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Mercado

Petróleo hoje fecha em modesta alta, com Ormuz desafiando bloqueio dos EUA; Petrobras cai na Bolsa

Mercado tenta reprecificar risco após sinais contraditórios entre escalada militar e fluxos ainda ativos na região

Por Igor Markevich

15/04/2026 | 9:48 Atualização: 15/04/2026 | 18:00

Petróleo sobe com tensão entre EUA e Irã, navios cruzam Ormuz e Petrobras opera sem direção única; entenda os impactos no mercado. (Imagem: Adobe Stock()
Petróleo sobe com tensão entre EUA e Irã, navios cruzam Ormuz e Petrobras opera sem direção única; entenda os impactos no mercado. (Imagem: Adobe Stock()

O petróleo hoje fechou sem direção única, tentando reconstruir parte do prêmio de risco perdido na véspera, em um mercado que oscilou entre a escalada militar no Oriente Médio e sinais ainda frágeis de que os fluxos de oferta seguem, ao menos por ora, funcionando.

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O WTI para maio encerrou a sessão com leve alta de 0,01%, a US$ 91,29, enquanto o Brent para junho avançou 0,15%, a US$ 94,93.

Os preços do petróleo oscilaram perto da estabilidade durante boa parte do dia, conforme novidades sobre o conflito no Oriente Médio circulavam entre os traders. Sinalizações distintas vindas dos Estados Unidos dificultaram movimentos mais intensos. A possibilidade de um segundo acordo de cessar-fogo, dessa vez entre Israel e Líbano, foi descartada hoje pelos israelenses, que confirmaram que vão manter os ataques.

O impacto nas petroleiras

Na B3, também por volta das 16h04 (de Brasília), a Petrobras (PETR3; PETR4) operava em queda, ampliando o descolamento observado desde a véspera. As ações recuavam cerca de 1,94% nas ordinárias, a R$ 51,50, e 2,07% nas preferenciais, a R$ 46,89, após já terem acumulado perdas próximas de 4% no pregão anterior.

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No restante do setor, o movimento também não era uniforme. No fechamento nacional, a Prio (PRIO3) caía mais de 2,90%, a R$ 63,19, enquanto a PetroReconcavo (RECV3) recuava cerca de 1,17%, a R$ 13,51. Na contramão, a Brava Energia (BRAV3) avançava 0,38%, a R$ 21,23, sustentada por uma leitura de gestão ativa de portfólio.

O comportamento reforça a percepção de que, neste momento, o setor responde não apenas ao preço do barril, mas também ao aumento da incerteza global e à menor disposição ao risco.

Do lado fundamentalista, a leitura segue cautelosa. A Genial Investimentos destaca que a principal variável para o setor segue sendo a trajetória do Brent, considerada de difícil previsibilidade no atual ambiente geopolítico. No caso da Prio, a corretora mantém recomendação neutra, avaliando que a cotação atual já incorpora boa parte dos avanços operacionais e que a tese depende de um petróleo acima da curva implícita para destravar valor adicional.

Em paralelo, a Petrobras avança em sua estratégia de integração energética. A retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), com investimento de cerca de US$ 1 bilhão, deve reduzir a dependência brasileira de importações de fertilizantes de 80% para cerca de 65% no longo prazo, ampliando a resiliência do país em um contexto de choques externos sobre insumos.

Ormuz entre bloqueio e fluxo real

O ponto mais sensível dessa equação ainda é o Estreito de Ormuz. Apesar do bloqueio imposto pelos Estados Unidos e das restrições crescentes à navegação, sinais recentes mostram que a interrupção da oferta não é total.

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Nesta quarta-feira, um segundo petroleiro iraniano cruzou o estreito sem qualquer interferência, repetindo o movimento de uma primeira embarcação horas antes. O navio, um superpetroleiro com capacidade para transportar até dois milhões de barris, fez a travessia com o sistema de rastreamento ativo e sem tentativa de ocultação.

A leitura é de que o risco existe e é elevado, mas ainda não se materializou plenamente em disrupção física da oferta. Para o mercado, isso cria uma dinâmica instável, em que o preço oscila não apenas com o fluxo real, mas com a probabilidade de ruptura.

Autoridades americanas sinalizam uma segunda rodada de negociações no Paquistão, enquanto mantêm o bloqueio naval aos portos iranianos. Ao mesmo tempo, organismos internacionais alertam que o choque de oferta pode se intensificar nos próximos meses e não será resolvido rapidamente, mesmo em caso de acordo.

A travessia sem interceptação reforça a leitura de que, apesar do risco elevado, o fluxo ainda não foi interrompido de forma relevante, o que ajuda a explicar a dificuldade do petróleo em sustentar movimentos mais intensos de alta.

Mercado global em compasso de espera

O ambiente externo mais amplo também contribui para esse tom cauteloso. Bolsas internacionais operam sob pressão, enquanto investidores aguardam desdobramentos das negociações entre Washington e Teerã e monitoram o risco de um conflito mais prolongado.

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Autoridades monetárias já começam a incorporar esse cenário. Dirigentes do Federal Reserve, o banco central dos EUA, indicam que um choque persistente no petróleo pode reduzir o espaço para cortes de juros nos Estados Unidos ainda neste ano.

Ao mesmo tempo, instituições multilaterais alertam que o impacto na oferta global pode atingir uma parcela relevante do mercado de energia, com efeitos que se estendem para além do curto prazo.

*Com informações da Broadcast

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