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Mercado

Ágora e BBI reduzem preço-alvo de siderúrgicas e mineradoras

Gerdau e Usiminas foram destaques na redução; relatório também avaliou a economia chinesa

Por Estadão Conteúdo

27/05/2022 | 8:46 Atualização: 27/05/2022 | 8:46

Aço derretido em siderúrgica (Foto: Stringer/Reuters)
Aço derretido em siderúrgica (Foto: Stringer/Reuters)

Por Bruna Camargo – A Ágora Investimentos e o Bradesco BBI reduziram os preços-alvos das ações de empresas siderúrgicas e mineradoras, além de ter destacado a aposta no melhor desempenho dos papéis de Gerdau e Usiminas. As alterações foram divulgadas na quinta-feira (26) em relatório assinado pelos analistas Thiago Lofiego, do BBI, e Renato Chanes, da Ágora.

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O preço-alvo de Usiminas foi reduzido de R$ 27 para R$ 20, “devido aos maiores custos de matéria-prima” e “menores volumes”, segundo o relatório. A alteração representa potencial de alta de 72,1% em relação ao fechamento de quarta-feira (25). A recomendação de compra foi mantida. “Já projetamos queda de 20% nos preços do aço em 2023 e ainda assim, a ação seria negociada a um atraente múltiplo de 2,2x EV/EBITDA para 2023. Acreditamos que os resultados devem melhorar nos próximos trimestres, enquanto achamos que as ações estão descontadas”, afirmam Lofiego e Chanés.

No caso de Gerdau, o preço-alvo foi ajustado de R$ 43 para R$ 40, o que representa potencial de alta de 38,3% em relação ao fechamento de quarta-feira (25). “Incorporamos tarifas de importação de aço mais baixas e um real mais valorizado em nosso modelo, enquanto também assumimos um múltiplo EV/EBITDA alvo menor para 2023”, explicam os analistas, acrescentando que “grandes dividendos estão por vir”. “Nossas novas estimativas de EBITDA de R$ 24 bilhões e R$ 17 bilhões para 2022 e 2023 estão 28% acima do consenso. Nesse cenário, pensamos que os dividendos terão que aumentar invariavelmente, especialmente porque a administração tem falado muito sobre alocação de capital eficiente (sem grandes fusões e aquisições, sem grandes novos projetos além dos já anunciados). Dito isso, projetamos dividendos próximos à R$ 10 bilhões por ano em 2022 e 2023 (20% de yield)”, avaliam.

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Já o preço-alvo de Vale foi reduzido de R$ 135 para R$ 117 – o que representa potencial de alta de 38,7% em relação ao fechamento de ontem – e os analistas afirmam permanecerem “taticamente positivos” com as ações da mineradora. “O ambiente de preços do minério de ferro acima da média deve continuar sustentando a saudável geração de caixa de US$ 16 bilhões e US$ 12 bilhões em 2022 e 2023, respectivamente, se traduzindo em forte remuneração aos acionistas de 22% (entre dividendos e recompras de ações). Vemos VALE3 negociando em 3,5x o múltiplo EV/EBITDA para 2023, contra o nível de 4,5x que consideraríamos justos para este momento do ciclo”, descrevem Lofiego e Chanés.

As ações de CSN e CSN Mineração tiveram seus preços-alvos alterados de R$ 43 e R$ 9,50 para R$ 37 e R$ 7,40, respectivamente. Em referência ao fechamento de quarta-feira, isso representa potencial de alta de 76,1% para CSN e 60,8% para CSN Mineração. “Continuamos vendo ganhos relevantes com as ações da CSN e CSN Mineração, impulsionados por uma perspectiva mais benigna para os preços de aço e minério de ferro no curto prazo”, afirmam os analistas. No entanto, Lofiego e Chanes dizem que “incertezas sobre alocação de capital e o impacto da inflação sobre os investimentos para a expansão permanecem como pontos de interrogação” e destacam a preferência por Usiminas, Gerdau e Vale.

Por fim, o relatório indica que a recomendação de compra e o preço-alvo de R$ 25 para CBA foram mantidos. O valor representa um potencial de alta de 58,5% em relação ao fechamento de ontem. “Esperamos que os preços do alumínio continuem se recuperando das baixas recentes, à medida que a atividade econômica chinesa se recupera, enquanto os níveis de estoque global permanecem em níveis baixos, os prêmios regionais permanecem elevados e os altos preços de combustíveis/energia globalmente implicam um alto suporte ao preço do alumínio”, explicam os analistas.

Cenário

Os analistas da Ágora e do BBI avaliam que a economia chinesa “está em um momento de ‘fazer ou quebrar’”, destacando as contaminações e restrições pelo coronavírus como ponto de atenção.

“Embora seja improvável que as restrições relacionadas ao Covid-19 se dissipem totalmente no curto prazo, acreditamos que o governo chinês adotará uma abordagem mais pragmática para fornecer um crescimento razoável do PIB em 2022 (ou seja, mais de 4%). De fato, os índices de transmissão do vírus continuam melhorando na China (em meados de abril, aproximadamente, 50% do PIB da China estava sob severas restrições, contra algo em torno de 20% atualmente), enquanto testes em massa e lockdowns mais direcionados e mais curtos já estão sendo implementados. Além disso, uma onda de medidas de estímulo está se formando e esperamos que infraestrutura, habitação e produção industrial se recuperem no segundo semestre do ano”, justificam, no relatório.

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Lofiego e Chanes afirmam ainda que a análise das casas “sugere uma forte recuperação da demanda (e preço) por aço no segundo semestre na China”, com um crescimento de 10 a 15% na demanda durante o período, enquanto a produção de aço chinesa deve crescer apenas ao redor de 1%, “pois já vem se recuperando desde março e com o governo chinês mais uma vez visando um crescimento de produção zero ano a ano”. “Nesse ambiente, os preços do aço deveriam ter melhor desempenho em relação aos do minério de ferro”, avaliam.

Por fim, os analistas afirmam no relatório que “nesse ambiente e considerando os níveis de valuation atuais”, as ações das siderúrgicas devem ter um desempenho melhor, especialmente Gerdau e Usiminas.

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