Os indicadores financeiros positivos refletiram na performance dos papéis da empresa, que não só devolveram todos os prejuízos do ‘Corona Crash’ de março como estão subindo cerca de 95% no ano, aos R$ 67,43. Em 29 de julho de 2019, a 12 meses atrás, as ações eram negociadas a R$ 23,60.
Esse bom desempenho aguçou o interesse dos seguidores do E-Investidor no Twitter, que escolheram a empresa para uma analise na semana.
De acordo com os especialistas, os bons resultados não são golpes de sorte. A empresa tem atuação bastante diversificada e está presente em segmentos como o de geração e distribuição de energia, equipamentos eletroeletrônicos industriais, motores comerciais e tintas e vernizes.
“A parte de equipamentos eletrônicos é mais dependente do aquecimento da indústria e por consequência, do aquecimento da economia”, afirma Daniel Herrera, analista da Toro Investimentos. “Mas o setor de energia renovável, no qual a empresa tem forte presença, é muito promissor e tem apresentado grandes taxas de crescimento.”
Outro fator importante é que a multinacional possui cerca de 60% da receita em dólar, moeda que acumula valorização de quase 30% no ano. Vista essa situação, comprar os papéis da companhia, após tanta valorização, ainda seria um bom negócio? A multinacional ainda tem espaço para crescer? Se os nossos leitores querem saber, nós fomos atrás dessas respostas.
Papéis podem ter chegado ao pico
Já dizia o velho mantra para investidores que querem evitar prejuízos: venda quando as ações estiverem valorizadas e compre quando acontecer o inverso. E, para Herrera, os papéis da Weg já chegaram no pico de preço.
“A Weg é muito forte, tem números operacionais quase irrepreensíveis, mas vemos que essa alta está um pouco excessiva”, diz o analista. “A empresa praticamente triplicou de tamanho nos últimos meses, não acho que manter esse nível de crescimento é possível.”
Atualmente, a Toro Investimentos não recomenda compra de ações de Weg por conta da sobrevalorização no preço. Na visão de Herrera, o 3º trimestre deve trazer resultados menos robustos para a empresa, por conta principalmente de expectativa de retração do mercado interno e maior estabilidade no dólar.
“A Weg foi muito beneficiada pelos picos na cotação do dólar, mas não achamos que a moeda vá continuar a se valorizar assim”, diz. “A empresa pode até ter resultados mais positivos caso o mercado externo continue melhorando, mas eu não aguardaria um crescimento tão forte quanto nesse 2º trimestre.”
Essa também é a opinião de José Cataldo, head de research da Ágora Investimentos. “A empresa já está bem precificada, por isso temos recomendação neutra para os papéis”, declara. “O nosso preço-alvo para a Weg é de R$ 40, bem abaixo do que está sendo negociada hoje.”
Já Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, acredita que a Weg tem capacidade para se reinventar e continuar ganhando espaço no mercado de maneira mais acelerada. De acordo com o especialista, a multinacional é gerida de maneira inteligente e tem o histórico de fazer boas aquisições – que podem injetar mais ânimo entre os investidores e sustentar o preço dos papéis.
“Em um momento que chovem dúvidas em outras empresas e setores, quando sobram certezas em uma única empresa, o mercado precifica”, ressalta Arbetman. “Ela tem uma dinâmica diferente, sabe como manter as suas margens e demonstrou uma resiliência acima do normal, é um segmento que ainda guarda oportunidades em 2020.”
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