Kevin Warsh, indicado à presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) (Foto: Wikimedia Commons)
Indicado à presidência do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh deixou em aberto sua opinião em relação à trajetória das taxas de juros e afirmou que é “cético” sobre a orientação futura do banco central americano, ao ser sabatinado na Comissão de Bancos, Habitação e Assuntos Urbanos do Senado americano, nesta terça-feira, 21.
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“A política monetária opera com defasagens. O Fed terá que se empenhar bastante nas próximas reuniões”, ponderou.
Questionado sobre os comentários do presidente dos EUA, Donald Trump, a favor de uma política monetária mais frouxa, Warsh defendeu o mandatário americano dizendo que chefes de Estado costumam ser favoráveis a cortes de juros e que a única diferença é que Trump externaliza esse desejo.
Em relação à macroeconomia, Warsh avaliou que o lado da oferta da economia está mudando drasticamente e disse não concordar que a inflação acima do esperado se deva às tarifas impostas pela atual administração. Para ele, é importante verificar qual é a taxa de inflação real e há “tempo limitado” para reduzir os preços.
“Os dados utilizados para avaliar a inflação são bastante imperfeitos. O que mais me interessa é a taxa de inflação subjacente, minha impressão geral é que o risco de inflação melhorou um pouco. Acredito que a tendência da inflação seja bastante favorável”, detalhou, ao acrescentar que a missão do Fed em relação à inflação pode diminuir com o tempo.
O possível sucessor de Jerome Powell mencionou que uma das primeiras reformas do Fed deveria ser um projeto de dados e defendeu que, por conta dos impactos da inteligência artificial (IA), é crucial rever os modelos do Fed. “Há também uma questão sobre o que a IA significa para os empregos”, comentou.
Reformas políticas
Warsh sinalizou que o banco central americano necessita de “reformas políticas fundamentais” e um novo quadro de inflação, bem como novas ferramentas e comunicações. Ele destacou que, se for confirmado para a sucessão de Jerome Powell, utilizará as atuais ferramentas de maneira “diferente”, sem fornecer maiores detalhes.
“Precisamos de uma mudança de regime na condução da política do Fed”, acrescentou. Dentre outras críticas, ele citou que a instituição monetária “mantém suas previsões por mais tempo do que deveria”.
Durante a audiência, Warsh teve um diálogo acalorado com a senadora democrata Elizabeth Warren. Na ocasião, ela questionou se há algo na agenda econômica do presidente dos EUA, Donald Trump, com o qual o indicado discorde, considerando que o republicano disse anteriormente que “jamais” colocaria alguém com opiniões divergentes às suas na chefia do Fed.
Warren também perguntou se o possível futuro presidente possui investimentos em veículos criados por Jeffrey Epstein. “Esses bens serão vendidos se minha nomeação for confirmada”, respondeu Warsh, após desviar da resposta em outras tentativas.