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Colunista

Como a educação financeira pode ajudar no combate à violência contra a mulher

Diversos estudos e pesquisas acadêmicas demonstram as diferenças estruturais enfrentadas por elas

Por Eduardo Mira

07/07/2023 | 15:04 Atualização: 07/07/2023 | 15:04

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(Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

A educação financeira desempenha papel fundamental na vida de todas as pessoas. Contudo, falar disso sob a perspectiva dos direitos das mulheres tem pra mim o sentido de reparação e justiça social.

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Lançar um olhar objetivo sobre as finanças pessoais, destacando a necessidade de capacitar as mulheres nesse campo, é o caminho necessário para superar a violência financeira ainda tão presente e estrutural, para viabilizar autonomia e emancipação.

Desigualdades e obstáculos financeiros

Diversos estudos e pesquisas acadêmicas demonstram as diferenças estruturais enfrentadas pelas mulheres no âmbito financeiro.

Elas enfrentam desigualdades salariais, menor acesso a oportunidades de ascensão na carreira e são mais propensas a interromper suas trajetórias profissionais para cuidar da família. Esses fatores resultam em menor acumulação de recursos para a aposentadoria e maior dependência financeira na velhice.

Violência financeira: um silencioso obstáculo

A violência financeira é uma realidade presente na vida de muitas mulheres. Ela ocorre tanto na esfera privada quanto no ambiente de trabalho, deixando cicatrizes mentais, desespero, sentimento de culpa, insegurança e perda de autoestima.

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Muitas vezes, ao se tornarem mães, as mulheres se veem obrigadas a interromper suas carreiras ou optar por empregos de meio período, desistindo da autodeterminação financeira, pautadas na esperada lealdade e justiça de seus parceiros e, muitas vezes, se frustram.

Não é nada raro ouvirmos casos de homens que afirmam, diante de juízes, que não têm dinheiro, simplesmente para se livrar do pagamento de pensão. Já presenciei momentos constrangedores em que homens faziam piadas sobre isso, como se fosse algo digno de se admitir numa roda de conversa.

Reter pensão alimentícia, reduzi-la arbitrariamente ou simplesmente não pagar sua parte no sustento dos filhos são formas de violência financeira. Deixar de pagar pensão alimentícia definida em juízo, é crime previsto em lei e, ainda assim, essa é a realidade recorrente no cotidiano de milhares de famílias.

Outra situação relativamente comum entre casais, especialmente em lares onde o homem é o principal provedor, é a ocultação dos próprios ganhos ou da forma como o dinheiro é investido. Isso é violência financeira e, intencionalmente, cria desequilíbrios na disposição e no poder que podem estar violando os direitos da mulher.

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Este é um tema muito complexo, mas que precisa ser discutido, pois quando uma mulher tem sua autonomia subjugada devido à dependência econômica, isso precisa ser chamado pelo seu verdadeiro nome, pois ao tipificar corretamente uma atitude é que o debate sobre ela se amplia para as formas de solução.

Desmistificando a Violência Financeira

É fundamental compreender e nomear corretamente a violência financeira para ampliar o debate e buscar soluções para este problema. Ela se caracteriza pelo exercício de poder e controle que restringe as ações e decisões das mulheres.

Deixando bem claro que dependência financeira não é o mesmo que violência financeira. A dependência é circunstancial, enquanto a violência ocorre quando alguém alguém se prevalece e passa a abusar dessa dependência para impor desequilíbrios e limitações a outra pessoa.

Se duas pessoas vivendo juntas concordam que uma delas cuidará da casa e a outra será responsável pelas questões financeiras, com tudodividido e administrado por ambas, isso é saudável e livre de abuso, já que configura um modelo de parceria viável.

Infelizmente, o que mais se nota é que parceiros, ou ex, se prevalecem de sua superioridade financeira e da dependência econômica das mulheres, sobretudo por causa dos filhos, submetendo mulheres a pressão psicológica e vulnerabilidade material inadmissíveis numa sociedade que se pretende civilizada.

Conscientização e superação do tabu

Infelizmente, a violência financeira ainda é um tabu social pouco discutido. Embora a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006)  contemple em seus dispositivos  a violência patrimonial, é necessário avançar na conscientização e implementar políticas públicas que promovam a educação financeira como instrumento de mudança.

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Muitas mulheres geralmente não sabem que a violência está sendo praticada contra elas por meio de alavancagem econômica. Elas podem se sentir impotentes, humilhadas, com raiva, mas nem sempre conseguem elaborar racionalmente como sua autonomia está sendo minada através do dinheiro.

Educação financeira e autonomia

A violência financeira lança mulheres em dificuldades existenciais, toma liberdades, explora, humilha e mata suas chances de crescimento e emancipação, e esse é um debate urgente, inclusive entre educadores financeiros, pois muito podemos contribuir para a eliminação dessa injustiça social.

Quando as mulheres têm domínio sobre suas finanças, elas conquistam autonomia e capacidade de realizar seus objetivos pessoais. A educação financeira proporciona as ferramentas necessárias para que elas façam escolhas conscientes, evitando situações de vulnerabilidade e dependência.

É fundamental que as mulheres sejam encorajadas desde cedo a desenvolver habilidades financeiras, incentivando-as a buscar carreiras promissoras, investir e empreender.

Ao investir na educação financeira acessível e focada em promover equidade, estamos investindo no desenvolvimento de uma sociedade mais justa para todas e todos.

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