O dólar à vista encerrou a sessão desta segunda-feira (13) com queda de 0,29% contra o real, a R$ 4,9970. É a primeira vez que o câmbio cai abaixo de R$ 5 desde 27 de março de 2024, quando encerrou a sessão negociado a R$ 4,98.
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O dólar à vista encerrou a sessão desta segunda-feira (13) com queda de 0,29% contra o real, a R$ 4,9970. É a primeira vez que o câmbio cai abaixo de R$ 5 desde 27 de março de 2024, quando encerrou a sessão negociado a R$ 4,98.
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O pregão começou com fortalecimento da moeda americana, após os Estados Unidos anunciarem que iniciariam às 10h um bloqueio do tráfego marítimo nos portos iranianos, aplicando a medida a embarcações de todas as nações que tentassem entrar ou sair dessas áreas. O objetivo do governo americano era interceptar navios que pagam “pedágio” ao Irã.
Ao longo do dia, no entanto, sinalizações do governo dos EUA para tentativas de negociação com o Irã ajudaram a dissipar o risco político. O petróleo ainda fechou o dia em alta, perto dos US$ 100 o barril, mas as Bolsas e o câmbio conseguiram um desempenho positivo.
“No Brasil, apesar da pressão inicial, o real mostrou resiliência, sustentado pelo diferencial de juros elevado, pelo fluxo externo e pelo patamar ainda alto do petróleo — que favorece os termos de troca — o que limitou uma alta mais expressiva da moeda americana”, explica Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
A cotação do dólar abaixo de R$ 5 pela primeira vez em dois anos mostra a resiliência da moeda brasileira, que vem de algum tempo. Mesmo em março, mês em que a guerra no Oriente Médio ditou o tom dos mercados com aversão a risco e fuga por ativos seguros, o câmbio não sofreu tanto. O DXY, que mede a performance do dólar contra moedas fortes, subiu 2,41%, enquanto contra o real a alta foi de 0,87% no período.
No primeiro trimestre de 2026, o real teve alta de 4,5% contra o dólar, o melhor desempenho entre 10 moedas emergentes, segundo dados levantados pela MAPFRE Investimentos. A análise da gestora é de que, no comparativo com os pares, o Brasil continua com vetores de atração de investimentos diretos. É um mercado grande e de liquidez, com recursos naturais abundantes, inclusive em setores energéticos – e segue barato.
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“A economia brasileira apresenta posição exportadora de petróleo superior à de outras economias emergentes, e a taxa de juros real superior às praticadas na média de nossos pares contribui para influxos de investimentos em renda fixa. Na renda variável, a bolsa brasileira segue subvalorizada, induzindo investimentos em empresas com potencial de valorização”, destaca a MAPFRE.
Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a continuidade da valorização do real depende das variáveis que fizeram a moeda se valorizar até aqui. O câmbio pode se manter abaixo de R$ 5 se persistirem a fraqueza global do dólar, a manutenção do diferencial de juros favorável ao Brasil, sem ruptura da trajetória de queda da Selic no futuro, e a ausência de ruídos relevantes no ambiente doméstico. “Se algum desses pilares enfraquecer, o câmbio pode estabilizar antes de romper essa marca“, explica.
No médio prazo, no entanto, a leitura dos especialistas parece mais cautelosa. No geral, anos eleitorais tendem a ser mais voláteis para o câmbio, que acaba funcionando como um vetor direto para as reações do mercado quanto aos ruídos políticos, discussões fiscais e expectativas sobre a condução da política econômica.
À medida que as eleições de outubro de aproximam, a política deve começar a fazer preço, tomando parte do espaço que hoje é ocupado totalmente pelo cenário externo. Isso pode tornar a assimetria que vem ajudando o câmbio menos favorável e impactar as cotações – em direções que ainda não é possível prever.
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“O componente eleitoral adiciona incerteza, principalmente na questão fiscal, e isso costuma bater direto no câmbio. Mesmo com momentos de real mais forte, a dinâmica deve ser de oscilação, com o dólar reagindo tanto ao cenário externo quanto às sinalizações internas”, explica Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas. “É um ano para esperar mais amplitude de preços do que uma tendência linear.”
*Com informações do Broadcast
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