Na avaliação do mercado, o tom da ata do Copom é mais duro do que a comunicação da decisão na última semana. A SulAmérica Investimentos revisou a projeção de Selic de 13% para 14% ao final de 2026 e de 11,25% para 12% ao final de 2027.
“A ata reconheceu um espaço menor para cortes e demonstrou uma preocupação com as expectativas (Focus) ainda mais acentuada do que no comunicado”, explica Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica. “Chamou a atenção o estabelecimento de uma relação quase mecânica entre o Focus 2028 e a continuidade do ciclo.”
Após a divulgação da ata, os contratos de apostas para o Copom ganharam liquidez, aumentando aqueles que indicam a manutenção da taxa Selic na próxima reunião. A aposta majoritária ainda é de um novo corte de 0,25 ponto percentual e corresponde a 55% das apostas. Mas a chance do grupo optar por manter os juros no atual patamar subiu para 30%.
Na avaliação de Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, o quadro descrito é de uma economia que, independentemente do choque externo, ainda não esfriou o suficiente para completar a desinflação pelo lado da demanda. “Expectativas se desancorando para 2028 são uma complicação para o Copom num momento em que o comitê já cortou a Selic duas vezes com o quadro inflacionário piorando”, diz.