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Mercado

Rodrigo Abreu: ‘Oi deve voltar a ser sustentável entre 2022 e 2023’

O CEO fala sobre a sua visão para o futuro da companhia de telecomunicações

Rodrigo Abreu, CEO da Oi
Rodrigo Abreu, CEO da Oi, explica sobre a separação estrutural pela qual a companhia irá passar. Foto: Divulgação/Oi
  • A Oi está em recuperação judicial desde 2016. De lá para cá, a empresa passou por altos e baixos e agora segue um novo plano de transformação
  • A companhia está em processo de venda de ativos para cobrir dívidas e pretende focar em infraestrutura, de olho nas novas oportunidades, como o modelo de rede neutra e o 5G
  • Rodrigo Abreu, CEO da companhia, explica o que esperar da Oi no futuro e como enxerga os novos passos da empresa em direção à sustentabilidade financeira

Nesses últimos quatro anos em que a Oi (OIBR3) ficou em recuperação judicial, os papéis da operadora passaram por muitos altos e baixos. No início de 2014, por exemplo, as ações eram cotadas a R$ 35. Mas em 2016, quando entrou com pedido de recuperação, os ativos amargaram queda de 90% e passaram a valer poucos centavos.

O que parecia um fim trágico de uma empresa tão presente no dia a dia dos brasileiros, entretanto, ganhou novos contornos. O aditivo ao plano de recuperação, aprovado em outubro deste ano, trouxe medidas que deram fôlego para a Oi. Entre elas a venda de R$ 22,8 bilhões em ativos – inclusive a parte móvel da operadora – e o maior foco no segmento de infraestrutura.

A expectativa de recuperação impulsionou os papéis, que até o fechamento da última quarta-feira (11) estavam em alta de 101,16% ao ano, para R$ 1,73.

Rodrigo Abreu, CEO da Oi, diz que a empresa pretende voltar a ser sustentável e geradora de caixa a partir de 2022 a 2023. Para o E-Investidor, o executivo explica os objetivos desta nova ‘Oi’ e as perspectivas para o futuro, principalmente no que diz respeito aos projetos de infraestrutura, após o fim de todo o processo de reestruturação.

A entrevista foi feita antes da divulgação do balanço do 3º trimestre, publicado em 12 de novembro. O relatório financeiro apontou que a Oi teve prejuízo de R$ 2,6 bilhões entre julho e setembro deste ano. O resultado representa uma melhora de 54,1% em relação ao mesmo período de 2019, quando a empresa teve queda de R$ 5,7 bilhões.

E-Investidor: As ações da Oi registram alta de 100% no ano. Como o Sr. enxerga essa volatilidade?

Rodrigo Abreu – Na nossa visão, a performance da participação da Oi no mercado acionário vem do fato de que há algum tempo existia uma percepção de risco muito maior na execução do plano de transformação. De lá para cá, temos demonstrado, de maneira bastante consistente, que todas as propostas que a companhia fez têm sido feitas.

A venda de ativos ocorre em linha com o crescimento da fibra e a redução de custos. A possibilidade de olhar para o futuro com um modelo sustentável se desenhou com a aprovação do aditivo ao plano de recuperação judicial. A redução da nossa dívida também foi aprovada em plano e vai acontecer a partir da venda de ativos que estamos realizando. Logo, a percepção de execução e da relação entre o risco e potencial da Oi certamente mudou ao longo do tempo.

Algumas consultorias projetam que a Oi deve retomar o lucro em 2021, outras afirmam que só em 2024. Quando isso deve acontecer?

A expectativa é a companhia voltar a ser uma empresa sustentável, gerando caixa, a partir de 2022 e 2023. Vamos lembrar que com o modelo de separação estrutural, a Oi passa a ter uma atuação focada no cliente e também uma participação na empresa de infraestrutura [Infraco], que é um modelo de negócio bastante diferente, que gera um EBITDA mais alto, mas com necessidade de investimentos maiores. A visibilidade é que essas empresas a partir de 2022 ou 2023 passem a ter essa capacidade de geração de caixa e de resultados bastante positivos.

