XP vê virada da Natura (NATU3): 2026 deve marcar início de um novo ciclo de crescimento e retorno ao acionista
Após concluir a reestruturação, simplificar operações e avançar na eficiência operacional, companhia deve retomar crescimento orgânico e geração de valor aos acionistas, segundo a XP
Segundo a XP, a companhia entra em 2026 com estrutura mais simples, maior eficiência operacional e potencial de retomada do crescimento e da geração de caixa. (Foto: Adobe Stock)
A XP Investimentos projeta que 2026 será o ano de virada para a Natura(NATU3), um ponto de inflexão em que a companhia deixa para trás um período de desafios e transição e abre espaço para um novo ciclo de crescimento orgânico e retorno de capital aos acionistas. Essa conclusão decorre não apenas de expectativas internas, mas de uma série de mudanças estratégicas em curso que ganharam clareza após reuniões da equipe de análise com a alta gestão da empresa.
Nos últimos anos, a Natura viveu um processo intenso de reestruturação e simplificação corporativa. Segundo os analistas da XP, a empresa “praticamente concluiu seu processo de simplificação, com a venda da Avon Internacional concluída em 2025″, deixando apenas a operação menor e geradora de caixa da Avon Rússia no portfólio.
Esse movimento reduz a complexidade e diminui a necessidade de capital adicional, abrindo caminho para que a estrutura de capital alcance níveis considerados ótimos já no final de 2025.
Esse ajuste reflete um esforço maior da Natura para concentrar-se em seu núcleo de negócios e resgatar eficiências operacionais. A XP destaca que a empresa iniciou um novo modelo operacional em dezembro, que deve estar majoritariamente concluído no primeiro trimestre de 2026.
Essa inciativa tem como pilares a agilidade, eficiência e inovação, e deve contribuir para economias nas despesas gerais e administrativas (G&A) ao longo de 2026, fortalecendo a expansão da margem Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização).
Para além disso, outro macro citado no relatório é a conclusão da chamada Onda 2, o que significa que não devem existir mais custos de transformação a partir de 2026. A XP observa que “a Onda 2 foi concluída no 4T25”, embora ressalte que a operação na Argentina ainda enfrenta desafios de estabilização, enquanto o México já mostra um ambiente mais normalizado com expectativa de retomada de crescimento no próximo ano.
Esse ambiente operacional renovado é também suporte para o relançamento da Avon, previsto para o primeiro semestre de 2026 com um novo posicionamento, portfólio e comunicação, um projeto para o qual a empresa já investiu em P&D em 2025 sem demandar capital adicional em 2026.
O relançamento está planejado para ocorrer em fases, começando pelo Brasil e seguindo pelo México, o que sinaliza uma estratégia de expansão cuidadosa.
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No curto prazo, a Natura ainda enfrenta pressões decorrentes de uma demanda fraca em mercados como o Brasil, reflexo de um ambiente macroeconômico desafiador, e dos efeitos residuais da própria Onda 2 em partes da América Latina.
Ainda assim, os analistas da XP antecipam “uma sólida expansão de margem sobre bases fáceis de comparação e menores despesas de SG&A”, o que contribui para um fluxo de caixa mais robusto.
À medida que esses elementos operacionais se consolidam, a XP reforça sua visão positiva sobre a ação, mantendo a recomendação de compra.
A expectativa é que, com uma estrutura de capital otimizada e uma operação mais enxuta e eficiente, a Natura esteja posicionada não apenas para retomar o crescimento orgânico em 2026, mas também para começar a retornar capital aos acionistas, numa etapa que marca a transição de um ciclo de reestruturação para outro de geração de valor.