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De B2W (BTOW3) a CSN (CSNA3): as ações que mais subiram em cada semestre de 2020

Crise foi sentida de maneira distinta entre os diferentes setores, à medida que o impacto da covid-19 era mensurado

Por Mateus Apud

14/12/2020 | 9:13 Atualização: 28/12/2020 | 13:19

CSN. (Foto: Marcos Arcoverde/Estadão
CSN. (Foto: Marcos Arcoverde/Estadão

A pandemia da covid-19 afetou severamente a bolsa brasileira e fez sua volatilidade ser muito grande ao longo do ano. Mas a crise foi sentida de maneira completamente distinta entre os setores da economia, o que fez as ações do Ibovespa se movimentarem de forma diferente.

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Um levantamento da IHUB Investimentos, enviado com exclusividade ao E-Investidor, deixa ainda mais claro essa percepção e ressalta a disparidade das performances dos ativos entre o primeiro e o segundo semestre de 2020.

No primeiro semestre de 2020 (janeiro/junho), as cinco ações que mais se valorizaram foram B2W (BTOW3), 70,30%; Magazine Luiza (MGLU3), 50,31%; WEG (WEGE3), 46,72%; Via Varejo (VVAR3), 37,06%; e B3 (B3SA3), 31,24%. O IBOV caiu 17,80% nos seis primeiros meses do ano.

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Já na segunda metade do ano, até novembro, os destaques positivos foram CSN (CSNA3), 122%; Usiminas (USIM5), 85,97%; Azul (AZUL4), 83,94%; Bradespar (BRAP4), 70,94%; e Localiza (RENT3), 58,99%. Entre julho e o mês passado, o Ibovespa subiu 14,56%.

No agregado do ano, os cinco papéis que mais sobem, até o fechamento do mercado desta quinta-feira (10), são uma mistura dos dois semestres e uma “intrusa”. São eles: WEG (WEGE3), 106,34%, a R$ 71; CSN (CSNA3), 102,20%, a R$ 28,53; Magazine Luiza (MGLU3), 96,64%, a R$ 23,40; Bradespar (BRAP4), 74,53%, a R$ 64,28; e a PetroRio (PRIO3), 74,71%, a R$ 57,76 – que não havia aparecido nem no primeiro, nem no segundo semestre. No acumulado até 10 de dezembro, o principal índice da B3 cai 0,45%, aos 115.128,63, em 2020.

Momentos diferentes

Para especialistas do mercado, a diferença entre as ações que mais se beneficiaram nas duas metades do ano é explicada pelo momento oposto das perspectivas da pandemia e, consequentemente, das economias. Enquanto nos primeiros seis meses ninguém sabia até quando iria durar o isolamento social, se as mortes iriam cair e quando teríamos uma vacina, nos últimos havia um um maior número de respostas e alguns países já testavam vacinas na sua população.

Portanto, em um primeiro momento, se beneficiaram as empresas que tiveram seu modelo de negócios impulsionado pelas restrições sociais ou que não foram muito impactadas. Como as companhias de e-commerce, a WEG (sempre é resiliente à crise devido ao seu modelo de negócio) e a própria bolsa brasileira, que viu seu número de investidores saltar.

Já em uma segunda fase, subiram os ativos que sofreram no começo, mas estavam preparados para a recuperação econômica a partir da volta da circulação das pessoas. A valorização destes ativos aconteceu principalmente em novembro, quando o IBOV disparou mais de 15% e a Azul (AZUL4), por exemplo, subiu mais de 68%.

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“Ao vislumbrar uma vacina, o mercado deixou as queridinhas da bolsa de lado e apostou, em sua maioria, nas companhias de capital intensivo”, diz Daniel Abrahão, assessor de investimentos da iHUB.

CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Bradespar (BRAP4)

As três empresas saltaram no segundo semestre devido ao bom momento do setor de siderurgia e mineração. Com a recuperação das economias mundiais e o fim das eleições americanas, a demanda e os preços pelas matérias-primas aumentaram muito, o que alavancou os ativos.

“A demanda da China voltou a ser muito grande, o preço do minério de ferro disparou e o dólar alto, até a queda recente, também estava ajudando”, comenta Abrahão, salientando que a alta dos três papéis é explicada por este motivo.

No caso da Bradespar (BRAP4), que é uma empresa criada pelo Bradesco para administrar as participações acionárias do banco em instituições não financeiras, a valorização ocorreu pelo fato de a companhia ter a Vale (VALE3) com maior peso em seu portfólio.

O desempenho do ativo, portanto, sempre segue o VALE3, podendo variar um pouco para cima ou para baixo. “O minério de ferro chegou a cerca de US$ 156,58 a tonelada e deve se manter neste alto patamar por mais tempo, o que impulsiona as mineradores e siderúrgicas”, afirma José Francisco Cataldo, head de research da Ágora Investimentos.

Azul (AZUL4)

No caso da companhia aérea, o papel foi impulsionado principalmente a partir de novembro. No mês, as notícias positivas envolvendo uma vacina contra a covid-19 tomaram conta do mercado, o que alavancou todas as empresas do setor.

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Para os especialistas, a Azul (AZUL4) conseguiu se destacar, pois estava muito bem posicionada para a volta à normalidade das viagens. “A companhia manteve um caixa sólido durante toda a pandemia, o que a permitiu se aproveitar mais no pós-covid-19”, diz Cataldo.

Localiza (RENT3)

Além do setor de aluguel de carros estar em alta e ter perspectivas de avançar mais, a Localiza (RENT3) é a líder do segmento e apresentou resultados acima do esperado pelo mercado no terceiro trimestre do ano.

“A empresa tem uma execução muito boa, uma taxa de crescimento constante e é esperado mais um forte resultado no 4T20”, comenta Abrahão, da IHUB.

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