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Investimentos

Tesouro Direto tem quatro “Circuit Breakers” seguidos nesta terça-feira; entenda

Plataforma do Tesouro paralisou negociações mais de uma vez em meio à alta volatilidade das taxas

Por Jenne Andrade

17/12/2024 | 17:04 Atualização: 17/12/2024 | 18:34

Entenda a paralisação desta terça-feira (1) no Tesouro Direto (Foto: Adobe Stock)
Entenda a paralisação desta terça-feira (1) no Tesouro Direto (Foto: Adobe Stock)

O Tesouro Direto, plataforma do Tesouro Nacional para venda de títulos públicos, teve pelo menos quatro “Circuit Breakers” nesta terça-feira (17). A paralisação das negociações é feita quando há uma grande volatilidade nas taxas, seja para cima ou para baixo. Vale lembrar que nos últimos dias os rendimentos dos Prefixados e IPCA+ dispararam para picos históricos. O Tesouro Prefixado 2029, por exemplo, bateu 15% de retorno ao ano; o Tesouro IPCA+ de vencimento mais curto, por sua vez, encostou em 8% de “juro real” ao ano – nome dado ao rendimento pago acima da variação da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

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  • Leia mais: Tesouro Direto dá ‘circuit breaker’ pelo 2º dia seguido com disparada do dólar

Com as rentabilidades nas máximas, a plataforma interrompe os negócios para normalizar os preços e evitar um efeito “manada”. Durante a manhã, o Tesouro fez a primeira paralisação em meio à disparada dos juros e do dólar, que superou a cotação de R$ 6,20, maior patamar nominal da história. Já no período da tarde, entre 13h e 14h45 houve a segunda suspensão. Por volta das 16h35, novamente não era possível comercializar os títulos públicos.

A disparada dos juros é um sintoma de que algo não vai bem na economia. Esse tipo de movimentação acontece quando os investidores passam a exigir mais prêmio para financiar a dívida pública por algum tipo de desconfiança em relação à capacidade de pagamento do Governo. Por aqui, a decepção com o pacote de corte de gastos anunciado pelo ministro Fernando Haddad (PT) provocou uma espiral de pessimismo entre os agentes econômicos, que temem que a trajetória da dívida se torne insustentável. O BTG, por exemplo, ligou o modo “sobrevivência” para 2025 e passou a indicar empresas descorrelacionadas com o Brasil como porto seguro.

“Os ativos de risco brasileiros se deterioraram acentuadamente nos últimos meses, à medida em que a confiança dos investidores na sustentabilidade do quadro fiscal e na trajetória da dívida do país atingiu a mínima em vários anos. Neste ponto, o ritmo insustentável de deterioração da dívida é evidente para todos”, afirma o BTG, em relatório.

  • Leia mais: BTG liga modo “sobrevivência” em 2025 com risco fiscal, juros recorde e dólar nas alturas

Por outro lado, a escalada dos juros abre uma oportunidade para os investidores. “Estamos vivendo uma abertura das taxas dos títulos IPCA+ que não víamos desde 2016. Isso, combinado à incerteza fiscal e aos spreads reduzidos no crédito privado, cria uma oportunidade única para investidores que buscam segurança com alta rentabilidade”, afirma Andressa Bergamo, sócia-fundadora da AVG Capital. Nesta matéria, nós simulamos quanto rendem R$ 1 mil, R$ 10 mil e R$ 100 mil neste patamar de juro real. O Prefixado a 15% ao ano também é raro, mas é preciso ter mais cautela com este título, como explicamos nesta reportagem.

Investidores também perdem com IPCA+8% e Prefixado a 15%

Para quem pretende vender títulos IPCA+ ou Prefixados antes do vencimento, o aumento tão grande das taxas é uma má notícia. Diferentemente do Tesouro Selic, que acompanha os juros e não está sujeito à volatilidade, estas outras duas categorias sofrem efeitos de um mecanismo chamado “marcação a mercado”. Ou seja, os preços dos papéis variam diariamente conforme as expectativas para indicadores econômicos. Em termos gerais, quando as taxas sobem, como agora, quem já tinha esses papéis na carteira vê o capital desvalorizar. Nos últimos 30 dias, por exemplo, quem tem o Tesouro RendA+2065, cujo rendimento é IPCA+, perdeu até 26% em marcação a mercado. Para fugir da volatilidade, o aconselhado é manter o dinheiro aplicado até o vencimento. Só assim, o investidor terá exatamente a rentabilidade contratada na compra. Veja nesta matéria a desvalorização acumulada nos títulos públicos.

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