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Juros: taxas fecham em viés de alta apesar de alívio na curva dos Treasuries

Taxas oscilaram ao longo da sessão sem firmar tendência, na ausência de gatilhos capazes de definir alguma trajetória

Por Denise Abarca

23/02/2024 | 18:52 Atualização: 23/02/2024 | 18:52

Juros. Imagem: Adobe Stock.
Juros. Imagem: Adobe Stock.

Os juros futuros oscilaram entre margens estreitas nesta sexta-feira (23) de agenda doméstica esvaziada e noticiário sem destaques. No exterior, houve alívio na curva dos Treasuries e queda do petróleo e grãos, mas insuficiente para animar o mercado local. O câmbio pressionado, com o dólar perto de R$ 5, chegou a trazer alguma influência na primeira parte da sessão.

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No fechamento, as taxas tinham viés de alta. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 encerrou em 10,020%, de 10,003% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2026 passou de 9,83% para 9,86%. O DI para janeiro de 2027 fechou com taxa de 10,04% (de 10,00% ontem) e o DI para janeiro de 2029, com taxa de 10,47%, de 10,43%.

As taxas alternaram viés de alta e de baixa ao longo da sessão sem firmar tendência, na ausência de gatilhos capazes de definir alguma trajetória. Daniel Leal, estrategista de renda fixa da BGC Liquidez, lembra que a baixa volatilidade tem sido uma tônica do mercado de juros ao longo da semana e vê o bom desempenho de Wall Street hoje muito mais como um rescaldo da reação positiva ao forte balanço da Nvidia do que otimismo com a política monetária do Federal Reserve. “As apostas de cortes de juros têm sido postergadas e o mercado também têm trabalhado com a ideia de um orçamento menor. Isso fez com que a curva americana abrisse nos últimos dias e hoje o que temos é uma correção”, disse Leal, para quem a taxa da T-Note na faixa de 4,30% é aceitável para o mercado aqui.

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Nesse contexto, não há estímulo para a montagem de novas posições em DI. A ponta curta tem tido variações ainda mais comedidas, com as apostas para Selic bem ajustadas para mais dois cortes de 0,5 ponto porcentual. A expectativa para a taxa terminal, em boa medida, está atrelada às ações do Fed, ainda que o Banco Central negue qualquer relação mecânica entre os dois ciclos, como enfatizou hoje o diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, durante palestra em evento da Abrasca.

Ele reiterou o compromisso em levar a inflação para o centro da meta, de 3%, destacando que as expectativas para o IPCA do relatório Focus continuam desancoradas, em torno de 0,5 ponto porcentual acima do alvo. Os longos estão mais sujeitos aos ventos externos e ao cenário fiscal, cuja percepção dos agentes têm melhorado recentemente. “Destacamos os resultados fortes de arrecadação de janeiro e as decisões recentes da justiça em favor do Governo Federal no Carf. Essas receitas extras são essenciais para o resultado deste ano e podem trazer um viés de melhora para o nosso número”, afirmam os economistas do Bradesco, em relatório. O banco prevê déficit primário de 0,7% para este ano.

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