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Mercado

É muito bom o investidor olhar para o setor de energia, diz CEO da Engie

Eduardo Sattamini fala sobre as perspectivas para o setor e evoluções no ambiente regulatório

Eduardo Sattamini, diretor-presidente da Engie Brasil Energia
Eduardo Sattamini, diretor-presidente da Engie Brasil Energia. Foto: Divulgação/Engie Brasil
  • O setor de energia é considerado um dos mais resilientes a crises, inclusive à pandemia do coronavírus
  • Novidades como a Lei do Gás e sanção da Lei do Risco Hidrológico só fortalecem o ambiente de negócios segmento, que deve ficar ainda mais atrativo para os investidores
  • De acordo com o diretor-presidente da Engie Brasil, maior empresa privada de energia do Brasil, já há muita competitividade em relação às fontes de energia renováveis e o futuro deve trazer novidades, como o uso do hidrogênio

O setor de energia foi destaque no primeiro semestre de 2020 pela grande resiliência à crise do coronavírus. Pouco impactadas, as empresas de energia não deixaram os planos de expansão para trás e o segmento ainda obteve grandes avanços em relação ao ambiente regulatório, com a sanção da Lei do Risco Hidrológico, que versa sobre a diminuição do risco na geração de energia, e a nova Lei do Gás, que pretende abrir o mercado do combustível e ampliar competitividade.

De acordo com Eduardo Sattamini, diretor-presidente da Engie Brasil Energia (EGIE3), maior empresa privada de energia no País, a empresa vive um momento de ‘colheita’ dos investimentos feitos no passado e o setor passa por um momento de consolidação e amadurecimento. A companhia quase dobrou o lucro líquido no segundo trimestre do ano, para R$ 765,8 milhões, ante R$ 380,4 milhões no mesmo período de 2019. Em relação à quantidade de energia vendida no trimestre, a alta foi de 1,2%, para 4.073 MW.

“Continuamos buscando mais oportunidades e crescimento, em um mercado que está ficando cada vez mais sofisticado e competitivo”, explica Sattamini. A Engie Brasil Energia também faz parte do Índice de Sustentabilidade (ISE) e busca diminuir as emissões de carbono nas atividades às quais estão envolvidos. Para o E-Investidor, o executivo falou sobre os planos da companhia de energia para o próximo ano, riscos e futuro do mercado de energia.

E-Investidor: O setor de energia continua sendo um dos mais resilientes em períodos de crise?

Eduardo Sattamini: O setor energia vive um momento muito bom. Nós conseguimos desatar um nó de anos que era o risco hidrológico. Foi sancionada a Lei do Risco Hidrológico [que estabelece medidas para reduzir o risco envolvido na geração de energia], agora em 8 de setembro. Então resolveram uma pendência regulatória de quase sete anos, o que restabeleceu a confiança no ambiente de negócios.


Também estamos passando por um momento interessante em que o Ministério de Minas e Energia está trazendo parte do projeto de modernização do marco regulatório do setor para a discussão, através da edição de uma medida provisória no início de setembro, que fala de fim de subsídios, segurança na comercialização, sobre a possibilidade de contratação de reserva de potência. Coisas que serão bastante úteis na modernização do marco regulatório do setor elétrico e que vão fazer com que o setor fique cada vez mais competitivo, dinâmico e com uma regulação mais adequada para o investidor.

E-Investidor: Com a sanção da lei sobre risco hidrológico, o setor fica mais atrativo para o investidor?

Sattamini: Com isso, tiramos parte das dúvidas regulatórias que existiam por trás do risco hidrológico. Uma parte, entretanto, ainda permanece. Nós ainda temos que resolver algum excesso de energia de papel que nós temos no setor, mas isso também deve ser encaminhado de forma adequada nos próximos anos. O Governo tem sido bastante ativo e o Legislativo tem apoiado essas alterações.

Mesmo um setor regulado sempre precisa de atualização. Uma regulação nunca é perfeita, tem sempre que ser atualizada à medida que o ambiente de negócios muda. Mas nós temos mostrado no setor uma maturidade para isso, haja vista a solução que foi dada agora durante a pandemia para as distribuidoras. Todo setor rapidamente se juntou com as autoridades e Governo para que pudéssemos encontrar uma solução para o problema imediato de liquidez nas distribuidoras. Isto é, tudo foi feito com muita maturidade.

É muito bom o investidor olhar para um setor que tem evoluído e mostrado estabilidade regulatória dentro de uma dinâmica adequada. Não queremos uma regulação estática. Queremos que tenha estabilidade, mas que evolua. E é isso que tem acontecido.

