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Investimentos

Banco estatal encanta analistas, que recomendam a ação: “Está barata”

Evento detalhou negócios e expectativas para 2024, quando o lucro pode chegar a R$ 40 bilhões

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade

01/03/2024 | 14:17 Atualização: 01/03/2024 | 14:53

O Banco do Brasil (BBAS3) estima lucrar entre R$ 37 bilhões e R$ 40 bilhões em 2024. (Imagem: chachamal em Adobe Stock)
O Banco do Brasil (BBAS3) estima lucrar entre R$ 37 bilhões e R$ 40 bilhões em 2024. (Imagem: chachamal em Adobe Stock)

O Banco do Brasil (BBAS3) tem uma gestão disciplinada com metas factíveis para 2024 e uma boa rentabilidade para dividendos, por isso, o papel se torna uma excelente opção para o investidor. Esta é a conclusão de três analistas entrevistados pelo E-Investidor após o banco realizar o BBDay na última quinta-feira (29). O evento reuniu analistas do mercado financeiro para a companhia apresentar suas expectativas para o ano e mostrar de forma mais detalhada os planos dos seus negócios.

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Para 2024, o banco estima lucrar entre R$ 37 bilhões e R$ 40 bilhões, um crescimento que representa alta de 3,93% a 12,35% na comparação com o lucro líquido de R$ 35,6 bilhões de 2023. A empresa também prevê uma elevação entre 8% e 12% na carteira, puxada pela alta do agronegócio. A expectativa do banco é que carteira do agro cresça entre 11% e 15%.

Ontem, o diretor financeiro (CFO) do Banco do Brasil, Geovanne Tobias, não negou o fato de que a queda da Selic pode ser um fator que diminua o spread bancário (diferença entre os juros de captação e empréstimo), o que para alguns analistas do mercado financeiro pode dificultar o crescimento do lucro do banco. “Os analistas estão preocupados com a queda de juros, que pode nos afetar, mas nós vamos conseguir superar isso com o uso da diversificação de receitas”, detalhou Tobias.

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Segundo o mais recente boletim Focus, a taxa básica de juros da economia, a Selic, deve cair dos atuais 11,25% ao ano para encerrar 2024 em 9% o ano. No entanto, o CFO apostou na diversificação de receitas para superar o risco.

De acordo com o CFO, a diversificação de receitas era responsável por 15% do lucro em 2010, número que subiu ao longo dos anos. “A diversificação do resultado é super importante, o mercado sempre cobrou isso. Em 2023 a diversificação de receitas foi responsável por 50% do lucro. Esperamos crescer ainda mais em 2024”, disse Tobias, no evento desta quinta-feira.

Como  mercado vê os negócios do Banco do Brasil

Para Acilio Marinello, professor da Trevisan Escola de Negócios, o BB de fato tem buscado diversificar os seus produtos financeiros, tendo uma abordagem semelhante a dos bancos privados. “O BB tem aumentado a sua base dos cartões de crédito, um instrumento financeiro que gera fidelização e promove outros negócios com a pessoa física. Ele tem oferecido dinheiro para a alta renda e também está fortemente presente no agronegócio e no Plano Safra”, afirma Marinello.

Sendo assim, o analista acredita que essa diversificação de receita deve ajudar o Banco do Brasil a enfrentar qualquer queda de rentabilidade. “Essas outras linhas de receita aliviam as reduções das margens por causa da queda de juros”, explica Marinello.

No BBDay, o CFO argumentou também que a ação do banco está barata e que não sabe o motivo para o mercado esperar mais da empresa. “Em 2010 éramos negociados a 7,24 vezes o lucro, enquanto hoje somos negociados a 4,7 vezes. Enquanto alguns pares são negociados a 11 vezes”, afirmou o Tobias. Quanto maior o indicador, mais cara está a ação.

  • Leia Mais: Banco do Brasil está barato e mercado não deve ter preconceito com a ação, diz CFO

A ação do Banco do Brasil está sendo negociada abaixo da média dos pares pelo fato do mercado temer uma intervenção estatal na empresa. Esse receio tomou conta dos analistas após Banco do Brasil ter trocado de gestão logo depois do início do mandato do presidente Lula. A nova CEO, Tarciana Medeiros, assumiu o controle do banco no dia 16 de janeiro de 2023.

