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Mercado

Crise nos bancos: saiba tudo sobre a falência do Silicon Valley Bank (SVB)

De risco sistêmico à preocupação com investimentos no Brasil, entenda o caso da maior falência de banco nos EUA desde 2008

Por Luiz Araújo

14/03/2023 | 13:06 Atualização: 27/03/2023 | 9:09

Empresa impactou mercados pelo mundo ao anunciar prejuízo de US$ 2 bilhões e recorrer à venda de US$ 2,25 bilhões em novas ações. Foto: Reuters
Empresa impactou mercados pelo mundo ao anunciar prejuízo de US$ 2 bilhões e recorrer à venda de US$ 2,25 bilhões em novas ações. Foto: Reuters

Os reguladores financeiros dos Estados Unidos fecharam o Silicon Valley Bank (SVB) no dia 10 de março após o banco sofrer um colapso, marcando a segunda maior falência de um banco na história norte-americana – a maior desde a crise de 2008.

Leia mais:
  • Crise nos bancos: caso SVB acelera início da queda de juros nos EUA?
  • Crise nos bancos dos EUA muda a decisão sobre juros no Brasil?
  • Crise nos bancos: veja quais fintechs negaram ter posições no SVB
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A quebra desencadeou volatilidade no mercado, que ainda busca entender se o caso foi pontual ou se há risco de uma crise sistêmica. As questões vão desde os impactos para os bancos dos Estados Unidos até se o investidor brasileiro pode ser atingido. Confira:

O que é o SVB?

Fundado em 1983, o Silicon Valley Bank (SVB) era considerado o 16º maior banco do país pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Localizado na Califórnia, tinha como principal objetivo fornecer financiamento para startups e empresas de tecnologia.

Em 2021, o SVB declarou ser a principal instituição financeira de quase metade das startups de capital de risco nos EUA. No momento de sua falência, o SVB possuía mais de US$ 200 bilhões em ativos, tornando-se o maior banco a falir desde a crise de 2008.

Por que o banco quebrou?

A inflação nos EUA atingiu o maior patamar em 40 anos, o que levou o Fed a aumentar as taxas de juros para 4,5% a 4,75%. Isso afetou negativamente as empresas de tecnologia, que agora têm dificuldade em conseguir crédito para crescer.

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Como resultado, algumas startups começaram a tentar sacar seus depósitos do Silicon Valley Bank, mas a maioria desses recursos estava investida em títulos do Tesouro de longo prazo, que perderam valor com a alta dos juros.

O banco foi forçado a vender R$ 21 bilhões em títulos e teve um prejuízo de US$ 1,8 bilhão. Isso levou a uma corrida bancária e ao colapso do SVB, com pedidos de saques de US$ 42 bilhões em um dia. As ações do banco caíram 60,4% no pregão.

Haverá socorro para os atingidos?

Após a crise, o Fed lançou uma linha de empréstimos de emergência para os bancos dos EUA no intuito de frear a contaminação do colapso do SVB. Os quatro maiores bancos dos EUA perderam US$ 52 bilhões em valor de mercado no último dia 9 de março. O auxílio do Fed deve ser de até 90% dos valores mantidos nas contas do SVB.

De acordo com informações do Financial Times, o Fed afimou que os contribuintes não serão penalizados pelo colapso financeiro do SVB. Vale destacar, no entanto, que grande parte dos clientes do SVB não tem direito ao socorro do regulador, o que explica a corrida aos saques.

Cerca de 96% dos clientes não eram cobertos pela política de seguro da Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), que garante depósitos de até US$ 250 mil.

Há possibilidade de a crise se transformar em algo parecido com 2008?

Há duas possibilidades levantadas por especialistas para os desdobramentos da quebra do banco. A primeira e mais provável é de que o Fed consiga controlar a crise, afastando o risco sistêmico.

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Já no caso de as ações do Fed serem insuficientes, haveria então, no pior cenário, risco de uma crise sistêmica. Nesse cenário, o Brasil não ficaria de fora dos impactos.

Para o fundador e CEO da Transferbank, Luiz Felipe Bazzo, apesar de a quebra do SVB ser a maior desde 2008, isso não deve significar desdobramentos sistêmicos como o observado anteriormente.

“Desde a Crise Financeira Global, os bancos foram obrigados a manter seus índices de cobertura de liquidez acima de 100%, detendo ativos de alta qualidade suficientes para atender às saídas de depósitos”, diz sobre a solidez observada atualmente.

Assim, para o CEO, a intervenção do FED e o comprometimento da FIDC devem colocar um ponto final nas incertezas sobre o banco em particular, evitando qualquer coisa parecida com o que foi vivido em 2008.

