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Mercado

PEC dos precatórios e discurso de Sergio Moro animam mercado

Ibovespa abre em alta, enquanto dólar e taxas de títulos públicos cedem

Por Jenne Andrade

10/11/2021 | 14:12 Atualização: 11/11/2021 | 8:08

Sergio Moro, ex-ministro da Justiça (Foto: Adriano Machado/Reuters)
Sergio Moro, ex-ministro da Justiça (Foto: Adriano Machado/Reuters)

As taxas dos títulos públicos abriram em queda nesta quarta-feira (10). O Tesouro Prefixado 2024 está pagando 11,84% ao ano. Na terça-feira (9), data da votação e aprovação em segundo turno da PEC dos precatórios na Câmara, esse papel estava com retorno de 12,01%.

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O mesmo acontece com os prefixados para 2026 e os prefixados para 2031 com juros semestrais, que estão com rentabilidade de 11,53% e 11,26%. Na terça, ofereciam 11,78% e 11,52% de retorno.

Os títulos atrelados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), conhecidos como IPCA+, também abriram em baixa. O Tesouro IPCA+ 2026, 2035, 2045 e o IPCA+ 2030 com juros semestrais, estão oferecendo retornos prefixados de 5,16%, ante às rentabilidades na casa dos 5,20% observados no dia anterior.

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A opção entre esses pós-fixados que está com o retorno mais alto é o IPCA+ com juros semestrais 2040, que tem também o prazo mais longo, com taxa prefixada de 5,19%.

É importante ressaltar que a suavização das taxas dos títulos acontece mesmo com a divulgação, feita nesta manhã, de uma inflação mais alta que o esperado para outubro. “O mercado deve azedar por conta de uma notícia ruim que foi o IPCA que saiu e veio acima do consenso. Isso deve pensar no aumento de juros futuros DI. O consenso do mercado era por volta de 1%, e veio 1,25% de alta”, explica João Beck, economista e sócio da BRA.

Solução ‘menos pior’ e discurso de Sergio Moro

Na manhã desta quarta-feira (10), não só as taxas dos títulos abriram em queda, mas o dólar também cedeu perante o real. Até 13h17, a moeda estrangeira estava em baixa de 0,18% e o Ibovespa subia 1,31%, aos 106.896,41 pontos.

Para Leandro Vasconcellos, head da mesa de alocação da BRA, o mercado viu a aprovação da PEC dos precatórios como positiva, isto é, uma solução ‘menos pior’ dentre aquelas levantadas pelo governo.

Furar o teto de gastos deliberadamente, por exemplo, traria consequências bem mais negativas. A manutenção da regra de ouro e a suspensão pelo STF das ‘emendas do relator’ (que fazem parte do chamado ‘orçamento secreto’, cujas finalidades não são discriminadas) também foram surpresas positivas.

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“Um dos fatores que mais gera volatilidade no mercado é a incerteza”, afirma Vasconcellos. “Com a matéria aprovada sem grandes alterações na Câmara e o STF pacificando as possíveis tensões políticas que seriam originadas pelo uso indiscriminado das emendas de relator, as incertezas diminuíram e o mercado passou a sentir mais confortável em precificar os ativos, o que acabou estabilizando os juros futuros”.

Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos, explica que o mercado já digeriu todo o estresse da flexibilização do teto de gastos, o que criou as perspectivas de juros futuros batendo os dois dígitos. “Pior que está não fica, aquela velha máxima do Brasil”, afirma o especialista. “Como o estresse máximo foi jogado lá para cima, a tendência agora é aliviar gradualmente o prêmio de risco. Mas é um alívio pontual, que não vai ser mantido até voltarmos à taxa de um dígito em prazo médio.”

Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, afirma que não é possível atribuir o ‘bom humor’ do mercado apenas à aprovação da PEC. Nesta quarta também houve, por exemplo, o discurso do ex-ministro da justiça e ex-juiz do Sergio Moro no ato de filiação ao Podemos. Ele surge como uma terceira via para as eleições presidenciais de 2022.

“O que está acontecendo é que a curva vem caindo pelos vértices de 2025 até 2033. Isso é positivo para a bolsa. Por isso, a Bolsa sobe no momento. O mercado entende que o pico do problema será 2022 e 2023, em que a preocupação será segurar a inflação e posteriormente a inflação deve convergir para o centro da meta”, explica Costa.

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Essa também é a visão de Vasconcellos. “Sergio Moro, apesar de não ser reconhecido no meio político como um grande orador, fez um discurso alinhado ao mercado, defendendo o controle dos gastos públicos o combate a corrupção e se vendendo como uma alternativa capaz de pacificar o país, reduzindo assim as incertezas e consequentemente a volatilidade.”

 

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