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Mercado

A expectativa do mercado para a commodity que dita o preço da Petrobras

Preços sofreram as maiores quedas em um único dia desde 4 de janeiro. Analistas explicam se tendência continua

Por Luiz Araújo

05/05/2023 | 3:00 Atualização: 05/05/2023 | 10:01

Petrobras (PETR4) paga 2ª parcela de dividendos bilionários; veja valor por ação. Foto: REUTERS/Sergio Moraes
Petrobras (PETR4) paga 2ª parcela de dividendos bilionários; veja valor por ação. Foto: REUTERS/Sergio Moraes

O petróleo enfrenta uma nova curva de quedas após ensaiar valorização no início do mês de abril. A baixa está relacionada principalmente à indicação de desaceleração da economia global. Nesse cenário, ações ligadas à commodity, como as da Petrobras (PETR3; PETR4), têm sido atingidas diretamente.

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Ainda que haja iniciativas para tentar controlar o preço do petróleo, como o corte de produção anunciado pelos maiores produtores do mundo para acontecer a partir deste mês, as perspectivas para o futuro não são claras. A tentativa de aumentar a escassez da commodity no mercado só deve fazer frente à baixa de preços caso seja intensificada, mas, ainda assim, pode ter efeito limitado e em prazo incerto.

Até a cotação final desta quinta-feira (04) o petróleo WTI caía 15,32% no mês. O Brent, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), em Chicago, nos Estados Unidos, recuava 14,72%. As quedas da terça-feira (02), de 5,29% e 5,03%, respectivamente, foram as maiores de um único dia desde 4 de janeiro deste ano.

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A desvalorização pode ser vista como surpreendente se for levado em conta que questões como a Guerra na Ucrânia ainda persistem – o conflito no Leste Europeu fez o preço do petróleo disparar 20% em 14 dias, em março de 2022. Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, explica que apesar de esse peso estar mantido, há novos fatores inibidores de demanda.

“Os efeitos que mais têm pesado recentemente são os receios de uma desaceleração da atividade global diante das taxas de juros elevadas, além de menores expectativas em relação ao crescimento da China”, avalia Hungria.

Veja também: Quando a queda do petróleo no exterior reduzirá o preço de combustíveis?

Na mesma linha, Ilan Arbetman, analista de research da Ativa Investimentos, observa: “Esperava-se que a China fosse adicionar até 2 bilhões de barris por dia na demanda. A China está de fato voltando, mas ainda não com a demanda que era esperada”. Para 2023, enquanto o mercado projetava crescimento da atividade econômica do país asiático entre 5,5% e 6%, o país estabeleceu meta de 5%.

Futuro

Para os próximos meses, alguns movimentos podem ajudar a elevar os preços. Mateus Haag, analista da Guide Investimentos, diz que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) pode cortar ainda mais a produção até o ponto de fazer efeito.

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As sanções contra a Rússia, que estão com força diluída, podem voltar a ser um fator relevante. “Novas sanções ou cortes de produção da Rússia podem impulsionar o preço do barril de petróleo para cima, a depender do desfecho da guerra”, diz Haag em avaliação de longo prazo.

Petrobras

Diante das incertezas sobre a commodity, o mesmo se dá para os papéis da Petrobras. No mês, PETR3 e PETR4 têm quedas de 3,67% e 2,91%, respectivamente.

“A empresa segue a política de paridade com o preço internacional. Então, é natural que quando a gente tenha uma queda do petróleo ou uma alta, ela também oscile na mesma direção”, diz Apolo Duarte, sócio e head da mesa de renda variável da AVG Capital.

Ainda que os desempenhos estejam ligados, o acumulado do ano para PETR3 e PETR4 é melhor que o do Brent. As ações sobem 1,34% e 5,02%, respectivamente, enquanto o Brent cai 11,31%. Isso mostra que ainda há fôlego e atratividade, conforme observa Hungria, da Empiricus. O fôlego citado por Hungria se refere à vantagem que a empresa tem no mercado: um custo de extração competitivo na exploração do Pré-Sal.

Na ponta negativa, pairam de forma mais forte os temores sobre possíveis interferências do governo. Entre as questões no radar estão mudanças na política de dividendos e de preços, que têm peso importante no preço das ações.

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“Existe um certo temor, um receio do que pode ser mudado e dependendo do que mude, isso pode afetar a correlação com o petróleo e também em relação ao resto das outras petroleiras”, destaca Duarte, da AVG.

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