Como parte da recuperação judicial, a Oi deve vender torres, data centers, rede móvel e parte da unidade de infraestrutura. No final, que ‘Oi’ deve emergir desse processo de reestruturação da empresa?

Quando nós fizemos o nosso plano no ano passado, ficou muito transparente que para poder ter um futuro sustentável, de crescimento, nós precisaríamos mudar o nosso foco de atuação. Então a Oi sempre foi uma empresa que fez tudo para todo mundo, em todos os lugares e com todas as tecnologias, e fez bem. No entanto, para ter a capacidade de investimento necessária para poder disputar a liderança em todos os segmentos nos quais ela atua, e vai continuar atuando, e para poder criar uma sustentabilidade, até mesmo do ponto de vista financeiro, nós tomamos uma decisão de focar nossa operação na infraestrutura de fibra ótica e nos serviços associados a essa infraestrutura.

E nesse sentido, foi tomada uma decisão estratégica de considerar a possibilidade da venda da operação móvel. Com isso, o que fica da Oi em relação a sua atuação: fica tudo que nós continuamos a fazer, como o atendimento de banda larga residencial, o nosso atendimento de telefonia, o nosso atendimento de banda larga que já existe no cobre, a nossa operação de televisão, operações de mercado empresarial, com o Oi Soluções.

Também estamos investindo cada vez mais para transformar a Oi em uma grande marca corporativa e de consumo. Com a exceção da saída do móvel, passamos também a acrescentar ao nosso portfólio de soluções de telecomunicações, que é a base da companhia, uma série de serviços e visões para nos transformarmos em uma empresa de experiências digitais.

E como funcionará esse modelo mais focado em infraestrutura?

Estamos fazendo um investimento para a criação da maior empresa de infraestrutura do País, que é a nossa Infracompany [Infraco]. Faremos um modelo de separação estrutural, que é muito tradicional em alguns países, mas no Brasil vai ser a primeira vez que será feito. Significa separar a empresa que tem toda a atividade de cliente de um lado – ou seja, produtos, desenho, atendimento, portfólio, vendas, marketing e resolução de problemas – e do outro ter uma empresa destacada que é focada em infraestrutura, em particular a de fibra.

Essa empresa de infraestrutura obviamente permitirá que a Oi possa prestar os seus serviços, mas também poderá fornecer [infraestrutura] para outros players de mercado, expandindo assim o seu papel para se tornar a maior empresa de infraestrutura do País.

Em questão financeira, quais serão as diferenças entre as empresas ‘Oi Cliente’ e ‘Oi Infraestrutura’?

Nesse lado da infraestrutura o foco é realmente no investimento de longo prazo. São investimentos que são feitos para retorno em muitos anos e investimentos bastante pesados, em capital, tecnologia, fibra e infraestrutura. É uma companhia que tem que ter uma excelência operacional muito grande, voltada para gestão da tecnologia, e que tem que pensar em manter os seus serviços com um nível de qualidade altíssimo, criando uma rede enorme.

Além disso, a empresa de infraestrutura tem um tipo diferente de gestão, de atratividade de investidores, um tipo de capacidade para assumir dívidas de longo prazo, porque ela gera um resultado muito alto, de EBITDA, muito diferente da outra parte da empresa que é voltada a clientes. Nesta, existe um foco absolutamente obsessivo em experiência do cliente, trazer inovação, portfólio, de estar testando coisas o tempo inteiro, em ter um ecossistema de parceiros de provedores de solução que vão complementar nossas ofertas – mas obviamente usando para isso toda a infraestrutura disponibilizada pela outra empresa do grupo.

Existem outros players também estudando esse modelo de rede neutra, ou seja, de fornecer infraestrutura para provedores, em uma ‘rede aberta’. Como a Oi enxerga a concorrência nesse novo mercado?

Já começamos o nosso projeto com 400 mil quilômetros de fibra e com uma visão de passar essa fibra ótica em mais de 30 milhões de casas, além obviamente de toda a fibra que vai conectar as antenas de 5G, as antenas de 4G, os pequenos provedores e clientes corporativos.

