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Mercado

As 10 ações mais negociadas da Bolsa por menos de R$ 5

Via, Méliuz e Oi estão entre as mais buscadas pelos investidores

Por Jenne Andrade

14/02/2022 | 9:49 Atualização: 07/12/2022 | 13:34

VIIA3 é a mais negociada por menos de R$ 5. (Foto: Envato)
VIIA3 é a mais negociada por menos de R$ 5. (Foto: Envato)

Na Bolsa de Valores, nem sempre preço baixo significa ação barata. Pelo contrário, pode significar que a empresa esteja passando por problemas ou que o mercado não enxergue boas perspectivas para aquele negócio, o conhecido “mico”. Por outro lado, alguns papéis mais acessíveis chamam a atenção dos investidores, que anseiam descobrir um novo case ‘Magazine Luiza’.

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Vamos relembrar o caso. Até junho de 2017, a MGLU3 valia poucos centavos. Em novembro de 2020, cerca de três anos depois, o ativo chegou aos R$ 28,28 – máxima histórica. Mesmo com a atual queda dos papéis para o patamar de R$ 6,9, as ações da Magalu acumulam uma valorização de mais de 1.200% desde a estreia na B3. Em poucas palavras, quem investiu desde o início e segurou o papel, conseguir obter altos retornos.

Segundo levantamento feito pela Economatica, atualmente existem mais de 70 ações cujo preço é inferior a R$ 5 na Bolsa. Entre essas, o E-Investidor selecionou as 10 mais negociadas diariamente pelos investidores.

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1 -Via Varejo (VIIA3): ainda há percalços

Em primeiro lugar no ranking, aparece a varejista Via (VIIA3), que fechou o pregão da última sexta-feira (11) aos R$ 4,12.O volume médio diário de negociações com os papéis de companhia de e-commerce excede os R$ 200 milhões.

É importante lembrar que em junho de 2020 a VIIA3 chegou aos R$ 22,36, na esteira do boom de compras on-line em função do isolamento social. Agora, as ações caem 21,52% desde o início do ano, depois de já terem desabado 67,51% em 2021.

“Em função do salto no varejo on-line durante a pandemia e da crença de que a demanda no varejo físico voltaria com mais força após a vacinação e reabertura econômica, os investidores precificaram as empresas de varejo quase que à perfeição, sem olhar para os múltiplos esticados. Contudo, como as vendas acabaram não saindo como esperado (2020 e 2021) e somado aos resultados fracos no varejo, as companhias desabaram ao frustrar as expectativas do mercado”, afirmou a Nord Research, em relatório.

Um dos principais ‘culpados’ é o avanço da inflação e dos juros, que afetam diretamente o bolso dos consumidores. Por consequência, as empresas varejistas tendem a performar pior. Para completar, o último balanço da Via surpreendeu negativamente, com uma alta substancial de provisões para processos trabalhistas.

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“Em vista dos resultados ruins, nos preços atuais, Via não é um bom investimento no momento”, explica a Nord. “O provisionamento trabalhista não só reflete nos resultados como também cria um sério problema de confiabilidade na governança corporativa da companhia.”

Já para Felipe Vella, analista de renda variável da Ativa Investimentos, pode ser que o preço do papel tenha chegado a seu ‘piso’. “O VIIA3 parece ter marcado um fundo bem interessante no gráfico semanal, mostrando uma possível reversão pelo ponto de vista técnico”, explica.

O fim do ciclo de alta dos juros no Brasil também deve acontecer muito mais rápido do que no resto do mundo. É esperado que ainda em 2022, o Banco Central encerre a alta na Selic. “Um pedaço desse fluxo estrangeiro pode vir para o Brasil (na realidade, ja está vindo) e papeis que estão descontados podem ser alvo desse capital”, afirma Vella.

2 - Méliuz (CASH3): perspectivas de curto prazo

A medalha de prata do ranking é o papel de empresa de tecnologia e cashback Méliuz (CASH3), que na sessão anterior estava negociado a R$ 2,76. Desde o IPO, feito no final de 2020, o ponto máximo das ações foi a R$ 12,81, registrados em julho de 2021. A partir de então, o ativo segue em queda, mas mantém o volume de negociação diário de R$ 138,1 milhões.

