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Mercado

Gestora do Banco do Brasil tem a maior captação líquida de 2020

Instabilidade, redução da Selic e auxílio emergencial motivaram alta de buscas por fundos

Homem andando de máscara em frente ao Banco do Brasil.
Agência do Banco do Brasil. (Amanda Perobelli/Reuters)
  • Em um ano movido a adversidades, o BB DTVM, gestora do Banco do Brasil, conseguiu ter uma captação líquida de R$ 80,1 bilhões
  • O panorama de 2020 para o BB DTVM destoou bastante da conjuntura enfrentada por duas outras instituições financeiras tradicionais. As assets do Itau e do Bradesco tiveram mais saques do que entradas de capital no período
  • Os dados são da Anbima, captados entre dezembro de 2019 e dezembro de 2020

Em um ano movido a adversidades, o BB DTVM, gestora do Banco do Brasil, conseguiu ter uma captação líquida de R$ 80,1 bilhões – a maior entre essas instituições, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O volume captado é quase três vezes superior ao obtido pela segunda colocada, XP Asset, com R$ 29,3 bilhões. Em terceiro lugar ficou a gestora da Caixa Econômica (Caixa Asset), com R$ 22,2 bilhões.

O dado fica ainda mais curioso se considerado o perfil da BB DTVM, gestora focada em renda fixa, segmento que veio perdendo atratividade devido aos cortes na Selic. Só entre janeiro e dezembro de 2020, por exemplo, o número de pessoas físicas na Bolsa aumentou 94%, para 3,4 milhões. “Tivemos uma captação boa em produtos diversificados, de ações, multimercados, mas também em renda fixa, que é o nosso forte”, afirma Isaac Marcovistz, head de produtos da BB DTVM.

De fato, renda fixa foi a classe de ativos em que a captação foi mais expressiva em dezembro. A gestora do Banco do Brasil teve entrada de R$ 5,7 bilhões em recursos nos produtos de menor risco, e de R$ 1 bilhão e R$ 293 milhões em ações e multimercados, respectivamente. De acordo com Marcovistz um pedaço desse movimento de alta captação pode ser explicado por uma ‘busca por segurança’.

“O ano de 2020 trouxe muita volatilidade para o mercado”, explica o especialista. “Dada essa incerteza, a busca por instituições com um porte maior acontece. Claro que o ambiente está mudando, tem outros players entrando no mercado, fomentando competição, mas em um cenário muito instável, esse ‘fly to quality’ pode acontecer.”

Outros dois fatores apontados como impulsionadores de captação para a gestora foi o represamento de consumo resultante do isolamente social e os programas de apoio à população, como o auxílio emergencial. “Apesar dos impactos da pandemia sobre a atividade e os empregos, tiveram pessoas que adiaram viagens, por exemplo, e passaram a consumir menos de uma maneira geral. E aí esses recursos que seriam usados para outras finalidades, acabaram sendo direcionados para aplicações financeiras”, afirma Marcovistz. “Nós operamos também muito no Governo, então teve um fluxo forte.”

O panorama de 2020 para o BB DTVM destoou bastante da conjuntura enfrentada por duas outras instituições financeiras tradicionais. As assets do Itau e do Bradesco tiveram mais saques do que entradas de capital no período. No final do ano passado, acumularam os maiores resgates nominais entre todas as 717 instituições reconhecidas pela Anbima, de R$ 60,5 bilhões e R$ 52,6 bilhões, respectivamente.

De acordo com o Itaú, em 2020 a asset registrou captação recorde de investimentos, inclusive em fundos de valor agregado da Itaú Asset, que se tornou líder em produtos de retorno absoluto. “Conforme rotação natural entre classes de ativos e, sobretudo, durante os primeiros meses da pandemia, a indústria observou uma migração de fundos de renda fixa para produtos de tesouraria, como CDB, que o Itaú também oferece aos seus clientes. Os resgates na Itaú Asset foram, portanto, mais do que compensados pela captação de CDB do próprio banco. Essa dinâmica reflete o compromisso do Itaú de oferecer ao cliente a melhor solução de investimento.”

Já o Bradesco explica que os resgates se concentraram na renda fixa. “Nesse sentido, foi observado fluxo positivo de novas aplicações para produtos de menor risco, como é o caso do CDB Bradesco. Vale destacar também a captação positiva verificada em produtos de alto valor agregado, como Ações, Multimercado e Internacional. O Bradesco monitora continuamente a oferta de produtos alinhada com o interesse, perfil e diversificação do portfólio do investidor. Desta forma, o banco oferece uma plataforma ampla e completa de fundos de investimento, que atende a diferentes perfis de clientes.”

Novos produtos para novos perfis

Fora as questões relacionadas ao ambiente econômico, a gestora do Banco do Brasil buscou seguir a tendência de migração a ativos de maior risco. “Iniciamos um fundo em abril de 2020, o BB Multimercado Carteira. Nós começamos esse tipo de produto com o perfil de risco moderado, que nos parece ter maior demanda”, afirma Marcovistz. “Em menos de 1 ano, conseguimos mais de R$ 1 bilhão de captação no fundo, ficamos bastante satisfeitos com os investidores buscando maiores rentabilidades.”

No final de 2020, o BB também abriu fundos de bolsas globais para diversificação em mercado internacional. “Temos bolsa asiática, europeia e de países emergentes. Começamos a adaptar esse portfólio em novembro, e em bolsa asiática, por exemplo, conseguimos captar já R$ 100 milhões. E é um produto de ações, renda variável”, afirma Marcovitz. “Em 4 de maio do ano passado também abrimos um fundo de bolsa americana, que já existia no mercado e nós não tínhamos, eram um gap que sanamos.”

Hoje o fundo BB Bolsa Americana possui mais de 33 mil cotistas e patrimônio líquido de R$ 638 milhões. Entre maio do ano passado e 11 de março de 2021, a rentabilidade acumulada foi de 35,44%. “Os clientes têm buscado essa diversificação e o banco tem buscado dar assessoria, até para que em momentos de grande volatilidade, os clientes não estejam expostos a mais risco do que deveriam”, ressalta Marcovistz.

Perspectivas

O cenário base do Banco do Brasil inclui a expectativa de juros a 4,75% até o final do ano. “O grande recado é que estamos chegando a uma vizinhança de aumento de juros, mas ainda assim um aumento gradual, que não vai levar a Selic a mais de 10%, como vimos há alguns anos”, diz Marcovistz. “Isso significa que o investidor deve continuar buscando alternativas eficientes de diversificação de portfólio.”

A recuperação econômica um pouco mais lenta no País, também já era esperado pela instituição financeira. Segundo o head de produtos, serão duas ondas de retomada pelo mundo, a primeira protagonizada por economias mais consolidadas e a segunda encabeçada por economias emergentes.

“Nós acreditamos que a vacinação por aqui vai se acelerar”, afirma Marcovistz. “Então produtos que coloquem expectativa de captura de resultado em economias emergentes, fazem sentido pela nossa ótica.”

Hoje, o tíquete inicial para todos os fundos de investimento do BB está R$ 0,1, o que reflete a perspectiva de continuidade na migração de pessoas físicas para a Bolsa de Valores. “Ressaltamos que em todo esse processo de emissão de novos produtos financeiros, temos uma preocupação muito grande em direcionar também para clientes de varejo. Não olhamos mais só para o investidor de alta renda.”

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