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Investimentos

Big Techs divulgam seus balanços. Em quais empresas vale investir?

As ações das gigantes da tecnologia estão entre as opções preferidas dos investidores brasileiros no exterior

Por Luíza Lanza

28/10/2022 | 13:57 Atualização: 28/10/2022 | 14:12

Segundo analistas, o balanço da Meta foi o destaque negativo. (Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Illustration)
Segundo analistas, o balanço da Meta foi o destaque negativo. (Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Illustration)

A temporada de divulgação dos resultados referentes ao terceiro trimestre de 2022 já começou no Brasil e nos Estados Unidos. Por lá, entre a terça (25) e a quinta-feira (27) foi a vez das big techs mostrarem ao mercado os números do período. As cinco maiores empresas de tecnologia americanas, Alphabet, Amazon, Apple, Meta e Microsoft apresentaram balanços mistos, alguns acima, outros abaixo das expectativas – e dão sinais para entender como as gigantes do mercado estão respondendo ao aumento de juros nos EUA.

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Desde março, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) já fez cinco aumentos consecutivos na taxa de juros do país, uma tentativa de combater a maior inflação em mais de quarenta anos por lá. O aperto monetário gerou uma onda de aversão a risco que penalizou as bolsas americanas, principalmente as ações daquelas empresas que ainda dependem de crescimento.

As big techs, por serem gigantes já consolidadas e líderes em seus respectivos mercados, costumavam ser papéis mais resilientes às intempéries do mercado. Mas a temporada de balanços do 3T22 veio para mostrar que esse cenário está mudando, dizem especialistas. “O que estamos vendo é que agora elas estão indo em um movimento diferente”, diz Pietra Guerra, analista de mercados internacionais da XP.

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A analista explica que como a transição digital, que favorece esses modelos de negócio, está acontecendo há algum tempo, o crescimento dessas empresas já não é mais tão descorrelacionado dos ciclos econômicos como costumava ser. “Elas começam a ter um comportamento muito mais próximo de empresas cíclicas, ou seja, que são impactadas pela desaceleração da economia”, afirma Guerra.

Um impacto que começa a aparecer nos números trimestrais. Para Nicholas Bennett, analista de renda variável da WHG, trata-se de uma normalização de números que, antes, estavam muito positivos. “A margem operacional do Google quase dobrou do começo de 2019 para o 3T21, enquanto o Facebook mais do que dobrou sua meta até o final de 2020. Os resultados do 3T22 mostraram que as empresas estão passando por um processo de normalização da expansão de margens que vimos em 2020 e 2021”, explica.

A alta dos juros encarece o capital que empresas de crescimento, como as de tecnologia, utilizam para se financiar. Como são negócios com a receita projetada no futuro, a alta do custo de capital faz com que a empresa seja descontada, valendo menos no mercado. Mas o aperto monetário apareceu nos balanços das big techs também sobre um outro aspecto: o fortalecimento do dólar.

A alta de juros nos EUA leva a uma migração de capital para o país, o que acaba fortalecendo o câmbio da moeda norte-americana. Assim, empresas que tem receitas internacionais acabam ganhando menos, mesmo que as receitas continuem iguais, explica Arthur Siqueira, sócio e analista de investimentos da GeoCapital, gestora de fundos de ações globais.

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“Se a empresa tem US$ 100 milhões de receita nos EUA e R$ 100 milhões no Brasil, na hora de converter a receita obtida em reais, serão menos dólares. Por mais que a receita tenha crescido, quando convertida para dólares, ela cai”, diz. “Isso vale para Microsoft, Alphabet, Meta; todas as big techs que têm grande parte do seus custos em dólar e receitas no mundo todo”.

Os números do terceiro trimestre

  • Microsoft (MSFT): 

A Microsoft reportou os números referentes ao terceiro trimestre na terça-feira (25). Apesar de os números terem superado as expectativas, o mercado ficou com um pé atrás com os dados de crescimento do sistema cloud, que diminuiu no período. A receita no 3T22 ficou em US$ 50,12 bilhões, melhor do que os US$ 49,61 bilhões esperados. O lucro por ação também superou as estimativa do mercado de US$ 2,30, ficando em US$ 2,35;

Em relatório, a equipe de research do Itaú BBA destacou que os resultados da Microsoft indicam que “é provável que o inverno venha para todos”. A companhia conseguiu entregar bons resultados trimestrais mesmo durante a pandemia, mas neste 3T22 a desaceleração do Azure, serviço de nuvem da Microsoft, acendeu um alerta no mercado.

“Mesmo com a CFO Amy Hood reiterando o crescimento de dois dígitos no ano para receitas, não podemos negar que o macro pode afetar os negócios mais do que o inicialmente esperado”, dizem os analistas Thiago Kapulskis e Cristian Faria. “Não é coincidência que a MSFT, uma ação muito bem possuída em tecnologia e talvez até em ações dos EUA em geral, tenha caído 7% no pós-mercado”.

  • Alphabet (GOOGL):

A Alphabet reportou seu balanço na terça-feira (25), com números abaixo do esperado pelo mercado que fizeram as ações da companhia cair no aftermarket. A receita no 3T22 ficou em US$ 69,09 bilhões, abaixo dos US$ 70,58 bilhões bi estimados. O lucro por ação também veio abaixo da expectativa: US$ 1,06, abaixo dos US$ 1,25 estimado.

“A desaceleração da economia e a redução dos gastos com anúncios foram percebidos pela Alphabet, que apresentou o menor crescimento de receitas desde 2013”, destaca William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities.

