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Mercado

UBS projeta rali de ações em 2026 impulsionado por IA, mas vê dívida e geopolítica como ameaças

Banco projeta rali liderado por tecnologia e lucros, com S&P 500 a 7.700 pontos, mas destaca riscos com dívida global, inflação e tensões entre EUA e China

Por Isabela Ortiz

28/04/2026 | 15:39 Atualização: 28/04/2026 | 15:39

UBS vê inteligência artificial como principal motor das bolsas globais em 2026, mas alerta para riscos com dívida e geopolítica (Foto: Adobe Stock)
UBS vê inteligência artificial como principal motor das bolsas globais em 2026, mas alerta para riscos com dívida e geopolítica (Foto: Adobe Stock)

O UBS projeta um cenário positivo para as Bolsas globais em 2026, sustentando principalmente pelo avanço da inteligência artificial (IA), pelo crescimento dos lucros corporativos e por condições monetárias mais favoráveis. Ainda assim, o banco alerta que o ambiente segue cercado de riscos, especialmente ligados ao aumento da dívida pública global, à inflação persistente e às tensões geopolíticas entre Estados Unidos e China.

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“Em nossa opinião, as ações globais subirão cerca de 15% até o fim de 2026“, afirma o UBS. Os mercados devem continuar aproveitando o impulso construído nos últimos anos, especialmente com a força das ações americanas e o avanço das empresas ligas à IA.

Os EUA seguem como “o principal motor das ações globais”, segundo a instituição. A combinação de crescimento robusto dos lucros, elevada rentabilidade corporativa, demanda saudável do consumidor, política monetária favorável e estímulos fiscais sustenta a visão otimista para o mercado americano.

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Nesse contexto, o UBS projeta que o lucro por ação (EPS) do S&P 500 alcance US$ 305 em 2026, alta de 10% no ano, enquanto o índice pode avançar até 7.700 pontos no fim do período. As chamadas “7 Magníficas” – gigantes de tecnologia que lideraram os ganhos recentes – devem continuar respondendo por cerca de metade do crescimento dos lucros esperado para o índice.

Apesar do protagonismo das big techs, o banco afirma enxergar oportunidades mais amplas dentro do mercado americano. Entre os setores preferidos estão saúde, utilities e bancos.

No setor de saúde, o banco acredita que a redução das incertezas regulatórias e uma maior clareza sobre preços de medicamentos podem favorecer o desempenho das empresas. Além disso, áreas como obesidade aparecem como mercados “grandes e em crescimento”, enquanto o perfil defensivo dos lucros do setor pode ganhar relevância caso a economia desacelere.

Já as utilities americanas devem se beneficiar diretamente do boom da IA. Segundo o UBS, a expansão de data centers e da infraestrutura digital está acelerando a demanda por eletricidade, impulsionando investimentos em energia e sustentando o crescimento dos lucros das companhias do setor.

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Os bancos também aparecem entre as apostas da instituição. O UBS destaca que as instituições financeiras estão “cada vez mais bem capitalizadas e lucrativas”, apoiadas pela melhora da margem líquida de juros, crescimento dos empréstimos, atividade forte nos mercados de capitais e potencial de desregulamentação em alguns países.

A visão positiva, porém, não se limita aos Estados Unidos. A casa também vê espaço para valorização na Europa, no Japão, na China e em mercados emergentes. Na Europa, o banco elevou sua recomendação para ações da zona do euro para “Atrativas”. Após anos de crescimento estagnado, o UBS espera aceleração dos lucros corporativos, impulsionada pela recuperação do consumo, cortes de juros promovidos pelo Banco Central Europeu (BCE) e aumento dos investimentos em infraestrutura e defesa – especialmente na Alemanha.

“O plano da Alemanha de investir mais de 20% do PIB [Produto Interno Bruto] em infraestrutura e defesa fortalece as perspectivas fiscais e impulsiona o investimento de capital”, diz o relatório.

Além disso, a instituição destaca que as ações europeias ainda negociam com desconto relevante frente aos pares globais, mesmo após a recuperação recente.

China é principal aposta do banco

No Japão, a expectativa é de que políticas mais acomodatícias sob o novo governo sustentem os mercados no médio prazo. O banco também aponta melhora no retorno sobre capital das empresas japonesas e esforços crescentes para elevar o retorno aos acionistas.

