O núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 0,4% em abril ante março, segundo dados com ajustes sazonais publicados pelo Departamento do Trabalho nesta terça-feira (12). Analistas consultados pelo Projeções Broadcast previam alta de 0,3%. Na comparação anual, o núcleo do CPI avançou 2,8% em abril. Nesse caso, a projeção era de alta de 2,7%.
Os números tendem a influencias as decisões do Federal Reserve (Fed, banco central americano) na condução da política monetária do país. Segundo André Valério, economista sênior do Inter, a expectativa do mercado é que os membros do Fed mantenham as taxas de juros nos níveis atuais de 3,5% e 3,75% ao longo do ano, enquanto os cortes devem ocorrer apenas em 2027.
“No contexto atual, uma retomada dos cortes necessitará de uma piora no mercado de trabalho, o que não tem ocorrido. Entretanto, o choque de energia, se longo o suficiente, poderá desacelerar a economia. Até lá, o Fed manterá os juros constantes, monitorando qual será o efeito líquido do choque de petróleo para agir”, diz Valério.
Já no Brasil, o índice de preços no consumidor amplo (IPCA) de abril veio em 0,67%, praticamente em linha com o esperado pelo mercado, e mostrou uma desaceleração em relação aos 0,88% de março, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 12 meses, a inflação acumula alta de 4,39%, ainda muito próxima do teto da meta do Banco Central.
Para Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, os números confirmaram a percepção do mercado: a inflação brasileira segue pressionada pelos preços da alimentação, combustível e medicamentos, itens essenciais aos brasileiros.//
“O grupo de alimentos e bebidas subiu 1,34% e respondeu sozinho por 0,29 ponto percentual do índice. O leite longa vida disparou 13,66%, e outros itens importantes da cesta, como cebola, tomate e carnes, também subiram. Em saúde e cuidados pessoais, o impacto foi de 0,16 ponto, refletindo o reajuste anual dos medicamentos”, destaca.
A realidade deve influenciar na condução da política monetária no Brasil. Como mostramos nesta reportagem, a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou que há um desancoragem adicional das expectativas de inflação em 2028.
“O mercado ainda enxerga espaço para cortes adicionais da Selic, mas em ritmo mais moderado, provavelmente de 0,25 ponto percentual por reunião. Dependendo da evolução do petróleo, do câmbio e das expectativas, não está descartada nem uma pausa no ciclo”, acrescenta.
Guerra no Oriente Médio no radar
O impasse de negociação entre os Estados Unidos e o Irã continua influenciando o desempenho do câmbio. Na segunda-feira (11), O presidente americano, Donald Trump, afirmou que o cessar-fogo com o Irã está “incrivelmente frágil” e “respirando por aparelhos”, mas que acredita que é possível uma solução diplomática com Teerã.
Em coletiva sobre saúde maternal no Salão Oval, o republicano voltou a dizer que proposta de paz do Irã é “inaceitável”, explicando que, na carta que Teerã enviou por meio do Paquistão, o país persa não se comprometeu a não possuir armas nucleares. Ele acrescentou que Washington não está sob pressão e que terá “vitória completa”.
Com informações do Broadcast*