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Focus: mercado já vê inflação acima de 5% em 2026 após choque do petróleo; veja o que esperar da Selic

Centro da meta do IPCA é de 3% ao ano, com teto em 4,5%; já a projeção suavizada, que ganhou importância no mercado financeiro, subiu pela primeira vez depois de cinco semanas

Por Mateus Maia

25/05/2026 | 9:17 Atualização: 25/05/2026 | 9:30

Inflação suavizada nos próximos 12 meses subiu pela primeira vez depois de cinco semanas, de 3,95% para 4,07%. (Foto: Adobe Stock)
Inflação suavizada nos próximos 12 meses subiu pela primeira vez depois de cinco semanas, de 3,95% para 4,07%. (Foto: Adobe Stock)

A mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 do boletim Focus aumentou pela décima primeira semana consecutiva, de 4,92% para 5,04%, distanciando-se ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. O movimento reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços do petróleo.

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Considerando apenas as 115 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana passou de 5,04% para 5,07%. A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 subiu de 4,00% para 4,01%, depois de ficar estável por três semanas. Um mês antes, era de 4,00%. Considerando apenas as 112 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 4,00% para 4,04%.

A mediana do Focus para a inflação de 2028 ficou estável de 3,65%, depois de ter subido na divulgação anterior. Na ata da sua última reunião, de abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) destacou a preocupação com a desancoragem das expectativas para esse horizonte, que já pode refletir efeitos de segunda ordem do choque de oferta do petróleo.

“A duração do conflito até esse momento pode ter sido suficiente para materializar alguns riscos, sendo o mais evidente a desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028. Nesse contexto, o comitê reafirma seu compromisso no combate dos efeitos de segunda ordem do choque de oferta do petróleo e seus derivados, e serenidade para reunir mais informações ao longo do tempo, em cenário de incerteza elevada“, disse.

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A estimativa intermediária para a inflação de 2029 permaneceu em 3,50% pela 38ª semana consecutiva. A trajetória prevista pelo mercado segue acima da esperada pelo Banco Central, mesmo depois da revisão das estimativas do Copom na reunião de abril. Na ocasião, o colegiado aumentou a projeção para o IPCA de 2026, de 3,9% para 4,6%, e para o IPCA de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, de 3,3% para 3,5%.

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A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central perdeu o alvo.

Projeção para a Selic se segura, apesar do mercado projetar IPCA maior

Mesmo com as oscilações nas projeções para a inflação, a mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,25% ao ano. O mercado vem ajustando as expectativas para a extensão do ciclo de afrouxamento monetário conduzido pelo Banco Central, em meio ao aumento da incerteza e dos preços de petróleo por causa da guerra no Oriente Médio.

Considerando só as 97 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano subiu de 13,25% para 13,50%.

  • Saiba mais: IPCA acima da meta muda rota da Selic e mercado prevê corte menor pelo Copom

A estimativa intermediária do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2027 permaneceu em 11,25% pela segunda semana consecutiva. A mediana do mercado para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,0% pela 18ª semana seguida. A estimativa para 2029 continuou em 10,0%. Um mês antes, era de 9,75%.

O Copom já promoveu cortes de 0,25 ponto porcentual dos juros nas duas primeiras reuniões de 2026, que levaram a Selic a 14,50% ao ano. Mas alertou, na ata da sua última reunião, que a magnitude e duração do ciclo vão ser determinadas ao longo do tempo, à medida que houver novas informações sobre o conflito.

Inflação suavizada sobe pela 1ªa vez em semanas

A mediana do relatório Focus para a inflação suavizada nos próximos 12 meses subiu pela primeira vez depois de cinco semanas, de 3,95% para 4,07%. Um mês antes, a mediana era de 4,09%. Considerando apenas as estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 4,07% para 4,12%.

A medida ganhou importância nas análises do mercado após a regulamentação da meta de inflação contínua. O novo alvo foi descumprido pela primeira vez em julho de 2025, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA fechou junho com alta de 5,35% em 12 meses – acima do teto da meta, de 4,50%, pelo sexto mês consecutivo.

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No mesmo dia, o Banco Central publicou uma carta aberta ao ministro da Fazenda informando que esperava que a inflação acumulada em 12 meses caísse abaixo do teto da meta no fim do primeiro trimestre de 2026. O IPCA está abaixo de 4,50% desde novembro, mas o mercado espera que ele volte a superar a meta já em maio.

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