De acordo com o especialista, o avanço das taxas foi impulsionado principalmente pela alta dos preços do petróleo e pelo discurso mais duro de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). Esse cenário reforçou as expectativas de juros elevados no exterior por mais tempo, aumentando a pressão sobre os ativos brasileiros. Assis explica que esse impacto é sentido de forma mais intensa nos títulos prefixados.
Na avaliação do CEO da Asset Bank, os prefixados seguem atrativos para quem busca rendimento consistente no longo prazo, enquanto os papéis atrelados à inflação continuam funcionando como proteção diante de uma inflação persistente.
Já o Tesouro Selic permanece como alternativa voltada à liquidez imediata. Para o especialista, a combinação de diferentes indexadores e vencimentos pode ser uma estratégia eficiente para equilibrar rentabilidade, segurança e flexibilidade no atual ambiente econômico, marcado por desafios tanto no cenário global quanto doméstico.
Tesouro Selic
No caso do Tesouro Selic, a taxa adicional permanece bastante baixa, em torno de 0,0453% ao ano no papel com vencimento em 2028, o que indica pouca volatilidade e manutenção do perfil conservador desse título. O preço unitário gira próximo de R$ 18,2 mil, com aplicação mínima na casa de R$ 182,89, mantendo-se como principal alternativa para reserva de liquidez e proteção contra oscilações de mercado.
Veja um exemplo:
Tesouro IPCA+
Já os títulos Tesouro IPCA+ (sem juros semestrais) seguem oferecendo prêmios expressivos. O papel com vencimento em 2029 paga cerca de IPCA + 7,63%, enquanto os mais longos, como 2040 e 2050, oferecem taxas de 7,27% e 7,02%, respectivamente.
A inclinação da curva, com taxas mais altas nos prazos intermediários, sugere um prêmio maior concentrado no médio prazo, refletindo expectativas de inflação e juros ainda elevados no horizonte mais próximo, com alguma acomodação no longo prazo.
No segmento de IPCA+ com juros semestrais, o título com vencimento em 2035 apresenta taxa de IPCA + 7,48%, também em patamar elevado. Esse tipo de papel continua sendo mais indicado para investidores que buscam fluxo de renda periódica, embora com maior sensibilidade à marcação a mercado.
Tesouro Renda+
Os produtos voltados a objetivos específicos, como o Tesouro Renda+ (aposentadoria), mostram uma curva longa relativamente estável, com taxas que partem de IPCA + 7,35% em 2049 e vão caindo gradualmente nos vencimentos mais longos, como 2084. Esse comportamento indica uma ancoragem das expectativas de inflação no longo prazo, ainda que em níveis elevados de juros reais.
Tesouro Educa+
Da mesma forma, o Tesouro Educa+ apresenta taxas reais bastante atrativas, principalmente nos vencimentos mais curtos, como 2030 (IPCA + 7,95%) e 2031 (IPCA + 7,84%). Ao longo da curva, há uma leve queda nas taxas até cerca de IPCA + 7,18% em 2046, reforçando o mesmo padrão observado nos demais títulos: prêmios mais altos no curto e médio prazo.
O quadro atual do Tesouro Direto hoje mostra juros reais ainda elevados, curva levemente inclinada e oportunidades mais interessantes nos prazos intermediários, enquanto o Tesouro Selic segue como instrumento de estabilidade.