E-Investidor: E como o senhor vê os resultados da participação na Transportadora Associada de Gás (TAG) e a nova Lei do Gás, que traz mais competitividade ao setor?

Sattamini: A TAG teve uma contribuição bastante significativa nos nossos números do último trimestre, em função as melhorias do plano de negócios e redução da taxa de juros. Com relação à nova Lei do Gás, existe sim uma grande expectativa que essa lei venha a possibilitar uma abertura maior de mercado, com isso um desenvolvimento maior do mercado de gás, que é o que a gente precisa, como um operador de gasodutos.

Em resumo, nós precisamos que existam clientes, produtores e consumidores de gás, para que possamos fazer com que o nosso negócio de operação de gasodutos seja sustentável no longo prazo. Em que pese, temos que ter bastante segurança em relação a esses primeiros anos de operação, em função da modalidade que foi utilizada pela Petrobrás para a venda do gasoduto, que acontece por meio de contratos de longo prazo que garantem grande parte da nossa receita.

E-Investidor: A empresa manteve a previsão de investimentos de R$ 7 bilhões entre 2020 e 2021. Para quais projetos serão destinados esses recursos?

Sattamini: Hoje, temos três grandes obras em construção. Uma delas é Campo Largo II, um parque eólico na Bahia que deve entrar em operação no primeiro trimestre do ano que vem. O projeto é da ordem de quase de R$ 2 bilhões de investimentos. Nós também temos a linha de transmissão de Gralha Azul, no estado do Paraná, que entra em operação comercial em setembro de 2021, com um investimento da ordem de R$ 2,5 bilhões.

Temos nos estados do Pará e do Tocantins a linha de transmissão que chama Novo Estado, que adquirimos neste ano e entra em operação até o final de 2021, com investimentos da ordem de R$ 3,3 bilhões. Ou seja, temos um valor acima de R$ 7 bilhões que está sendo comprometido entre 2020 e 2021 nesses três grandes projetos que estamos empreendendo. E a gente não pode parar. São obrigações que nós temos com o regulador, de entregar essas linhas, e com os nossos clientes para quem nós vendemos a energia e precisamos agora entregar.

E-Investidor: A crise do coronavírus atrapalhou o andamento desses projetos?

Sattamini: Apesar da pandemia, não paramos os investimentos e fizemos todo o esforço para manter as obras no ritmo adequado. Obviamente tivemos que ter muito mais cuidado na seleção, movimentação de pessoal, discussão com as autoridades sanitárias locais, mas as coisas de certa maneira começaram a voltar à normalidade.

E-Investidor: Recentemente a empresa recebeu também um aporte de R$ 500 milhões do Itaú. Como serão investidos esses recursos?

Sattamini: Esses recursos fazem parte da estrutura financeira que nós montamos para o desenvolvimento do projeto de Novo Estado. É especificamente na holding que detém os direitos da concessão desse projeto. Então ele vem para fazer uma estruturação financeira que traga uma melhor rentabilidade para o projeto como um todo. É uma parceria com o banco, mas que visa estruturar o capital do Novo Estado especificamente, da forma mais eficiente possível.

E-Investidor: Como o senhor avalia o momento que a Engie Brasil Energia está vivendo?

Sattamini: A Engie está passando por um momento de colheita. A empresa andou fazendo grandes investimentos nos últimos três anos e esses investimentos começam a dar retornos, a entrar em operação. Com isso iremos começar a apresentar um crescimento dos nossos números, como faturamento, EBITDA e lucro líquido. Então é a fase do início da colheita, que deve continuar mais um tempo. É um momento muito gratificante, em que você colhe os frutos do esforço feito em um passado recente. Mas isso não nos dá a tranquilidade para descansar. Continuamos buscando mais oportunidades e crescimento, em um mercado que está ficando cada vez mais sofisticado e competitivo, e isso demanda muita atenção do nosso time e muito trabalho.

E-Investidor: Qual é o maior risco para vocês?

Sattamini: Temos o risco comercial, a sobre-oferta e a ação do planejamento do Governo. Quer dizer, se definirmos uma oferta maior que a demanda, você acaba tendo pressão baixista de preço. A gente tem que ter um mercado equilibrado, nem sobre-ofertado, nem subofertado. Esse que eu diria que é o grande desafio dos agentes, de ter um mercado competitivo, mas que não venha também desestimular novos investimentos por uma guerra de preços, ou por uma redução de atratividade do setor para os investidores.

E-Investidor: Como a empresa está posicionada em relação ao ESG?

