Os analistas do BBA veem a unidade Vale Base Metals bem posicionada para continuar capturando valor por meio de uma base operacional competitiva e crescimento orgânico. Uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da divisão, no entanto, não é um objetivo em si.
“A Vale não acredita em realizar um IPO apenas para ‘destravar valor’, já que não espera uma reprecificação significativa a partir desse movimento, pois a empresa ainda seria vista principalmente como uma companhia de minério de ferro”, afirmam os analistas Daniel Sasson, Edgard Pinto de Souza e Marcelo Furlan Palhares, que assinam o relatório.
De forma geral, a Vale quer que o negócio de metais básicos esteja “pronto para um IPO”, de modo que possa aproveitar uma eventual transação oportunística caso as condições de mercado se tornem favoráveis.
Com essa unidade de negócios, a Vale enxerga um caminho viável para aumentar a produção de cobre de 380 mil toneladas por ano atualmente para 700 mil toneladas por ano até 2035. A operação de níquel é diferente, já que a empresa continua avaliando alternativas estratégicas diante das dinâmicas mais desafiadoras da indústria.
O crescimento da Vale Base Metals deve ser majoritariamente autofinanciado. A divisão planeja investir cerca de US$ 5 bilhões até 2035, sendo aproximadamente US$ 3 bilhões até 2030. Segundo a companhia, nos níveis atuais de preços de cobre e níquel, a unidade já gera fluxo de caixa suficiente para financiar internamente seu crescimento planejado.
Crescimento orgânico como prioridade
Na avaliação do Itaú BBA, a alocação de capital da Vale permanece disciplinada e focada em crescimento orgânico, priorizando projetos de alto retorno em vez de engenharia financeira.
Em relação a fusões e aquisições (M&A), a companhia afirmou que só realizará transações se forem estrategicamente sólidas e gerarem valor, e não apenas para crescer. A estrutura da Vale Base Metals pronta para IPO ajuda a manter essa opcionalidade.
Visão ainda positiva para o setor de minério de ferro
Segundo BBA, no encontro, Gustavo Pimenta, CEO da Vale, mostrou-se otimista em relação às dinâmicas de curto e longo prazo do mercado de minério de ferro.
No curto prazo, a produção global de aço continua resiliente apesar da desaceleração na China. Já no longo, a visão positiva é sustentada pelo aumento da demanda marítima de minério em outras regiões, especialmente Índia, onde a Vale espera vender cerca de 10 milhões de toneladas em 2025.
Além disso, o esgotamento estrutural da indústria e o aumento dos custos de produção criam oportunidades para o portfólio operacional mais competitivo da Vale.
Conflito no Oriente Médio
Sobre o conflito no Oriente Médio, a companhia destacou que o impacto negativo de cerca de US$ 2 a 2,5 por tonelada, decorrente de uma alta de US$ 20 por barril no petróleo Brent, foi mais do que compensado por uma alta de cerca de US$ 5 por tonelada no preço do minério de ferro desde o início da guerra no Irã.
Na segunda-feira (9), o barril do Brent chegou a quase US$ 100, o maior valor desde 2022. A escalada na cotação do petróleo ocorreu após cortes de produção por grandes países do Golfo e a paralisação quase total do tráfego comercial no Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica por onde passa cerca de um quinto da produção mundial da commodity.
Já nesta terça-feira, as cotações da commodity despencam quase 15%, depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar ter conversado com seu homólogo russo, Vladimir Putin, sobre propostas para uma solução política rápida das tensões.
Atualização sobre transbordamentos em Fábrica e Viga
Ao final de janeiro, a mineradora informou a ocorrência de extravasamentos de água com sedimentos nas regiões das minas de Fábrica e Viga, em Minas Gerais.
Durante o encontro com o Itaú BBA, a Vale sinalizou que os trabalhos de recuperação estão majoritariamente concluídos. Assim que a empresa obtiver as aprovações necessárias, estará pronta para retomar a produção nesses locais. “Ainda não está claro quanto tempo isso levará, mas, neste momento, o impacto sobre os volumes de produção de 2026 parece limitado”, avalia o banco.