Daniella Guanabara, CFO da ALLOS, a maior operadora de shopping centers do Brasil, que teve avanço de 31,5% no lucro em 2025 (Foto: Divulgação)
A estratégia de atração de marcas internacionais deve ganhar ainda mais tração na ALLOS (ALOS3) em 2026. Após a entrada recente da gigante sueca de moda H&M em um shopping de seu portfólio (Parque D. Pedro, em Campinas-SP), a companhia afirma que novas bandeiras devem ser anunciadas ao longo do ano, reforçando o posicionamento dos seus shoppings como destinos dominantes de consumo.
“Devemos ter boas novidades em relação a novas marcas compondo o mix”, disse a CFO Daniella Guanabara, em entrevista exclusiva ao E-Investidor.
O movimento ocorre em paralelo a mais um conjunto de resultados robustos. No quarto trimestre de 2025, a companhia reportou lucro líquido de R$ 252 milhões, avanço de 62% na comparação anual. A receita líquida cresceu 4,6%, para R$ 798 milhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 7,4%, superando R$ 619 milhões. O desempenho consolidou um ano positivo: em 2025, o lucro líquido totalizou R$ 834 milhões, alta de 31,5% sobre 2024, com receita de R$ 2,8 bilhões (+6,7%) e Ebitda ajustado de R$ 2 bilhões (+8,7%).
Segundo Daniella, a resiliência dos resultados da Allos está diretamente ligada ao perfil do portfólio. A ALLOS opera shoppings dominantes em suas regiões, característica que confere maior capacidade de atravessar ciclos econômicos desafiadores.
“São ativos defensivos, com alto nível de ocupação e forte demanda por espaço”, afirmou a executiva.
A taxa de ocupação acima de 97%, chegando a 99% em alguns ativos, reforça essa dinâmica ao elevar a competição entre lojistas e manter a inadimplência em níveis historicamente baixos.
Helloo, a estratégia de mídia
Além da receita tradicional de aluguel, a diversificação de negócios tem ganhado relevância na maior operadora de shopping centers do País. A operação de mídia da companhia, a Helloo, cresce a taxas próximas de 20% por trimestre e já representa mais de 7% da receita consolidada. A entrada da Helloo em aeroportos — incluindo Congonhas — também contribuiu para ampliar as fontes de receita. Ainda assim, o core business de locação permanece predominante.
Outro pilar relevante para a expansão da rentabilidade foi a gestão financeira. A empresa avançou no alongamento do perfil da dívida e na redução do custo médio, hoje em CDI mais 0,7%, com alavancagem controlada em 1,7 vez dívida líquida/Ebitda ajustado. A estratégia incluiu evitar concentrações de vencimentos em 2026 e 2027, anos potencialmente mais voláteis por causa das eleições presidenciais no Brasil. Esse trabalho ajudou a mitigar o impacto do elevado patamar de juros sobre o resultado.
No campo operacional, a companhia também capturou ganhos de eficiência. Um programa interno de simplificação, implementado após a fusão que originou a empresa (entre Aliansce Sonae e brMalls), resultou em redução relevante de despesas no quarto trimestre e deve continuar beneficiando os números ao longo de 2026. A base de comparação mais favorável, especialmente no primeiro semestre, tende a reforçar esse efeito.
Mesmo com menor pressão inflacionária — e, consequentemente, reajustes contratuais mais modestos —, a ALLOS compensou a dinâmica com novas avenidas de crescimento. Além da mídia, programas de fidelidade e iniciativas de monetização de dados vêm ganhando espaço. A companhia utiliza inteligência analítica para otimizar o mix de lojas e precificação de aluguéis, além de aprimorar estratégias comerciais com base no comportamento do consumidor.
Projetos multiuso em crescimento
No segmento de desenvolvimento imobiliário, os projetos multiuso seguem como alavanca de longo prazo. A empresa estima receber mais de R$ 500 milhões ao longo de dez anos com participações em empreendimentos construídos em terrenos de seus shoppings. Mais relevante, porém, é o impacto indireto: a expectativa é de adicionar cerca de 90 mil a 100 mil pessoas nas áreas de influência dos ativos, elevando o fluxo e o potencial de consumo, segundo a CFO da ALLOS.
Para 2026, o cenário macro permanece no radar. Embora a perspectiva de queda de juros tenha se tornado mais gradual diante de incertezas globais, como a guerra entre Estados Unidos e Irã, a companhia vê o movimento como estruturalmente positivo. A redução do custo de capital tende a estimular o consumo e aliviar o endividamento das famílias e das empresas, beneficiando o varejo e, por consequência, os shoppings.
Ainda assim, a estratégia segue pautada por disciplina. No campo de fusões e aquisições, a empresa tem priorizado desinvestimentos: foram 13 nos últimos três anos. O foco também está em projetos internos de maior retorno e menor prazo, como reconfiguração de espaços e revisão do mix de lojas, afirmou Daniella.
Os investimentos previstos para 2026 ficarão entre R$ 350 milhões e R$ 450 milhões, abaixo do ano anterior, refletindo a conclusão de projetos estruturais pós-fusão, como a unificação de sistemas. A prioridade segue em iniciativas de rápida maturação, com destaque para tecnologia e experiência do consumidor. Programas de fidelidade, análise de dados e soluções como pontos de recarga para veículos elétricos integram essa agenda.
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Já a política de dividendos reforça o posicionamento da companhia como boa pagadora de proventos. O guidance de distribuição entre R$ 0,28 e R$ 0,30 por ação ao mês em 2026 implica um yield próximo de 11%, patamar considerado atrativo pela CFO. A sinalização, segundo Daniella, é de manutenção dessa política, com foco na previsibilidade ao investidor.
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