Aeris Energy (AERI3) reporta queda de 49,8% na receita operacional líquida no primeiro trimestre de 2026, refletindo a ausência de novos contratos e o ambiente doméstico cauteloso. (Imagem: Adobe Stock)
A Aeris Energy (AERI3) atravessou mais um trimestre de forte pressão operacional, com queda acentuada de receitas e baixa utilização da capacidade produtiva. A fabricante de pás eólicas registrou prejuízo líquido de R$ 138 milhões no primeiro trimestre, aumento de 40% em relação a um ano antes, em meio à retração da demanda no mercado doméstico e à falta de novos contratos relevantes. O cenário manteve o Ebitda no campo negativo e seguiu limitando a diluição de custos fixos, principal ponto de pressão sobre a rentabilidade.
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, o lucro melhorou em R$ 339,4 milhões, ou 71%, frente aos R$ 477,5 milhões de prejuízo registrados no período.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, da sigla em inglês) ajustado de janeiro a março ficou negativo em R$ 27,47 milhões, revertendo o indicador positivo de um ano antes (R$ 5,58 milhões). Em comparação ao último trimestre de 2025, o número foi 54,64% menor. Na ocasião, a empresa reportou Ebitda negativo de R$ 60,56 milhões.
De acordo com o presidente da empresa, Alexandre Negrão, o indicador permaneceu pressionado pelo baixo nível de utilização da capacidade produtiva e pela menor diluição dos custos fixos.
A margem Ebitda ajustada ficou negativa em 26,0%, recuo de 28,7 pontos porcentuais (p.p.) em relação ao primeiro trimestre de 2025. Já em relação ao trimestre anterior, houve uma melhora de 26,9 p.p.
A receita operacional líquida no primeiro trimestre deste ano ficou em R$ 105,6 milhões, diminuição de 49,8% ante janeiro a março de 2025, quando a receita foi de R$ 210,36 milhões, e 7,8% menor em comparação ao desempenho de outubro a dezembro do mesmo ano, quando reportou R$ 114,52 milhões.
“Esse desempenho está inserido em um movimento de retração observado ao longo dos últimos trimestres, refletindo, principalmente, o menor nível de atividade no mercado interno. A continuidade de um ambiente doméstico mais cauteloso, aliada à ausência de novos contratos relevantes, resultou em volumes inferiores destinados a esse mercado”, disse a empresa.
No encerramento de março, a dívida líquida da companhia era de R$ 1,864 bilhão, ante R$ 1,789 bilhão no final de dezembro de 2025, um aumento de 4,2%, ou de R$ 75 milhões.
Já as despesas financeiras líquidas totalizaram R$ 95,98 milhões, representando um aumento de 24,1% ante o primeiro trimestre de 2025 e de 11,4% em relação ao quarto trimestre de 2025.
“Essa variação foi explicada principalmente pelo aumento dos juros e encargos relacionados a operações financeiras, empréstimos e financiamentos”, explica a Aeris em release com os resultados financeiros.
Em relação às despesas operacionais, a companhia registrou R$ 36,5 milhões no período, representando uma redução de R$ 24 milhões em relação ao quarto trimestre de 2025 e de R$ 8,2 milhões na comparação com um ano antes, excluindo o efeito one off do Impairment.
Publicidade
De acordo com a empresa, a alavancagem não foi divulgada em decorrência da renegociação das dívidas no primeiro trimestre de 2025, na qual foi acordada a exclusão do indicador de covenants financeiros, eliminando a obrigação de monitorar o índice de alavancagem.