O WTI para maio encerrou a sessão com leve alta de 0,01%, a US$ 91,29, enquanto o Brent para junho avançou 0,15%, a US$ 94,93.
Os preços do petróleo oscilaram perto da estabilidade durante boa parte do dia, conforme novidades sobre o conflito no Oriente Médio circulavam entre os traders. Sinalizações distintas vindas dos Estados Unidos dificultaram movimentos mais intensos. A possibilidade de um segundo acordo de cessar-fogo, dessa vez entre Israel e Líbano, foi descartada hoje pelos israelenses, que confirmaram que vão manter os ataques.
O impacto nas petroleiras
Na B3, também por volta das 16h04 (de Brasília), a Petrobras (PETR3; PETR4) operava em queda, ampliando o descolamento observado desde a véspera. As ações recuavam cerca de 1,94% nas ordinárias, a R$ 51,50, e 2,07% nas preferenciais, a R$ 46,89, após já terem acumulado perdas próximas de 4% no pregão anterior.
No restante do setor, o movimento também não era uniforme. No fechamento nacional, a Prio (PRIO3) caía mais de 2,90%, a R$ 63,19, enquanto a PetroReconcavo (RECV3) recuava cerca de 1,17%, a R$ 13,51. Na contramão, a Brava Energia (BRAV3) avançava 0,38%, a R$ 21,23, sustentada por uma leitura de gestão ativa de portfólio.
O comportamento reforça a percepção de que, neste momento, o setor responde não apenas ao preço do barril, mas também ao aumento da incerteza global e à menor disposição ao risco.
Do lado fundamentalista, a leitura segue cautelosa. A Genial Investimentos destaca que a principal variável para o setor segue sendo a trajetória do Brent, considerada de difícil previsibilidade no atual ambiente geopolítico. No caso da Prio, a corretora mantém recomendação neutra, avaliando que a cotação atual já incorpora boa parte dos avanços operacionais e que a tese depende de um petróleo acima da curva implícita para destravar valor adicional.
Em paralelo, a Petrobras avança em sua estratégia de integração energética. A retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), com investimento de cerca de US$ 1 bilhão, deve reduzir a dependência brasileira de importações de fertilizantes de 80% para cerca de 65% no longo prazo, ampliando a resiliência do país em um contexto de choques externos sobre insumos.
Ormuz entre bloqueio e fluxo real
O ponto mais sensível dessa equação ainda é o Estreito de Ormuz. Apesar do bloqueio imposto pelos Estados Unidos e das restrições crescentes à navegação, sinais recentes mostram que a interrupção da oferta não é total.
Nesta quarta-feira, um segundo petroleiro iraniano cruzou o estreito sem qualquer interferência, repetindo o movimento de uma primeira embarcação horas antes. O navio, um superpetroleiro com capacidade para transportar até dois milhões de barris, fez a travessia com o sistema de rastreamento ativo e sem tentativa de ocultação.
A leitura é de que o risco existe e é elevado, mas ainda não se materializou plenamente em disrupção física da oferta. Para o mercado, isso cria uma dinâmica instável, em que o preço oscila não apenas com o fluxo real, mas com a probabilidade de ruptura.
Autoridades americanas sinalizam uma segunda rodada de negociações no Paquistão, enquanto mantêm o bloqueio naval aos portos iranianos. Ao mesmo tempo, organismos internacionais alertam que o choque de oferta pode se intensificar nos próximos meses e não será resolvido rapidamente, mesmo em caso de acordo.
A travessia sem interceptação reforça a leitura de que, apesar do risco elevado, o fluxo ainda não foi interrompido de forma relevante, o que ajuda a explicar a dificuldade do petróleo em sustentar movimentos mais intensos de alta.
Mercado global em compasso de espera
O ambiente externo mais amplo também contribui para esse tom cauteloso. Bolsas internacionais operam sob pressão, enquanto investidores aguardam desdobramentos das negociações entre Washington e Teerã e monitoram o risco de um conflito mais prolongado.
Autoridades monetárias já começam a incorporar esse cenário. Dirigentes do Federal Reserve, o banco central dos EUA, indicam que um choque persistente no petróleo pode reduzir o espaço para cortes de juros nos Estados Unidos ainda neste ano.
Ao mesmo tempo, instituições multilaterais alertam que o impacto na oferta global pode atingir uma parcela relevante do mercado de energia, com efeitos que se estendem para além do curto prazo.
*Com informações da Broadcast