No exterior, os índices de Nova York fecharam sem sinal único enquanto o petróleo voltou a subir com força, refletindo temores de interrupções na oferta após novos episódios de tensão no Golfo Pérsico.
O dólar no mercado doméstico fechou com leve alta de 0,03%, cotado a R$ 5,1593.
CPI dos EUA: quais os resultados?
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA subiu 0,3% em fevereiro ante janeiro, segundo dados com ajustes sazonais publicados nesta quarta-feira (11) pelo Departamento do Trabalho. Na comparação anual, o CPI avançou 2,4% em fevereiro. Analistas consultados pelo Projeções Broadcast esperavam, para fevereiro, alta mensal de 0,3% e acréscimo anual de 2,4%.
No relatório publicado no mês passado, com dados referentes a janeiro em base ajustada sazonalmente, o índice cheio do CPI teve alta de 0,2% na comparação mensal e acréscimo de 2,4% no confronto anual.
O núcleo do CPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 0,2% em fevereiro ante janeiro. Analistas consultados pelo Projeções Broadcast previam alta de 0,2%.
Na comparação anual, o núcleo do CPI avançou 2,5% em fevereiro. Nesse caso, a projeção era de alta de 2,5%. Em janeiro, o núcleo do CPI subiu 0,3% na comparação mensal e avançou 2,5% ante um ano antes.
O pano de fundo do mercado
O pano de fundo continua sendo a guerra entre EUA-Israel e Irã, que chega ao 12º dia sem sinais de cessar-fogo. A escalada militar inclui ataques a navios cargueiros próximos ao Estreito de Ormuz, ofensivas iranianas contra embarcações comerciais no Golfo Pérsico e um ataque ao Aeroporto Internacional de Dubai. O comando militar do Irã também afirmou que passará a mirar bancos e instituições financeiras no Oriente Médio.
Em meio à crise, o presidente da França, Emmanuel Macron, convocou uma videoconferência com líderes do G7 para discutir o impacto do conflito sobre o mercado de energia e possíveis respostas coordenadas.
Apesar da tensão, os preços do petróleo chegaram a cair mais cedo após a Agência Internacional de Energia (AIE) propor a maior liberação coordenada de reservas estratégicas da história, estimada em cerca de 400 milhões de barris. A medida seria uma tentativa de ampliar a oferta e conter a disparada da commodity verificada nos últimos dias.
Ao longo do pregão, no entanto, as cotações do petróleo voltaram a ganhar força. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril fechou em alta de 4,55% a US$ 87,25 o barril. Já o Brent para maio subiu 4,76% a US$ 91,98 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Bolsas internacionais com sinais mistos
Os índices de Nova York fecharam sem direção única após a divulgação do CPI, refletindo cautela diante da volatilidade do petróleo e das incertezas geopolíticas. O Dow Jones recuou 0,61%, o S&P 500 caiu 0,08% e o Nasdaq teve alta de 0,08%.
Na Europa, as bolsas encerraram majoritariamente em queda após a recuperação da sessão anterior. Londres caiu 0,56%, Paris recuou 0,19% e Frankfurt cedeu 1,59%.
Já na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, embora longe das máximas do dia. O índice Nikkei, do Japão, avançou 1,43%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 1,40%. Em Taiwan, o Taiex saltou 4,10%. Na China, o Xangai Composto ganhou 0,25% e o Shenzhen avançou 0,52%. Em Hong Kong, o Hang Seng destoou e caiu 0,24%. Na Oceania, o S&P/ASX 200 subiu 0,59% em Sydney.
Juros e dólar
No mercado de renda fixa, os rendimentos dos Treasuries fecharam em alta. O rendimento da T-note de 2 anos subiu para 3,642%, enquanto o de 10 anos avançou para 4,217% e o do título de 30 anos chegou a 4,868%.
O dólar também se fortaleceu frente a outras moedas fortes, acompanhando o aumento da aversão ao risco. O índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de divisas, avançou 0,41%, para 99,231 pontos.
Pedidos de recuperação extrajudicial agitam o noticiário corporativo
No noticiário corporativo, investidores também monitoraram os pedidos de recuperação extrajudicial da Raízen (RAIZ4) – veja os detalhes aqui – e do Grupo Pão de Açúcar (GPA, PCAR3). No caso do GPA, a lista inclui 14 credores e cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas a serem renegociadas, com o Itaú Unibanco (ITUB3; ITUB4) como principal credor.
Já a Raízen confirmou que entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas.
*Com informações do Broadcast, Dow Jones Newswires e FactSet