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Mercado

Mansueto: Para bolsa seguir em alta, governo deve fazer o dever de casa

Segundo o ex-secretário do Tesouro Nacional, o Brasil vive em um momento favorável para o mercado de capitais

Por Daniel Rocha

05/10/2022 | 4:25 Atualização: 05/10/2022 | 7:15

Mansueto Almeira é economista-chefe do BTG Pactual (Foto: Kalebe Oliveira/Acqua Vero Investimentos)
Mansueto Almeira é economista-chefe do BTG Pactual (Foto: Kalebe Oliveira/Acqua Vero Investimentos)

O mercado parece estar mais tranquilo em relação aos desdobramentos das eleições deste ano. Com o resultado do primeiro turno no domingo (2), o Ibovespa encerrou a segunda-feira (3) com uma alta de 5,54%, aos 116.113,15 pontos. Já no pregão de terça-feira (4), o principal índice da B3 teve um ganho tímido de 0,08%, aos 116.230,12 pontos.

Leia mais:
  • Como o mercado avaliou o 1º turno e o que esperar a partir de agora
  • A euforia na Bolsa vai continuar após a eleição presidencial?
  • 3 cenários para a carteira de investimentos no 2º turno
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Além da formação de um congresso mais alinhado às pautas da direita, o que trouxe ânimo para o mercado, a conjuntura internacional parece estar mais favorável para o mercado brasileiro. Segundo Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro Nacional e economista-chefe do BTG Pactual, se o próximo governo fizer o seu “dever de casa”, a bolsa de valores pode consolidar um movimento de forte alta nos próximos meses.

A declaração do economista ocorreu durante um evento promovido pela Acqua Vero Investimentos, escritório associado ao BTG Pactual com cerca de R$ 5 bilhões sob gestão, em Fortaleza (CE).

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Em conversa com empresários da região e economistas, o ex-secretário do Tesouro Nacional analisou os rumos da economia brasileira e como a conjuntura do cenário internacional pode favorecer os ativos brasileiros.

Segundo ele, com o risco de recessão global diante do aumento da taxa de juros nos Estados Unidos e na Europa, os investidores internacionais passam a analisar as oportunidades de investimento em países emergentes, como o Brasil. Mesmo assim, as opções são poucas e nem sempre as melhores. A Rússia, por exemplo, segue fora do radar dos investidores devido à guerra na Ucrânia. Já a crise imobiliária e energética na China podem tornar os investimentos mais arriscados.

Ao olhar para os vizinhos da América Latina, a situação torna-se ainda mais favorável para o Brasil. Isso porque as tensões políticas no Chile, com a rejeição da nova proposta de constituição do país, a crise econômica na Argentina e a instabilidade política no Peru, deixam os mercados vizinhos menos atraentes para o investidor.

“Quando olhamos para esse contexto de países emergentes, o Brasil está bem na “foto””, disse Mansueto durante evento. “Há várias empresas no Brasil que são exportadoras e que pagam muito dividendo, independente do país crescer 2%, 3% ou 4% ao ano. Então, a comunidade internacional começou a olhar novamente para o Brasil”, acrescentou.

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No entanto, a formação desse cenário no exterior não será o único responsável por sustentar a recuperação da bolsa brasileira ao longo dos próximos meses. Para Mansueto, o próximo governo precisa fazer o seu “dever de casa” e sinalizar mudanças importantes para atrair os investidores.

“Para a gente transformar essa potencialidade (cenário favorável no exterior para o Brasil) em uma recuperação forte na bolsa, precisamos esperar a eleição passar e dar os três sinais importantíssimos para quem está de fora: responsabilidade fiscal, compromisso com o meio ambiente e dá continuidade com a agenda de reforma”, afirmou o atual economista-chefe do BTG Pactual.

Resultado do 1º turno

O resultado da apuração das urnas eleitorais no domingo (2) já trouxe otimismo para o mercado com a nova configuração do Congresso mais alinhada ao Centro e à Direita.

A nova formação das bancadas pode ajudar na continuidade da agenda das reformas, como a tributária e a administrativa. Isso pode evitar que o ex-presidente Lula (PT), caso seja eleito, coloque em práticas algumas propostas que desagradam o mercado, como rever as reformas trabalhistas e da previdência. Veja o efeito da nova configuração no Congresso para o mercado nesta reportagem.

“Lula está sem muito espaço de ação e, caso o presidente Jair Bolsonaro ganhe no segundo turno, acho que há um ambiente de Congresso mais apropriado para as reformas que, na minha avaliação, o atual governo está devendo”, afirma Mário Goulart, analista de CNPI e criador do canal “O Analisto”.

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Por outro lado, os dois candidatos já sinalizaram que desejam substituir o teto constitucional de gastos, sem esclarecer detalhes.

Segundo o Estadão, o ministério da Economia estuda uma nova regra fiscal para ser alternativa, mas a proposta só deve ser divulgada em novembro. Já Guilherme Mello, economista do PT, afirmou em entrevista no fim de setembro que, em um novo governo do candidato Lula, o teto de gastos será revogado e será criado um novo arcabouço fiscal. No entanto, os detalhes do programa também não foram divulgados.

“Considerando que o Brasil ainda possui dívida e serviço da dívida elevados, a diretriz da política fiscal a partir de 2023 é fundamental para que as expectativas de inflação continuem caindo, abrindo espaço para o Banco Central reduzir juros adiante”, diz a XP em relatório publicado nesta segunda (3) sobre o resultado das eleições.

Neste contexto das contas públicas, Ariane Benedito, economista e especialista em mercado de capitais, avalia que o principal ponto que segue no radar dos investidores é como o próximo governo irá conseguir adequar os gastos com os auxílios, como o Auxílio Brasil no valor de R$ 600, no orçamento da União. “Nenhum dos candidatos mostrou uma solução”, afirma. Ela também ressalta que a deflação foi puxada por preços regulados pelo governo, como energia e combustíveis.

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