Uma resposta para ambos os problemas seria listar ações no próprio Vision Fund, um tópico que tem recebido pouca consideração à medida que as pessoas se concentram nos investimentos subjacentes. Ouça-me, no entanto. As duas maiores participações do fundo no momento são a plataforma de conteúdo chinesa Bytedance e a líder Didi Chuxing.
Há poucas chances de que uma oferta pública inicial (IPO) seja lançada em 2020, e provavelmente não nos EUA, onde o clima em relação às empresas chinesas piorou após o escândalo da Luckin Coffee. Que pena: todos os dólares impressos por Washington para enfrentar a crise econômica do covid-19 podem significar que há muito dinheiro esperando por uma nova e grande venda de ações.
Dos 88 investimentos na carteira do Vision Fund, 50 tiveram um corte na avaliação durante os 12 meses encerrados em 31 de março e 19 permaneceram inalterados.
O SoftBank disse aos investidores na segunda-feira 18 que suas startups estão enfrentando graus variados de impacto em relação à pandemia, o que significa que provavelmente não é um momento oportuno para tentar vender qualquer empresa na bolsa de valores. Mas, como um agrupamento de empresas, o portfólio é um ativo tão bom quanto qualquer outra coisa que o SoftBank tem em mãos.
É possível que a SoftBank possa transferir algumas das ações da T-Mobile nos EUA que substituíram sua participação na Sprint Corp. após a fusão das operadoras. Segundo o Wall Street Journal, a controladora da T-Mobile, Deutsche Telekom, está considerando uma compra. Mas existem várias cláusulas de bloqueio e incentivos de preços de ações incorporados ao negócio que provavelmente limitam o tamanho de qualquer transação.
Eu falei antes sobre a necessidade do SoftBank vender sua participação de US$ 137 bilhões no Alibaba Group, depois que ele disse que monetizaria até US$ 41 bilhões em ativos. Sejamos claros: “monetizar” não significa necessariamente vender. A estratégia do SoftBank tem sido em grande parte a contratação de empréstimos garantidos por seus ativos, alguns dos quais sem recurso. (A falta de recurso significa que, se a dívida não puder ser paga ou outras cláusulas forem acionadas, o credor poderá se apropriar do ativo comprometido, em vez de forçar o devedor a pagar.) Já é de conhecimento público que está previsto um eventual da fabricante britânica de semicondutores Arm, que faz parte do portfólio da empresa.
O estado atual das finanças do SoftBank torna provável que essa listagem seja acelerada. Mas essas participações – T-Mobile, Alibaba, Arm – são ativos da SoftBank. Vendê-los não resolve necessariamente as necessidades de caixa do Vision Fund. E eles não ajudam muito o fundo do governo saudita.
Como escreveu recentemente meu colega David Fickling, os ativos financeiros líquidos mantidos pelo governo da Arábia Saudita caíram para apenas 0,1% do produto interno bruto, de 50% nos quatro anos até 2018. Ser um dos maiores produtores de petróleo do mundo ajuda muito quando uma pandemia global pousa a aeronave, as economias entram em declínio e há queda nos preços do petróleo.
Mesmo que o fundo saudita negue planos de contrair empréstimos contra sua participação no Fundo Vision, os governantes do reino árabe estarão ansiosos para angariar dinheiro da melhor maneira possível.
O próprio Vision Fund precisa de dinheiro: pelo menos US$ 3 bilhões em pagamentos de dividendos preferenciais a cada ano, bem como o dinheiro necessário apenas para operar e, em teoria, para pagar a dívida já retirada. O Softbank já colocou parte do dinheiro arrecadado para pagar esses dividendos, mas isso não vai durar para sempre.
Com o valor contábil de seus ativos caindo mais de US$ 17 bilhões em 2019, a capacidade do fundo de continuar tomando empréstimos para cobrir esses requisitos diminuirá. É provável que haja investidores que acreditem no plano de longo prazo do fundador Masayoshi Son para construir empresas campeãs que mudem o mundo e proporcionem enormes lucros no processo.
Afinal, muitos já compraram o próprio SoftBank Group, que considera o Vision Fund como um dos principais impulsionadores de ganhos. Dado o quão ilíquidos são os ativos e a natureza volátil de seus ganhos, uma listagem do Vision Fund certamente seria vista como uma jogada bizarra. Mas pode muito bem ser visto como a cartada de um visionário.