Apesar da desvalorização de 77,8% desde o topo, as ações CASH3 estão na carteira recomendada da Toro para fevereiro. Para a corretora, os ativos sinalizaram um enfraquecimento da tendência de baixa. “Os papéis começam a apresentar uma movimentação de topos e fundos ascendentes, rompendo a média de 20 dias, o que pode sinalizar, no curto prazo, uma recuperação do sell-off (de venda) do segundo semestre de 2021”, explica a casa.

3 - Oi (OIBR3): nova fase, novo fôlego

As ações da Oi (OIBR3) completam o pódio das mais negociadas por menos de R$ 5, com um volume médio diário de R$ 123,3 milhões. No fechamento da última sexta, os papéis da empresa de telecomunicações estavam cotados a R$ 0,91.

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Depois de toda a novela da venda da parte móvel da Oi para as concorrentes Tim, Vivo e Claro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a operação na última quarta-feira (9). O imbróglio se arrastava desde o final de 2020 e imputava volatilidade aos papéis.

Com as expectativas em torno da aprovação, os ativos subirem 19,74% desde o início do ano. Depois da venda da parte móvel, a empresa deve focar na divisão de fibra ótica. Na visão de Fabiano Vaz, analista da Nord Research, investir menos de R$ 1 na nova Oi poderá se tornar um bom investimento no futuro.

“Com uma estrutura de capital mais saudável, a Oi ficará, enfim, próxima de encerrar sua recuperação judicial, prevista para acontecer no meio de 2022”, afirma Vaz, em relatório. “Os riscos ainda existem e os desafios são grandes para a Nova Oi, por isso sugerimos uma alocação baixa.”

O BTG Pactual tem recomendação de compra para OIBR3, com preço-alvo de R$ 2,30. A instituição ressalta os resultados do terceiro trimestre como mistos. “A implantação de fibra continuou em um ritmo muito rápido no 3T. As vendas de FTTH (fibra ótica) atingiram R$ 751 milhões ( 96% a/a) e a Oi encerrou o trimestre com 13,5 milhões de casas passadas e 3,2 milhões de casas conectadas (taxa de aceitação de 23,5%)”, explica o banco, em relatório.

Cielo, Cogna e IRB: divisão de opiniões

Entre os papéis da lista que dividem opiniões no mercado, estão Cielo (CIEL3), Cogna (COGN3) e IRB (IRBR3). As ações da empresa de serviços financeiros estão cotadas a R$ 2,32. Para Vella, da Ativa, a tendência técnica é que os ativos atinjam o patamar de R$ 3,50.

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“Cielo tem se reinventado, diminuído seu tamanho (custo) e fomentado desenvolvimento tecnológico nos últimos meses/anos. A expectativa é que oferecendo essas melhoras, ela passe a gerar mais resultado e assim destravar valor para médio prazo a seus acionistas”, explica o analista.

Já a COGN3, negociada a R$ 2,33, deve sofrer mais. O Bradesco BBI tem recomendação de venda para as ações, com preço-alvo de R$ 2,10. Como fundamentos para a recomendação, o banco ressalta os fracos fundamentos de crescimento de receita no principal negócio de ensino superior e resultados operacionais fracos em 2022.

Por último, o ressegurador IRB (IRBR3) segue em uma conjuntura desafiadora. Após a Squadra Investimentos publicar um relatório apontando inconsistências nos balanços da empresa no início de 2020, fraudes foram descobertas e os papéis desabaram. Hoje, estão negociados a R$ 3,18, bem longe dos R$ 39 de outrora.

Desde então, as perspectivas para a companhia não são totalmente claras. O respeitado investidor Luiz Barsi é um dos que aposta na recuperação da empresa. Somente no último dia 4 de fevereiro, o maior investidor pessoa física da B3 comprou 1,5 milhões de ações do IRB, aproveitando uma queda nos papéis. A informação foi revelada ao Infomoney.

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Entretanto, a visão positiva de Barsi não é unanimidade no mercado. No fim de janeiro, a Nord Research recomendou não entrar em IRBR3. “No nosso entendimento, a grande dificuldade da nova diretoria é fazer com que a empresa volte a ser rentável. No momento, acreditamos que os papéis do IRB devem continuar com forte volatilidade e seguir em tendência de queda”, explicou a research.

 

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