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Mercado

Como o investidor pode se preparar para o 2º semestre de 2022

Renda fixa foi a estrela do primeiro semestre e deve continuar sendo, dado a forte volatilidade no mercado

Como o investidor pode se preparar para o 2º semestre de 2022
Investidor deve se preparar, pois o cenário promete ser bastante volátil nos seis meses finais de 2022. (Foto: Envato)
  • Com diferentes fatores macroeconômicos em jogo, o único investimento que conseguiu um desempenho positivo no acumulado do primeiro semestre foram os ativos da renda fixa, que conseguem se beneficiar do cenário de alta nas taxas de juros
  • Para o segundo semestre de 2022, é melhor apertar os cintos. Guerra, inflação e juros em alta devem continuar pressionando os mercado, e ainda vem uma eleição presidencial no Brasil
  • A recomendação dos especialistas para aqueles investidores que quiserem atravessar com maior segurança o período que promete ser turbulento é permanecer com a maior parte do portfólio na renda fixa

Com a bolsa e os ativos de renda variável penalizados pela volatilidade nos mercados interno e externo, a renda fixa deve permanecer como a estrela dos portfólios de investimento. Por conseguir se beneficiar do cenário de alta nas taxas de juros, esses ativos foram o único investimento que arrancaram um desempenho positivo no acumulado do semestre. Como o cenário macroeconômico tende a continuar, a renda fixa aparece como principal a recomendação dos especialistas para os investidores que quiserem atravessar com maior segurança os seis meses finais de 2022, que também prometem ser turbulentos.

A guerra na Ucrânia segue em curso, pressionando as cadeias de suprimentos e as commodities, com impactos na inflação global. A incerteza na China com lockdowns em função da pandemia ainda não foi dissipada e os bancos centrais estão apenas no início do aperto monetário na maioria das economias desenvolvidas. No Brasil, em outubro, ainda ocorrerão eleições presidenciais.

Nessa maré de instabilidades, os seis meses finais de 2022 também vão ser de aversão ao risco, dizem os especialistas. E o cenário pode ser ainda mais volátil caso a hipótese de uma recessão – que começou a ser precificada no mercado como uma saída inevitável frente à pressão inflacionária – se confirme. E é bastante provável que isso aconteça, diz Bruno Di Giacomo, CIO da Blackbird.

“Acreditamos que a aversão a risco continua para o segundo semestre e que o cenário de recessão se concretiza, na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil. É muito difícil combater o cenário inflacionário que vivemos sem que haja um cenário de recessão, é um mal necessário depois de muitos e muitos anos de políticas monetárias bastante expansivas”, explica.

No Brasil, a volatilidade ainda deve aumentar à medida que as eleições presidenciais de outubro se aproximam. O pleito já começou a fazer preço em alguns ativos, como a Petrobras, que entrou de vez no radar de Brasília e vem sofrendo com trocas no comando da estatal – uma tentativa do governo de segurar os preços dos combustíveis e ajudar a frear a inflação. Mas o destaque mesmo deve ser a pauta fiscal, pontua Di Giacomo.

“O tema fiscal do Brasil é muito complexo quando olhamos o cenário eleitoral. Ambos os candidatos [líderes nas pesquisas] estão com uma visão de pouco respeito ao teto de gastos, e essa indisciplina fiscal deve ter um custo para o País”, afirma.

O ruído político e o receio com a situação fiscal do País já começou a impactar o cenário de investimentos. Esse foi inclusive um dos fatores que levaram o Ibovespa a fechar o mês de junho com queda de 11,5%, o pior resultado mensal desde o início da pandemia, em março de 2020.

“Começamos a ver um mau humor mais generalizado, uma dúvida em relação ao crescimento norte-americano, à China e à guerra sem solução. Soma-se a isso uma preocupação local em relação às eleições, à trajetória fiscal do País. Começamos a ver um aumento de despesas, isso é um pouco do que acabou impactando a nossa bolsa, sobretudo no mês de junho”, destaca Ricardo França, analista da Ágora Investimentos.

Com quedas expressivas na bolsa e em ativos de maior risco, como as criptomoedas, não é de se espantar que até os investidores mais arrojados estejam voltando os olhares para a renda fixa. “É um momento de cautela, quando vai performar melhor um portfólio bem diversificado, com alocação em moeda forte como o dólar, e mais peso em renda fixa pós-fixada. Ainda vale deixar um pouco em títulos de IPCA+ protegendo contra um processo inflacionário mais intenso, tendo em vista os riscos com uma eleição no radar”, afirma Daniel Miraglia, economista chefe do Integral Group.

Com a expectativa de que o Banco Central encerre o ciclo de alta nos juros já no segundo semestre, deve surgir uma oportunidade para olhar também para os títulos prefixados. “Se este cenário se concretizar – arrefecimento da inflação e uma possibilidade de queda na taxa de juros daqui a um ou dois anos –, os ativos prefixados vão ganhar mais força, enquanto os atrelados à inflação tendem a perder”, diz Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed, empresa de tecnologia e educação para investidores.

Mas também existem boas oportunidades fora da renda fixa para os investidores que tiverem um apetite maior ao risco e, principalmente, estejam olhando para prazos mais longos. Com a bolsa  abaixo dos 100 mil pontos, ações de qualidade estão negociando a um preço mais baixo.

“A bolsa está barata em termos de preço/lucro. Pode ficar mais? Sim, a depender do cenário macroeconômico. Mas para o investidor que não tem pressa no retorno, sem dúvidas é uma boa janela de oportunidade”, pontua Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos.

O especialista em renda variável destaca ainda uma outra classe de ativos que, assim como as ações, está muito descontada: os fundos de investimento imobiliário (FIIs). Operando perto da estabilidade no acumulado do ano, os FIIs são queridinhos dos investidores brasileiros porque pagam dividendos mensais e são isentos do Imposto de Renda. Com a possibilidade de que o BC encerre as altas na Selic, essa é uma classe de ativos que deve se beneficiar.

“A partir do momento que o mercado vislumbrar um início de queda na taxa de juros, os FIIs vão se beneficiar disso. É quase na mesma linha de ações, para quem pensa no médio e longo prazo, mas sem dúvida nenhuma é uma oportunidade”, diz Boragini.

A mesma opinião tem o economista chefe do Integral Group: “Dentro da parcela de renda variável do portfólio, se fosse para escolher hoje entre bolsa e fundo imobiliário, prefiro os FIIs. Uma volatilidade muito mais baixa e ainda estão bastante descontados, só é preciso escolher bem o gestor”, diz Daniel Miraglia.

Para investidores com um perfil de risco maior, a máxima de “comprar nas baixas” serve até para os ativos mais descontados do ano, as criptomoedas. Por serem ativos mais voláteis, as criptos vêm sofrendo bastante durante o semestre e boa parte do mercado acredita que já estamos enfrentando um novo “inverno cripto“. A expressão é utilizada para se referir a longos períodos de quedas consecutivas, em que os ativos não conseguem ensaiar uma reação.

Mas a notícia não é de toda ruim. Quem acredita na tese de investimento em criptomoedas e espera uma valorização desses ativos no longo prazo pode aproveitar o momento para montar posições.

“Naturalmente, ninguém consegue acertar onde vai ser o fundo do poço das criptos, porque vai depender muito de como todo o mercado vai se portar diante desse cenário de inflação. Mas, atualmente, as criptomoedas já estão em uma boa faixa de preço para compras visando o longo prazo”, afirma Tasso Lago, gestor de fundos privados em criptomoedas e fundador da Financial Move.

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