Acho que os outros projetos são todos interessantes. Existe espaço para infraestrutura, o País precisa disso, mas o nosso projeto tem uma ordem de magnitude diferente dos demais. E que vai ser, na nossa visão, o único verdadeiramente neutro, ou seja, com uma operação que não é controlada por um player de mercado. Até porque a Oi Cliente não vai interferir nas decisões da Oi Infraestrutura.

Sobre venda de ativos, já existe previsão para a conclusão das vendas da Oi Móvel?

Deverá acontecer no meio de dezembro. Já existe a proposta preferencial de R$ 16,5 bilhões [feita pelo consórcio formado por Tim, Vivo e Claro], mas outras deverão ser apresentadas, e essa preferencial poderá cobrir.

Sobre a venda de parte da unidade de infraestrutura, vocês já estão recebendo ofertas vinculantes?

No caso da proposta de infraestrutura, que é mais complexa, ainda precisamos definir muitas coisas em relação a como vai ser feita essa transição. Esse processo começou um pouquinho depois do que o da Oi Móvel, na metade do ano. Então nós fizemos a primeira fase, que foi o recebimento de ofertas não vinculantes.

Essas ofertas não vinculantes nos levaram até mesmo a estabelecer um preço mínimo de referência para o valor de firma da empresa de infraestrutura, em R$ 20 bilhões. Agora, nós estamos na segunda fase do processo que é de dirigências detalhadas, de discussões com o time de gestão, de visitas a campo, com todos os proponentes do processo. Nós ainda não recebemos propostas vinculantes. Essas propostas deverão ser recebidas até o início do ano que vem.

A partir daí vai ser feito também a seleção da melhor proposta para ser a preferencial, e vai ser realizado um processo judicial que muito provavelmente acontece ainda no primeiro trimestre do ano que vem. Os dois processos [venda da Oi Móvel e parte da infraestrutura] têm uma expectativa de conclusão das operações e recebimentos de recursos até o terceiro ou o quarto trimestre do ano que vem.

A Oi afirmou que iria participar de leilões de 5G, mesmo com a venda da Oi Móvel em andamento. Qual o o objetivo da Oi com o 5G?

Duas observações aqui em relação ao 5G: nós temos demonstrado interesse na participação dos leilões, inclusive fizemos recentemente o lançamento da nossa operação piloto em Brasília, com uma frequência totalmente dedicada ao 5G. Então, até que a venda da operação móvel se conclua, nós continuamos atuando de maneira absolutamente independente.

Além disso, o 5G tem uma característica adicional, pois é uma frequência que pode ser usada não só para a prestação de serviços móveis, mas também para a prestação de outros tipos de serviço, incluindo o chamado FWA, que é o acesso fixo sem fio, uma tecnologia que em cidades com menor densidade populacional, em áreas de mais difícil acesso para passar redes completas de fibra, por exemplo, é possível usar o 5G para provimento de serviços de banda larga.

No nosso caso ainda vale uma observação de que o 5G vai precisar de uma infraestrutura de fibra muito grande para poder ser implementado, e aí eu remeto novamente a nossa estratégia de centrar a nossa atuação em nossa infraestrutura de fibra ótica.

Qual foi o aprendizado que a Oi tirou do antigo plano de recuperação judicial?

Talvez um grande aprendizado tenha sido que, naquele primeiro plano, um dos componentes mais importantes para tudo que está acontecendo nesse momento tenha sido justamente a criação de um modelo de governança muito sólido e bastante transparente, que transformou a companhia no que nós chamamos de True Corporation, uma companhia sem controlador, com um conselho basicamente todo independente e uma gestão muito dedicada e focada no plano de transformação

Um segundo aprendizado talvez seja também que dá para acelerar mais, que podemos fazer as coisas mais rápido, mas a direção de tudo que tem sido executado ao longo do plano está bastante correta. E isso começou com a aprovação daquele plano no final de 2017.

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