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Vai investir nos EUA? Veja porque esses analistas discordam de você

Bolsas americanas chamam a atenção; Nasdaq já acumula alta de 30% no ano. Veja o que preocupa o mercado

Vai investir nos EUA? Veja porque esses analistas discordam de você
Michael Burry, que previu a crise de 2008, investe US$1,6 bilhão contra Wall Street. (Foto: Mark Lennihan/AP)
  • As principais bolsas de valores nos Estados Unidos estão em alta em 2023
  • Impulsionadas por uma combinação de fatores, muitas ações viram seus valuations serem elevados ao longo do ano; muitas vezes, até com certo exagero
  • Agora que os preços subiram, especialistas acreditam que a janela de investimento nesses ativos pode ter se fechado, ao menos por hora

A Bolsa brasileira engatou nos últimos meses um rali de valorização que há muito tempo não se via. Antes deste início de mês negativo em agosto, o Ibovespa chegou a subir 25% em quatro meses – mas este não está nem perto de ser o verdadeiro “bull market” (momento de altas) do ano. São as bolsas dos Estados Unidos quem têm chamado a atenção pelas valorizações em 2023.

Por lá, o S&P 500 sobe 15,58% no ano, mesmo após as quedas desses primeiros 15 dias de agosto. Já o Nasdaq, depois de um primeiro semestre histórico, acumula uma alta de 30,24%.

Os ganhos no mercado americano se devem a uma somatória de fatores. No início do ano, os temores com a trajetória do aperto monetário e a possibilidade de recessão na maior economia do mundo fez investidores reduzirem suas posições na Bolsa depois de um 2022 que já tinha sido negativo para as ações americanas.

O cenário, agora, já é diferente – e mais positivo. Ainda que não se saiba até onde o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) precisará elevar a taxa de juros do país para conter a inflação, ao menos a possibilidade de recessão parece descartada.

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“A recessão estava quase que dada, mas ela não veio. À medida que a economia americana se mostrou mais resiliente do que se imaginava, o mercado foi ajustando o preço dos ativos a esse novo cenário”, explica William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

Tecnologia

Mas há ainda um outro fator impulsionando as ações das grandes empresas americanas, sobretudo as de tecnologia: a inteligência artificial (IA). Como contamos nesta outra reportagem, apoiada no desempenho das big techs, o Nasdaq teve seu melhor primeiro semestre do ano desde 1983.

Com o rali de valorização, a Apple se tornou a primeira companhia do mundo a bater os US$ 3 trilhões em valor de mercado.

O contraponto de todo esse contexto, no entanto, é que, para os investidores, as ações americanas ficaram caras. “Os múltiplos subiram, mas as altas não foram acompanhadas de uma revisão de lucros na mesma magnitude, o que acabou deixando as ações americanas caras”, avalia Paulo Gitz, estrategista global da XP.

Além da avaliação de que o preço está muito elevado, uma visão comum entre muitos especialistas é que a janela de entrada nesse mercado pode ter se fechado. Ao menos, por hora.

“Depois dessas altas, as ações de muitas empresas ficaram ‘price to perfection’, ou seja, elas têm que entregar bons resultados e o crescimento esperado pelo mercado para justificar aquilo que já está no preço. O que é sempre arriscado, já que tem bem menos prêmio para quem toma o risco”, explica Castro Alves, da Avenue.

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Na visão do especialista, as valorizações levaram a valuations (estimativas do valor de ativos) até exagerados. Não é que não sejam boas empresas para se investir, mas, sim, preços muito altos para fazer tal investimento. “Não é momento de entrar. A bolsa nunca sobe em linha reta, volta e meia há solavancos que permitem que o investidor monte posições”, afirma.

Ainda há oportunidades

Ainda que as ações americanas estejam “caras” e este não seja o melhor momento para entrar de cabeça nas bolsas dos EUA, especialistas destacam que a diversificação internacional continua fazendo sentido. João Victor Patrocínio, especialista internacional e sócio da BLUE3 Investimentos, explica que dá para encontrar boas opções, desde que analisando com cuidado.

“Muitos fatores levam a uma boa escolha de uma carteira de ações, como os indicadores tradicionais presentes nas análises fundamentalistas, a exemplo de ROE, P/VPA, Ebitda, dividend yield”, diz Patrocínio, a respeito de, respectivamente, retorno sobre o patrimônio; preço sobre o valor patrimonial por ação; lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização; e rendimento dos dividendos. “Saber também sobre o setor que está investindo é essencial para poder ter uma boa tomada de decisão em qualquer mercado de ações”, afirma.

Para quem não tem nenhuma posição no exterior e quer iniciar os aportes, o caminho pode ser buscar por aquelas empresas ou setores que não tenham se valorizado tanto em 2023.

“O setor de petróleo praticamente não teve grandes altas esse ano, o setor financeiro também teve uma performance mais baixa, assim como empresas de saúde e de dividendos. Seriam alternativas, a meu ver, mais interessantes em termos de preço”, aponta Castro Alves, da Avenue.

Mas os investidores brasileiros não precisam focar apenas na renda variável internacional. Na visão da XP, é a renda fixa americana quem oferece as melhores oportunidades do momento. Recentemente a corretora passou a incluir os títulos do tesouro dos EUA, os Treasuries, até entre as recomendações para os perfis mais conservadores.

“O Fed colocou as taxas entre 5,25% e 5,5% ao ano e vemos como uma ótima oportunidade para ganhar esses rendimentos em um ativo considerado um dos mais seguros do mundo”, diz Paulo Gitz. “São juros altos para o padrão histórico.”

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