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Mercado

Vai investir nos EUA? Veja porque esses analistas discordam de você

Bolsas americanas chamam a atenção; Nasdaq já acumula alta de 30% no ano. Veja o que preocupa o mercado

Por Luíza Lanza

17/08/2023 | 9:48 Atualização: 18/08/2023 | 7:27

Michael Burry, que previu a crise de 2008, investe US$1,6 bilhão contra Wall Street. (Foto: Mark Lennihan/AP)
Michael Burry, que previu a crise de 2008, investe US$1,6 bilhão contra Wall Street. (Foto: Mark Lennihan/AP)

A Bolsa brasileira engatou nos últimos meses um rali de valorização que há muito tempo não se via. Antes deste início de mês negativo em agosto, o Ibovespa chegou a subir 25% em quatro meses – mas este não está nem perto de ser o verdadeiro “bull market” (momento de altas) do ano. São as bolsas dos Estados Unidos quem têm chamado a atenção pelas valorizações em 2023.

Leia mais:
  • Como a IA levou as bolsas dos EUA a um semestre histórico
  • Em crise, Argentina tem uma das bolsas que mais sobe no mundo
  • A ação que subiu 417% em 2023 e você não pode comprar
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Por lá, o S&P 500 sobe 15,58% no ano, mesmo após as quedas desses primeiros 15 dias de agosto. Já o Nasdaq, depois de um primeiro semestre histórico, acumula uma alta de 30,24%.

Os ganhos no mercado americano se devem a uma somatória de fatores. No início do ano, os temores com a trajetória do aperto monetário e a possibilidade de recessão na maior economia do mundo fez investidores reduzirem suas posições na Bolsa depois de um 2022 que já tinha sido negativo para as ações americanas.

  • Veja: 5 motivos para investir em dólar hoje

O cenário, agora, já é diferente – e mais positivo. Ainda que não se saiba até onde o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) precisará elevar a taxa de juros do país para conter a inflação, ao menos a possibilidade de recessão parece descartada.

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“A recessão estava quase que dada, mas ela não veio. À medida que a economia americana se mostrou mais resiliente do que se imaginava, o mercado foi ajustando o preço dos ativos a esse novo cenário”, explica William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

Tecnologia

Mas há ainda um outro fator impulsionando as ações das grandes empresas americanas, sobretudo as de tecnologia: a inteligência artificial (IA). Como contamos nesta outra reportagem, apoiada no desempenho das big techs, o Nasdaq teve seu melhor primeiro semestre do ano desde 1983.

Com o rali de valorização, a Apple se tornou a primeira companhia do mundo a bater os US$ 3 trilhões em valor de mercado.

O contraponto de todo esse contexto, no entanto, é que, para os investidores, as ações americanas ficaram caras. “Os múltiplos subiram, mas as altas não foram acompanhadas de uma revisão de lucros na mesma magnitude, o que acabou deixando as ações americanas caras”, avalia Paulo Gitz, estrategista global da XP.

Além da avaliação de que o preço está muito elevado, uma visão comum entre muitos especialistas é que a janela de entrada nesse mercado pode ter se fechado. Ao menos, por hora.

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“Depois dessas altas, as ações de muitas empresas ficaram ‘price to perfection’, ou seja, elas têm que entregar bons resultados e o crescimento esperado pelo mercado para justificar aquilo que já está no preço. O que é sempre arriscado, já que tem bem menos prêmio para quem toma o risco”, explica Castro Alves, da Avenue.

Na visão do especialista, as valorizações levaram a valuations (estimativas do valor de ativos) até exagerados. Não é que não sejam boas empresas para se investir, mas, sim, preços muito altos para fazer tal investimento. “Não é momento de entrar. A bolsa nunca sobe em linha reta, volta e meia há solavancos que permitem que o investidor monte posições”, afirma.

Ainda há oportunidades

Ainda que as ações americanas estejam “caras” e este não seja o melhor momento para entrar de cabeça nas bolsas dos EUA, especialistas destacam que a diversificação internacional continua fazendo sentido. João Victor Patrocínio, especialista internacional e sócio da BLUE3 Investimentos, explica que dá para encontrar boas opções, desde que analisando com cuidado.

“Muitos fatores levam a uma boa escolha de uma carteira de ações, como os indicadores tradicionais presentes nas análises fundamentalistas, a exemplo de ROE, P/VPA, Ebitda, dividend yield”, diz Patrocínio, a respeito de, respectivamente, retorno sobre o patrimônio; preço sobre o valor patrimonial por ação; lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização; e rendimento dos dividendos. “Saber também sobre o setor que está investindo é essencial para poder ter uma boa tomada de decisão em qualquer mercado de ações”, afirma.

Para quem não tem nenhuma posição no exterior e quer iniciar os aportes, o caminho pode ser buscar por aquelas empresas ou setores que não tenham se valorizado tanto em 2023.

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“O setor de petróleo praticamente não teve grandes altas esse ano, o setor financeiro também teve uma performance mais baixa, assim como empresas de saúde e de dividendos. Seriam alternativas, a meu ver, mais interessantes em termos de preço”, aponta Castro Alves, da Avenue.

  • Leia também: Por que essa corretora está recomendando ETFs da Irlanda

Mas os investidores brasileiros não precisam focar apenas na renda variável internacional. Na visão da XP, é a renda fixa americana quem oferece as melhores oportunidades do momento. Recentemente a corretora passou a incluir os títulos do tesouro dos EUA, os Treasuries, até entre as recomendações para os perfis mais conservadores.

“O Fed colocou as taxas entre 5,25% e 5,5% ao ano e vemos como uma ótima oportunidade para ganhar esses rendimentos em um ativo considerado um dos mais seguros do mundo”, diz Paulo Gitz. “São juros altos para o padrão histórico.”

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