Sattamini: Somos uma das poucas empresas que fazem parte do índice de sustentabilidade da B3 desde o nascimento do indicador, em 2005. Em uma empresa de energia, principalmente uma empresa geradora de energia, o ESG está muito presente no nosso dia a dia.

Estamos inseridos normalmente em regiões bastante carentes do interior do País. E quando andamos pelo interior do País nós vemos a carência das pessoas por oportunidades, por cultura, e nós estamos sempre desenvolvendo junto aos nossos projetos, algumas ações de responsabilidade social e educativas. Nós temos hoje seis centros de cultura que foram criados para dar oportunidade para essas pessoas, para tirar as crianças da rua, para ensinar um ofício, operar no contraturno o desenvolvimento dessas crianças.

Foram feitos também para dar à população uma oportunidade de contato cultural, para os mais velhos terem uma atividade mais lúdica, aula de dança, ver um teatro, um cinema, em cidades que às vezes a única sala de projeção que tem em centenas de quilômetros está no centro de cultura que a Engie patrocina, desenvolve e entrega à sociedade. Esse é um exemplo dessas atividades de responsabilidade social que são inerentes à nossa atividade de desenvolvedor de grandes projetos de infraestrutura.

E-Investidor: E sobre as questões de meio ambiente e governança?

Sattamini: Obviamente o meio ambiente está atrelado a isso, porque na hora que nós estamos atuando nessas grandes obras, nós temos que ter todo o cuidado com o meio ambiente. Nós precisamos cuidar da flora, da fauna, fazer resgates e compensações. Então temos parques ambientais que foram criados exatamente nesse sentido, para de alguma forma compensar o dano causado pelo empreendimento. E normalmente a gente faz isso com muito carinho, muita vontade e com resultados bastante compensadores para a sociedade.

Na questão de governança, última letra o ESG, a gente tem evoluído bastante. Adotamos todas as melhores práticas de governança, somos referência nas transações entre partes relacionadas e citados em vários fóruns especificamente pela governança que fizemos ali por volta de 2010 e 2011, quando a gente transferia ativos do controlador para a empresa listada. Isso é um exemplo de como a gente vai buscando melhorar nossas práticas de governança, aplicar essas melhores práticas e sermos referência também nesse aspecto.

E-Investidor: As energias renováveis já são sustentáveis financeiramente para as empresas do setor? 

Sattamini: Atualmente, as fontes renováveis são as fontes mais competitivas. Tanto é que uma das medidas recentes do Governo foi retirar o subsídio dessas fontes renováveis, porque elas já eram competitivas mesmo sem o subsídio. Então, é muito fácil continuarmos o desenvolvimento através da energia limpa e contribuindo cada vez mais para diminuir nossa pegada de carbono e descarbonizar ou neutralizar as emissões de carbono dos nossos clientes.

E-Investidor: Falando de descarbonização, como está o processo de venda iniciado ainda em 2017 dos ativos a carvão da companhia?

Sattamini: Existe muita resistência aos ativos a carvão. A venda de um ativo como esse trás grandes dificuldades. E o nosso cuidado também é que por trás de uma usina a carvão, não tem apenas uma quantidade de megawatts/hora que estão sendo gerados, mas toda uma comunidade.

Então, para dar um exemplo, nós temos hoje quase 400 colaboradores diretos em uma usina a carvão no sul do estado de Santa Catarina, mais de 600 terceirizados, e além disso temos uma grande quantidade de gente envolvida em toda cadeia do carvão, quase 3000 pessoas adicionais a isso. Então, quando você essa quantidade de gente, a economia que está por trás da usina, uma decisão quanto a esse ativo é muito sensível e tem que ser tomada com bastante cuidado.

É por isso que nós ainda não conseguimos desenvolver uma fórmula onde pudéssemos atender o aspecto da redução das emissões de carbono com a desativação ou venda dos ativos, que também que não deixasse desatendida uma parte da população. Esse é o nosso desafio: encontrar uma fórmula que não seja danosa nem por um aspecto, nem pelo outro desse tão falado ESG.

E-Investidor: O que se pode esperar do futuro do mercado de energia? Quais inovações estão no radar?

Sattamini: Temos visto que essas fontes renováveis tem melhorado muito no aspecto tecnológico, aumentado muito a eficiência e cada vez estão penetrando mais nas matrizes. Nós vemos, por exemplo, como uma nova fronteira o desenvolvimento de baterias. Fala-se também no hidrogênio como um combustível alternativo ao combustível fóssil. Existe aí uma fronteira bastante grande de desenvolvimento tecnológico que deve surgir ao longo dos próximos anos para melhorar a qualidade da energia, diminuir as emissões e melhorar a eficiência e o cuidado com o planeta.

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