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Para Milton Rabelo, analista da VG Research, o temor da intervenção estatal na empresa deve ficar um pouco para trás, visto que esse receio não se concretizou ao longo de 2023.

O Banco do Brasil encerrou 2023 com lucro líquido de R$ 35,6 bilhões, alta de 11,4% na comparação com 2022. O número ficou no mesmo patamar do Itaú (ITUB3; ITUB4) e muito maior que o de outros concorrentes, como o Santander (SANB11), que lucrou R$ 9,4 bilhões, e o Bradesco (BBDC3; BBDC4), que teve lucro de R$ 16,3 bilhões em 2023.

Ainda que o Banco do Brasil tenha registrado o mesmo lucro do Itaú, o primeiro se mostrou mais rentável, pois o Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (ROE) encerrou 2023 em 22,5%, enquanto o banco privado apresentou ROE de 21,2%.

Riscos no horizonte do banco

Com base nesses números, o analista comenta que a gestão de Medeiros tem mostrado disciplina de execução em relação às linhas propostas no guidance (expectativas de resultado da empresa). “A gestão do Banco do Brasil foi enfática em relação à sustentabilidade dos resultados que têm sido impulsionados por ferramentas tecnológicas, o que tende a ajudar a empresa a cumprir as projeções para 2024”, detalha Rabelo.

O único ponto que o especialista diz que o investidor deve tomar cuidado é que no último resultado trimestral houve uma deterioração relevante na dinâmica das Provisões para Devedores Duvidosos (PDD). A PDD encerrou o quarto trimestre de 2023 em R$ 9,98 bilhões, alta de 52,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O dinheiro é utilizado para cobrir os calotes dos clientes. “Porém, é necessário aguardar os próximos resultados para saber se as projeções de PDDs serão cumpridas pela instituição em 2024”, explica Rabelo.

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Já Paulo Luives, especialista da Valor Investimentos, lembra que o o vice-presidente de Controle de Negócios, Felipe Prince, reclamou de questões regulatórias da fintechs, o que na visão de Luives pesa para as principais instituições financeiras do País. “Os grandes bancos enfrentam um arcabouço maior de regulação, enquanto as fintechs têm uma regulação menor, o que impacta na questão de custos e deixa a competição injusta entre os grandes bancos e as fintechs”, detalha Luives.

Vale comprar a ação do Banco do Brasil?

Ainda que o banco enfrente esse problema, Luives comenta que o mercado está otimista com a ação. Segundo o consenso reunido por ele, a recomendação das corretoras é de compra, com o preço-alvo do ativo em R$ 67, uma alta de 15,8% na comparação com o fechamento de quinta-feira (29), quando o papel encerrou o pregão a R$ 57,86.

O consenso reunido por de Luives é comprovado quando se olha a recomendação individual das corretoras. Phil Soares, chefe de análise de ações da Órama, acredita que a ação está barata, assim como disse o CFO no evento do BBDay. Por causa disso, ele recomenda compra para as ações do Banco do Brasil com preço-alvo de R$ 66,50 para os próximos 12 meses, um potencial alta de 15% em relação ao fechamento de quinta-feira.

“A ação faz parte da carteira de dividendos da Órama, com o banco passando por um momento muito bom em função dos trabalhos feitos pelas gestões anteriores, por isso, torcemos para que a gestão atual mantenha essa boa gerência”, diz Soares.

Rabelo, da VG Research, também está otimista com o papel e recomenda compra, com um preço-alvo de R$ 72, o que representa alta de 24,5% em relação ao fechamento de quinta-feira. “As metas estipuladas no guidance parecem exequíveis e a gestão tem mostrado boa capacidade de execução”, argumenta Rabelo.

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Por fim, Marinello, da Trevisan, vê o papel barato e diz que as ações têm espaço para alta. “O Banco do Brasil é uma excelente oportunidade para quem quiser formar uma carteira de investimentos para o médio e o longo prazos. Se a gestão mantiver essa boa administração, o investidor só tem a ganhar”, conclui Marinello.

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