Na Ásia, a China se destaca como uma das principais apostas da casa, especialmente no setor de tecnologia. O banco acredita que liquidez forte, crescimento dos lucros e fluxo de investidores de varejo devem continuar sustentando o mercado acionário chinês.

Apesar do otimismo, o UBS reconhece que os preços das ações globais já estão elevados. O MSCI All Country World (índice de ações global que mede o desempenho de empresas de grande e médio porte) negocia acima de 19 vezes os lucros projetados para os próximos 12 meses, cerca de 30% acima da média histórica de 20 anos.

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Nos EUA, o S&P 500 é negociado a 23 vezes os lucros projetados, perto do topo da faixa histórica. Ainda assim, o banco pondera que “preços altos, por si só, raramente encerram uma recuperação”, desde que os lucros e a liquidez continuem avançando.

Para o UBS, o principal combustível dessa nova fase do mercado continua sendo a inteligência artificial. O banco avalia que o atual ciclo de investimentos em IA ainda está longe de se esgotar e projeta um acumulado adicional de US$ 4,7 trilhões em capex (investimento) global ligado à tecnologia entre 2026 e 2030.

US$ 571 bilhões para IA

A UBS afirma que a demanda por computação deve crescer exponencialmente com o avanço de IA agêntica (sistemas de inteligência artificial capazes de agir de forma autônoma para cumprir objetivos), robôs, veículos autônomos e aplicações empresariais.

“A IA tem sido o motor da ascensão do mercado nos últimos anos”, destaca a instituição.

Segundo o relatório, o avanço da tecnologia pode gerar ganhos de produtividade suficientes para ajudar a economia global a “escapar da atração gravitacional” do atual estágio do ciclo econômico. Ainda assim, o banco alerta que a monetização da IA segue sendo um teste crucial.

Embora o investimento em infraestrutura avance rapidamente, as receitas geradas ainda não acompanham o ritmo do capex. O UBS, porém, argumenta que isso é comum em ciclos tecnológicos, nos quais a monetização tende a ganhar força após a consolidação da adoção.

Ao lado da IA, são destacados outros temas estruturais capazes de impulsionar os mercados, como energia, recursos naturais, longevidade e commodities. O banco recomenda que investidores direcionem até 30% das carteiras de ações para estratégias ligadas a essas tendências.

Os riscos do cenário

Um dos principais alertas do UBS está relacionado ao crescimento da dívida pública global. Segundo o banco, os gastos fiscais vêm sustentando a atividade econômica, mas muitos países desenvolvidos – especialmente aqueles com populações envelhecidas – enfrentam uma trajetória de endividamento considerada preocupante.

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a dívida bruta do G7 alcance cerca de 126% do PIB em 2026, podendo subir para 137% até 2030. Nesse ambiente, o UBS acredita que governos podem recorrer cada vez mais à chamada “repressão financeira”, mecanismo em que bancos centrais e regulações ajudam a manter juros artificialmente baixos para tornar a dívida mais administrável. O banco alerta que esse processo pode aumentar a volatilidade cambial e gerar períodos de instabilidade nos mercados de renda fixa.

Os 4 pilares de 2026

Além da dívida, a UBS aponta quatro riscos principais para os mercados em 2026: uma possível decepção com a IA, o retorno da inflação, o agravamento da rivalidade entre EUA e China e novas preocupações com dívida soberana e crédito privado.

“A recuperação da IA poderá enfrentar períodos em que os investidores temerão excesso de investimento, gargalos ou obsolescência”, afirma a instituição.

O banco também destaca que a desglobalização e a intensificação das disputas comerciais seguem como fatores importantes de volatilidade. Tarifas, restrições à exportação de chips e disputas por terras raras devem continuar no radar dos investidores.

Ainda assim, argumenta que tendências estruturais – os chamados ‘5Ds” da digitalização, descarbonização, dívida, demografia e desglobalização – continuam moldando o cenário global e criando oportunidades relevantes para investidores de longo prazo.
“Entender onde o capital está sendo aplicado em grande escala é fundamental para os investidores”, conclui a UBS.

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