Essa crise chega ao investidor brasileiro?

Após a falência do banco norte-americano de startups, os investidores brasileiros passaram a prestar atenção nas fintechs financeiras do país. Algumas instituições, como o Nubank, a GetNinjas e o C6 Bank, comunicaram que não têm qualquer exposição ao Silicon Valley Bank. Abordamos nesta matéria, de forma detalhada, quais podem ser os impactos para o investidor brasileiro.

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Por causa das regras de sigilo bancário, não é possível saber a exposição das instituições ao SVB, a não ser que elas mesmas se manifestem. Especialistas acreditam, no entanto, que os bancos brasileiros de grande porte estejam afastados do problema.

“Com a intervenção do Fed e comprometimento da Fidc, não acredito que isso faça com que os investidores se sintam menos seguros se tiverem algum tipo de exposição a ativos ou detiverem seu próprio dinheiro em bancos com perfis de risco semelhantes”, avalia Bazzo, CEO da Transferbank.

Dessa forma, pelos movimentos observados até o momento, a crise deve se limitar volatilidade do mercado.

E as startups brasileiras, podem ser afetadas?

Segundo o Bloomberg Línea, startups brasileiras possuíam mais de US$ 10 milhões no banco. De acordo com o veículo, as empresas utilizavam o SVB para obter capital de risco (venture capital).

A Bloomberg também afirma que mais de 90% das startups brasileiras offshore, que possuem contas bancárias abertas em países onde há menor tributação, tinham conta no Silicon Valley Bank.

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Por conta da limitação do socorro oferecido pelo Fed, é possível que parte dessas startups não recebam seus valores deixados no SVB de forma imediata. O que isso representa e o número de impactados, porém, ainda não são conhecidos.

Como o sistema financeiro não está ameaçado, há baixas chances de haver demissões nas companhias afetadas. No entanto, como empresas desse perfil já sofrem com dificuldade de acesso a crédito, podem haver desafios, com risco de paralisação de negócios, ainda que exista a expectativa de receber até 90% do dinheiro em algumas semanas.

A quebra terá influência nos juros americanos?

Conforme observa Heitor Martins, especialista em renda variável na Nexgen Capital, para esta matéria, uma das causas para a “quebradeira” nos Estados Unidos tem relação com o ciclo de aperto monetário no mercado norte-americano que afetou diretamente nos balanços das duas instituições financeiras que foram à falência – SVB e Signature Bank.

“Isso logo vai para a pauta do Fed. No entanto, vale lembrar que precisamos ter o controle da inflação para alcançar a meta de 2%. Atualmente, estamos com uma inflação de 6%”, afirma Martins.

Desta forma, os membros do Fed devem tentar analisar de que forma podem resolver o problema da inflação e manter a crise apenas em torno do SVB e em outros bancos menores. A próxima reunião acontece nos dias 21 e 22 de março.

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Com essa perspectiva, a corretora Avenue informou que as apostas do mercado para uma elevação de 0,25 pontos base na taxa de juros após o fim da próxima reunião do Fed aumentaram para 59% de chances. Há uma semana, as especulações eram maiores para um reajuste de 0,5%.

E a Selic, deve ser influenciada?

Na avaliação de Diego Costa, head de Câmbio da B&T Câmbio, para esta matéria, o comportamento do banco central da maior economia do mundo pode respingar na política monetária brasileira.

“Um dos motivos para a insolvência do Silicon Valley Bank é a alta nos juros nos EUA. Com isso, e após o posicionamento do governo (de assegurar os clientes do SVB), aumentam as apostas de que o aperto monetário será menor do que o esperado para este ano”, afirma Costa.

Já Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed, afirma que os problemas internos estão pesando mais que o cenário externo para o Banco Central brasileiro. Vale lembrar que, no dia 22 de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá para definir o novo patamar da taxa Selic.

“O caso SVB não deve alterar de maneira significativa a precificação da curva de juros local. O que vem fazendo preço na curva de juros por aqui é a possibilidade de um arcabouço fiscal crível. O cenário interno tem sido mais importante do que uma decisão lá fora”, diz Jorge.

Compra do SBV pelo First Citizens Bank

O First Citizens Bank, um dos maiores bancos regionais dos EUA, fechou acordo para comprar o Silicon Valley Bank (SVB) no fim de semana de 25 e 26 de março, mais de duas semanas após a quebra do SVB abalar o setor bancário e derrubar os mercados financeiros globais. A transação envolve a venda de US$ 119 bilhões em depósitos e cerca de US$ 72 bilhões em empréstimos do SVB, com desconto de US$ 16,5 bilhões.

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*A matéria será atualizada conforme novas informações forem conhecidas sobre o caso.

 

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