A empresa registrou lucro líquido ajustado de R$ 670 milhões no 4T25. A cifra representa uma queda trimestral de 38,5% e uma alta de 0,5% sobre o visto no quarto trimestre de 2024.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 2,374 bilhões no trimestre, queda de 13,3% na comparação trimestral e de 0,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a receita líquida somou R$ 16,974 bilhões no quarto trimestre, com queda de 5,6% na relação trimestral e alta de 0,9% na anual.
A companhia aprovou a distribuição de dividendos no valor de R$ 197,5 milhões, o equivalente a R$ 0,10 por ação. Foi aprovado ainda o repasse de R$ 66,2 milhões da Metalúrgica Gerdau (GOAU4), correspondente a R$ 0,05 por ação.
O conselho de administração da Gerdau também anunciou um novo programa de recompra de ações com o objetivo de adquirir até 55 milhões de ações preferenciais e até 1.441.120 de ações ordinárias. O programa se inicia nesta terça-feira e terá prazo máximo de 18 meses, ou seja, até 24 de agosto de 2027.
Operação nos EUA é destaque
Na visão do BTG Pactual, os números da Gerdau vieram em grande parte em linha com o consenso, mas ligeiramente abaixo das estimativas do banco (3% menores). Operacionalmente, os Estados Unidos foram novamente o destaque positivo do trimestre, com margem Ebitda de 21,1%, acima da projeção de 20,8% do BTG.
Por outro lado, a margem Ebitda no Brasil recuou para 7,1%, o nível mais baixo desde o quarto trimestre de 2015. O BTG avalia que a Gerdau agora é, em grande parte, uma siderúrgica americana, com mais de 70% do Ebitda vindo da região, o que o banco vê como uma vantagem competitiva frente aos pares brasileiros.
Além disso, o BTG pontua que a empresa anunciou um impairment (uma reavaliação que reduz o valor de ativos no balanço) “inesperado” de R$ 2 bilhões em seus ativos no Brasil, o que é mais um indicativo de como as condições de mercado seguem desafiadoras por aqui.
O banco continua preferindo a Gerdau em termos relativos, pois a vê como a siderúrgica de maior qualidade da região. Ainda assim, após a recente valorização e com menor potencial de alta a partir dos níveis atuais, mantém recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 25.
Desempenho no Brasil ainda preocupa
A Ágora Investimentos avalia que o desempenho ainda fraco das operações domésticas e sul-americanas tende a neutralizar a leitura positiva do mercado no curto prazo.
A corretora também sinaliza que a geração de caixa da empresa foi sólida, atingindo R$ 1,4 bilhão no trimestre, mas contou com uma liberação pontual de capital de giro de R$ 1,4 bilhão, o que limita a extrapolação dessa tendência.
“Mantemos recomendação neutra para Gerdau: entendemos que a recente valorização das ações já precifica o bom momento norte-americano, enquanto vemos espaço limitado para uma retomada mais consistente no Brasil ao longo do primeiro semestre de 2026”, afirma a Ágora, que tem preço-alvo de R$ 21 para a ação.
O que esperar para 2026?
Olhando para o primeiro trimestre de 2026, o Itaú BBA acredita que a operação da Gerdau na América do Norte continuará ditando o ritmo, com preços mais altos sustentando novos aumentos nos spreads metálicos (a diferença entre o preço de venda e o custo das matérias-primas). O banco também espera resultados ligeiramente melhores no Brasil devido à redução dos custos de manutenção.
O BBA tem recomendação ourperform (equivalente à compra) para a Gerdau, com preço-alvo de R$ 24. O banco acredita que o balanço sólido da empresa sustenta a continuidade de recompras de ações ou a distribuição de dividendos extraordinários.