um retrospecto do cenário do início do ano. Por aqui, incertezas frente ao início de um novo governo, indefinições sobre a trajetória fiscal. Lá fora, um receio sobre a trajetória de juros nas economias desenvolvidas e quanto à retomada da China após o fim dos lockdowns.

“Viemos de um ano de pós-eleição, de inflação bastante alta por conta da condição de política monetária, de pós-pandemia”, destaca Bruno Perottoni, diretor de tesouraria do Braza Bank. “Agora temos uma certa acomodação da taxa de câmbio, grande parte disso por uma questão da posição do Brasil no mercado global.”

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O especialista explica que, passadas as incertezas iniciais, o Brasil tem algumas vantagens competitivas em relação aos pares emergentes que estão ajudando a atrair o capital estrangeiro de volta ao mercado local.

“Temos reservas cambiais bastante robustas e uma certa estabilidade política e econômica, que muitos países emergentes não possuem. Deixando de lado qualquer convicção política, a imagem que o atual Presidente passa do Brasil lá fora, com demonstração de preocupações com questões ambientais e climáticas, por exemplo, também atrai bons olhares para o País”, pontua.

O atual patamar da taxa de juros do País também ajuda a manter o real valorizado. Com a Selic estacionada em 13,75% ao ano e a queda dos indicadores de inflação, o Brasil tem o maior juros real do mundo – o que também atrai investidores estrangeiros que vem atrás de boa rentabilidade a um risco relativamente baixo.

“É um movimento que chamamos no mercado de carry trade, onde você pega o dinheiro do seu país e leva para outro onde vai receber um juros maior, no caso, o Brasil”, explica Gabriel Moraes, assessor de investimentos do escritório Arcani Investimentos.

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Com mais dólares entrando no País, a cotação caiu. “Esse é o grande motivo para o dólar mais fraco esse ano, o fluxo estrangeiro de capital entrando forte no Brasil”, afirma Moraes.

A projeção mais recente do Boletim Focus indica que o mercado espera que o dólar encerre 2023 cotado a R$ 5 – o que indica uma expectativa de trajetória contrária à vista até aqui, de apreciação do real frente ao dólar. Por que isso deve acontecer? Contamos nesta outra reportagem. 

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