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Investimentos

Mercado defende renda fixa mesmo com a Selic em queda. Entenda o porquê

Juros básicos estão em 11,25% ao ano, mas devem encerrar 2024 a 9%. Veja onde estão as oportunidades

Por Isaac de Oliveira

16/02/2024 | 10:25 Atualização: 16/02/2024 | 10:25

Renda fica tem opções para diferentes objetivos e perfis de risco (Foto: Envato Elements)
Renda fica tem opções para diferentes objetivos e perfis de risco (Foto: Envato Elements)

O ciclo de queda da Selic tem feito muita gente repensar novos investimentos em renda fixa no Brasil. Os juros básicos estão em 11,25% ao ano (a.a.), mas devem encerrar 2024 a 9% a.a., segundo expectativa do mercado financeiro, refletida no Boletim Focus, do Banco Central (BC). A redução da Selic favorece ativos de maior risco, como a renda variável, que tende a receber mais recursos à medida que o investidor aceita tomar mais risco em troca de melhores rentabilidades. Assim, diante do cenário atual, a renda fixa continua atrativa?

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Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC reduziu a Selic em 0,5 ponto porcentual, levando a taxa para o menor patamar desde março de 2022. Foi o quinto corte seguido anunciado pelo colegiado. A queda dos juros afeta a rentabilidade da renda fixa, classe de grande importância nas carteiras dos investidores, com opções disponíveis para variados tipos de perfil de risco, aporte mínimo e prazos de vencimento, avaliam especialistas consultados pelo E-Investidor.

  • Veja mais: “A renda fixa ainda será uma alocação relevante em 2024”, diz Ágora

Malu Nepomuceno, analista de renda fixa da Nord Research, afirma que os maiores ganhos de rentabilidade, hoje, estão nos títulos atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+. Na visão dela, ainda há espaço para o investidor se beneficiar com a queda do juro real. “Esses títulos possuem um componente prefixado que permite marcação a mercado. Com isso, em ciclos de queda de juros, esses títulos passam por remarcação em seus preços, de forma que o investidor que comprá-los nos momentos adequados conseguirá vendê-los por preços mais elevados do que pagou, obtendo boas remunerações”, explica.

Os títulos IPCA+ se encaixam melhor na estratégia de investimentos de longo prazo. Por conta disso, Jonas Chen, gestor de portfólio da B. Side Wealth Management, reforça que o investidor deve ficar ciente de eventuais variações nos juros impactando os preços dos títulos. Ainda assim, vê oportunidades para perfis que suportam mais ou menos risco. “Os títulos IPCA+ podem ser adequados tanto a clientes conservadores que querem proteger seu poder de compra no longo prazo quanto para clientes arrojados que desejam negociar as variações das taxas de mercado”, avalia Chen.

Renda fixa pré ou pós-fixada?

Os juros em tendência de queda comprometem parte da atratividade de títulos pós-fixados, como o Tesouro Selic. Por conta disso, Chen tem preferência por prefixados, aqueles cuja remuneração a ser paga no vencimento está clara para o investidor no momento da compra do ativo – veja a diferença entre os ativos aqui. “Os títulos prefixados ainda oferecem taxas próximas a 10% a.a.. Projetamos que até o final do ano a Selic deve atingir nível abaixo dos juros que os prefixados oferecem atualmente”, diz Chen.

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Os especialistas ponderam que os títulos pós-fixados têm sua importância nos portfólios, seja para investidores mais conservadores ou mesmo aqueles que precisam deixar o dinheiro em uma opção segura e com liquidez diária.

“Para reserva de emergência, o título pós-fixado é a melhor opção por ainda estar rendendo a uma taxa Selic elevada. Além disso, o investidor não corre o risco de, em caso de resgate antes do vencimento, se deparar com uma fase de marcação negativa, na qual estão sujeitos tanto os títulos prefixados quanto os indexados à inflação”, observa Nepomuceno, da Nord Research.

Outras alternativas na renda fixa

Além de títulos do Tesouro, investidores interessados em renda fixa contam ainda com outras possibilidades de ativos, sejam papéis de bancos ou emissões de dívidas de empresas. As Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), por exemplo, contam com proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), explica Marcos de Marchi, economista-chefe da Oriz.

O economista da Oriz explica que, como o governo vem apertando as emissões com a regulamentação recém divulgada, a quantidade de ativos disponíveis com isenção (LCI e LCA) no mercado tende a cair. Com isso, os spreads (diferença de preço na compra e na venda) em relação ao título do governo acabam ficando bem mais estreitos.

  • A fórmula para decidir onde aplicar o dinheiro: CDB, LCI ou LCA?

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e os Certificados de Recebíveis Agrícolas (CRAs) tiveram mudanças de regulação anunciadas pelo governo federal, que devem resultar em forte impacto nas emissões desses ativos no mercado. Para estas opções, a recomendação é fazer uma boa análise de crédito das empresas.

“Para quem consegue encontrar atualmente LCI e LCA ofertadas pelos bancos, faz muito sentido pela questão da isenção do Imposto de Renda (IR)”, aponta Marchi. “Os CRIs e CRAs, diferentemente da LCI, LCA, não são garantidos pelo FGC. Então uma análise de crédito se torna muito mais importante.”

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