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Por causa dos desafios do cenário macro, a dona do Google disse, ao divulgar os resultados, que tem olhado para dentro de casa com intuito de cortar custos e se tornar mais eficiente. “Em suma, os executivos têm direcionado a empresa para a busca de eficiência e alocação de recursos em produtos e serviços prioritários para a continuidade do crescimento”, explica Castro Alves.

  • Meta (META):

A dona do Facebook reportou seus resultados na quarta-feira (26) depois do fechamento do mercado, levando as ações a queda de 12% no aftermarket. A receita do 3T22 ficou em US$ 27,71 bilhões, acima das estimativas do mercado que esperava US$ 27,38 bi. O lucro por ação também superou as expectativas: US$ 1,89, acima dos US$ 1,64 esperados.

Entre os destaques, a empresa de Mark Zuckerberg declarou que está enfrentando uma ampla desaceleração nas receitas com anúncios online, desafios com a atualização de privacidade do iOS da Apple e o aumento da concorrência do TikTok. Pesou ainda as incertezas com os altos investimentos no Metaverso, que ainda não geram receitas para a companhia.

Cenário que fez grande parte do mercado avaliar o balanço da Meta como o destaque negativo entre as big techs.

“A receita da Meta caiu 4% ano a ano, enquanto os custos e despesas da empresa aumentaram 19% ano a ano”, destaca Guilherme Zanin, analista da Avenue Securities. “A gigante das redes sociais ainda disse que está mantendo algumas equipes estáveis ​​em termos de número de funcionários, diminuindo outras e investindo o crescimento do número de funcionários apenas nas maiores prioridades”, explicou Guilherme Zanin, analista da Avenue Securities.

  • Apple (AAPL): 

A Apple reportou os resultados na quinta-feira (27) após o fechamento do mercado. A receita no 3T22 ficou em US$ 90,1 bilhões, acima dos US$ 88,8 bi esperado pelo mercado. O lucro por ação também superou as expectativas: US$ 1,29, acima dos US$ 1,27 estimado.

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Na avaliação da equipe de research do Itaú BBA, o balanço da dona do Iphone foi praticamente um “não-evento”, uma conquista bastante positiva nos dias difíceis que o mercado americano vem enfrentando.

“Embora a impressão tenha ficado em linha com nossas estimativas do início ao fim, ficamos impressionados com a orientação resiliente da Apple para o 1T23, levando a revisões imateriais”, destacam os analistas Thiago Kapulskis e Cristian Faria em relatório. “Acreditamos que a AAPL será um bom lugar para se esconder nas próximas semanas, principalmente durante uma temporada terrível para grandes empresas de tecnologia”.

  • Amazon (AMZN):

A Amazon reportou os resultados na quinta-feira (27) após o fechamento do mercado. Embora os resultados tenham vindo em linha com as expectativas, a previsão de resultados menos otimistas para os próximos trimestres fez as ações caíram 20% no after-market. A receita do 3T22 ficou em US$ 127,1 bilhões, perto dos US$ 127,5 bi esperado pelos analistas. O lucro por ação também foi semelhante: US$ 0,28 versus a estimativa de US$ 0,21.

Guilherme Zanin, analista da Avenue Securities, destaca que a plataforma de e-commerce viu as vendas do segmento da América do Norte aumentaram 20% ano a ano, enquanto as do segmento internacional diminuíram 5% na comparação anual. “As orientações futuras preveem um impacto desfavorável de aproximadamente 460 pontos base das taxas de câmbio, sem contar uma redução de aproximadamente US$ 15 bilhões em vendas online devido à desaceleração econômica global”, diz.

Ainda vale a pena investir em Big Techs?

As ações das big techs costumam ser umas das primeiras opções dos investidores brasileiros no exterior. Mas, segundo os analistas, o momento de recessão iminente exige cautela para ponderar os riscos e as oportunidades do momento.

“De maneira geral, temos uma visão cautelosa para o mercado americano, ponderando os riscos em relação à política monetária a possíveis revisões nas projeções de lucro das empresas, que historicamente acompanham o cenário de recessão”, afirma Pietra Guerra, da XP.

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Neste momento, pode ser importante dar preferência a empresas com maior flexibilidade para repassar o aumento de custos causado pela inflação atual, aquelas com demanda resiliente e que estejam com valuations atrativos, explica a analista. E é nesse último ponto que mora a oportunidade. “Pensando nas techs, abriu-se uma oportunidade para comprar empresas que estiveram muito caras ao longo do ano passado”, diz Guerra.

Arthur Siqueira, da GeoCapital, também concorda que este pode ser um bom momento para olhar para as ações da techs, mesmo que o cenário de alta de juros ainda não tenha chegado ao fim. “Essas empresas oferecem um bom potencial de retorno e são investimentos, na nossa opinião, mais seguros do ponto de vista de longo prazo pois têm uma probabilidade muito maior de navegar bem na crise”, afirma.

Antes de investir, o analista afirma que é preciso estar atento não só à tese de investimento de cada empresa, mas saber também qual motivo faria o investidor abandonar a posição. Assim, fica mais fácil agir rapidamente frente a mudanças do cenário econômico.

“São pontos mais qualitativos que fariam a empresa perder a dominância. Por exemplo, algum modelo disruptivo que ameaçasse a parte mais central do Google Search, na Alphabet; ou uma outra solução de produtividade que faça frente ao Office, no caso da Microsoft também me preocuparia”, explica Siqueira.

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