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Investimentos

Crise nas empresas do agronegócio pode afetar os dividendos de Fiagros?

Gestores dos fundos revelam problemas financeiros de empresas do setor que compõem suas carteiras de investimento

Por Daniel Rocha

25/05/2023 | 10:22 Atualização: 26/05/2023 | 7:23

Os fiagros são fundos que financiam as atividades do agronegócio (Foto: Envato Elements)
Os fiagros são fundos que financiam as atividades do agronegócio (Foto: Envato Elements)

Os cotistas dos fiagros XP Crédito Agro (XPAG11) e XP Crédito Agrícola (XPCA11) foram notificados há uma semana sobre a situação financeira da Usina Açucareira Ester. A empresa que faz parte do portfólio dos dois fundos entrou com um pedido de recuperação judicial. E a situação não é um problema isolado. Os investidores do Fiagro Valora CRA (VGIA11) também foram informados da reestruturação de dívidas da Cooperativa Languiru, que faz parte do portfólio do fundo, em fevereiro.

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Os casos recentes alertam os investidores sobre o possível impacto dessas dificuldades financeiras para a rentabilidade dos fundos. No entanto, até o momento, assim como ocorre com os fundos imobiliários (veja os detalhes nesta reportagem), os Fiagros parecem estar resilientes a esses episódios e esbanjam um dividend yield (DY) elevado.

Segundo levantamento da Economatica, em maio, o dividend yield médio dos FIAgros negociados na Bolsa foi de 1,34%. Ao considerar o benefício da isenção do Imposto de Renda, o retorno ao investidor chega a 1,57%. Já os fundos VGIA11 e XPCA11, por exemplo, não estiveram entre os 10 Fiagros com os maiores DY mensal neste mês, mas apresentaram um rendimento de 1,35% e de 1,32%, respectivamente.

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O alto retorno em dividendos tem relação com o portfólio dos fundos. De acordo com Raphael Vieira, co-head de Investimentos da Arton Advisors, a maioria dos Fiagros do mercado investe em Certificados de Recebíveis do agronegócio (CRAs), títulos de dívida atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário) que costumam acompanhar a taxa de juros.

“Dada a indexação ao CDI das carteiras, quanto maior os juros, maior tende a ser a distribuição nominal dos Fiagros”, informa Vieira. Vale lembrar que, desde agosto do ano passado, a Selic segue no patamar de 13,75% ao ano.

Rentabilidade mensal não é tudo

Mesmo com o bom desempenho, o alerta deve ser mantido: os investidores precisam ficar de olho na gestão e na qualidade dos ativos que compõem o portfólio dos Figaros. O cuidado ajuda a avaliar o potencial de risco que o produto oferece ao investidor e na sua capacidade de entregar resultados. Segundo Artur Losnak, head de FIIs do TC, além das condições climáticas, os riscos em Fiagros posicionados em CRA também estão presentes no tomador da dívida.

“É importante entender a diversificação da carteira do Fiagro e as garantias envolvidas. O gestor precisa ser cuidadoso ao dar crédito para alguém e ter instrumentos de recuperação dos recursos (como executar garantias), se for necessário”, ressalta Losnak.

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Outro ponto relevante é a comunicação dos gestores e das empresas que compõem o portfólio. Se as informações não estiverem alinhadas, Juliana Mello, sócia da Fortesec, afirma que o investidor precisa ter cautela. “A comunicação precisa fluir de forma transparente”, diz Mello.

A característica econômica do agronegócio também deve ser considerada antes de alocar recursos nesta classe de ativos por se tratar de um setor, influenciado pelo mercado internacional e também pelos períodos de safra. ”É preciso entender qual é a estrutura da operação para saber se está adequada ao seu perfil de investidor e se as garantias estão bem constituídas”, acrescenta Mello.

Por esse motivo, a sazonalidade do negócio pode estimular no mercado no futuro,  na visão de Paulo Fróes, diretor de finanças da StoneX, uma mudança nos períodos de distribuição de dividendos. “No agronegócio, é muito mais factível uma distribuição no trimestral ou semestral do que mensal”, destaca Fróes.

Crise nas empresas do agro?

No dia 12 de maio, os gestores dos fiagros XP Crédito Agro (XPAG11) e XP Crédito Agrícola (XPCA11) comunicaram aos cotistas sobre o pedido de recuperação judicial por parte da Usina Ester, empresa em que os dois fundos possuem posição. Segundo os comunicados divulgados ao mercado, os CRAs emitidos pela empresa representam 1,16% do patrimônio líquido (PL) do XPCA11 e 1,63% do PL do XPAG11.

A XP informou que segue acompanhando o processo de RJ da Usina Ester para garantir a realização dos pagamentos das dívidas. “A gestão fará o melhor trabalho para garantir a recuperação do crédito e conta com uma área especializada nesse tipo de trabalho”, informaram os gestores.

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Um episódio semelhante aconteceu com o fiagro Valora CRA (VGIA11). Em fevereiro, os cotistas foram informados da reestruturação de dívidas da Cooperativa Languiru, que faz parte do portfólio do fundo. Na época, a gestão do VIGIA11 informou que estava acompanhando de perto todos os ativos da carteira do fundo e que a equipe estava trabalhando para aumentar a diversificação da carteira.

Já em abril, por meio do seu relatório mensal, os gestores do fundo informaram que foi adicionado uma garantia de alienação fiduciária de máquinas e equipamentos nos CRAs da Cooperativa Languiru no montante de R$ 50,1 milhões. A gestão esclareceu ainda que permanece acompanhando de perto os  ativos da carteira do Fundo e informou que até o momento a remuneração dos CRA continua sendo executada.

De fevereiro, quando a reestruturação da dívida foi anunciada, até o pregão desta quinta-feira (25), o fiagro sofreu uma desvalorização de 4,45%, sendo cotado a R$ 9,44.

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