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Tempo Real

Dólar hoje cai com alívio de juros na renda fixa dos EUA e prévia do PIB do Brasil

IBC-BR, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,40% em fevereiro ante janeiro

Por Silvana Rocha

17/04/2024 | 11:00 Atualização: 17/04/2024 | 16:53

Dólar (Foto: Adobe Stock)
Dólar (Foto: Adobe Stock)

O dólar renovou cotação mínima na tarde desta quarta-feira (17). O real se recupera parcialmente da tendência de baixa da moeda norte-americana e dos juros dos Treasuries (títulos da dívida pública dos Estados Unidos).

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Às 16h17 desta quarta-feira, o dólar à vista caía 0,71%, a R$ 5,23. Na mínima do dia, a cotação bateu os R$ 5,221 e, na máxima, R$ 5,2882, a mesma cotação da abertura.

  • Leia mais: O investimento de Stuhlberger para ganhar juros reais ‘insanos’

O IBC-BR, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,40% em fevereiro ante janeiro, com ajuste, acima da mediana das projeções do mercado (0,30%) – o que também favorece o real.

Mais cedo, o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) registrou aceleração em todas as sete capitais pesquisadas da primeira para a segunda quadrissemana de abril, informou nesta quarta-feira a Fundação Getulio Vargas (FGV). No período, a variação do índice passou de 0,18% para 0,29%.

O dólar no exterior

No exterior, o dólar e os juros dos Treasuries caem nesta manhã de quarta-feira com realização de lucros, após o estresse verificado na terça-feira (16) com o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, sinalizando que os juros podem demorar mais tempo a cair para conter a inflação, elevando expectativas de apenas uma redução neste ano.

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O euro e a libra avançam ante o dólar após um arrefecimento da inflação ao consumidor na zona do euro e no Reino Unido em março. A taxa anual da inflação ao consumidor (CPI) da zona do euro desacelerou para 2,4% em março e seu núcleo diminuiu para 2,9%, como foi confirmado pela Eurostat nesta quarta-feira, mas a inflação de serviços permaneceu alta, ressalta a Oxford Economics.

Em nota a clientes, a consultoria diz acreditar, que parte disso se deve a efeitos temporários do feriado de Páscoa e que a inflação de serviços deverá perder força nos próximos meses. De modo geral, os dados confirmam a tendência de desinflação e apoiam expectativas de um corte de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) em junho, avalia a Oxford.

Por que o dólar está subindo atualmente?

Segundo Guilherme Morais, analista da VG Research, há dois movimentos que envolvem ambas as moedas: a valorização do dólar em relação a várias outras divisas e a desvalorização do real decorrente do cenário interno. “O real tem tido uma das piores performances relativas no ano, com desvalorização maior do que a de diversas outras moedas, tais como o peso mexicano e as divisas de vários países asiáticos”, aponta.

As principais variáveis do dólar atualmente envolvem a escalada da guerra Entre Israel e o grupo Hamas na região do Oriente Médio, os juros dos EUA que demoram a cair e as discussões acerca da situação fiscal brasileira.

No que tange à guerra, investidores frequentemente buscam segurança financeira e transferem seus recursos para os EUA, que é considerado um refúgio econômico seguro. “Isso naturalmente fortalece o dólar frente às outras moedas e demonstra mais um vez o poderio da economia norte americana”, afirma Jonas Carvalho, CEO da Hike Capital.

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Em relação aos juros norte-americanos, existe uma pergunta inquietante: quando eles vão baixar? Um juro alto na economia dos EUA – como o atual, entre 5,25% e 5,5% ao ano, um dos maiores patamares em décadas – provoca um movimento natural de maior entrada de dinheiro no país, justamente para se beneficiar da renda fixa americana a taxas atrativas. No entanto, para realizar as operações no mercado dos EUA, os investidores que operam no Brasil precisam comprar dólares, o que aumenta a demanda pela moeda e faz pressão por alta no preço.

E por fim, o próprio Brasil importa. As mudanças relativas à austeridade nos gastos e controle orçamentário, como confirmado nesta semana pelo governo em relação ao arcabouço fiscal, demonstra instabilidade aos investidores estrangeiros, o que causa uma fuga de capital para o exterior e, consequentemente, desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar.

Por que o dólar vale mais que o real?

A cotação do real ante o dólar é um indicador estruturante da economia. Isso acontece pela importância da divisa norte-americana no mercado de câmbio, além de ser a moeda oficial utilizada no comércio internacional.

O dólar se firmou como a principal moeda do mundo no século XX, que terminou em 2001. Na Primeira e na Segunda Guerra Mundial as potências envolvidas gastaram grande parte de suas reservas em despesas bélicas, os estoques de ouro ficaram, portanto, escassos. Ao fim destes conflitos, os EUA se consolidaram enquanto potência mundial e  sua moeda, a dominante nos mercados globais. Assim, a maior parte dos negócios entre os países passou a acontecer por meio do moeda norte-americana.

As operações de câmbio ocorrem entre quaisquer moedas, mas é em relação ao dólar que se compara o quanto elas estão valorizadas. Na hora de trocar reais por pesos chilenos, por exemplo, a relação dessas moedas frente ao dólar dá lastro à troca.

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Essa é a razão por que se fala tanto na balança comercial. Quando um país exporta muito – como é o caso do Brasil, embora as commodities tenham menor valor agregado – ou recebe muitos turistas, entram mais dólares na economia local. Já quando importa muito, é necessário comprar mais produtos em preço americano e isso se torna desfavorável às contas públicas.

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